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Precisamos falar sobre responsabilidade social nas empresas

Diante dos impactos deixados pelos processos produtivos e corporativos, que há séculos culminam na exploração de recursos naturais e consequentemente contribuem com o surgimento de demandas sociais e ambientais, é passado a hora das empresas se posicionarem como agentes socioambientais.

Não há mais espaço para marcas que visam apenas vendas e números de mercado. É preciso ir além. A responsabilidade ética está batendo na porta e cobrando a todos pelo saldo negativo que certas ações geram ou podem gerar à humanidade. A nova missão não é meramente ilustrativa, como um quadro emoldurado no hall de entrada, ela deixou de ser uma finalidade para ser o cerne do desenvolvimento. Chegou o momento de colocá-la em prática, principalmente na busca por alternativas mais sustentáveis, assim como, por formas de reverter e neutralizar os possíveis impactos negativos.

“Isso significa que o que é feito hoje não pode impactar negativamente as gerações futuras e nem a continuidade do que está disponível, em termos econômicos, sociais e naturais.”

Eduardo Wolkan | Cofundador do portal Transformação Digital

Desenvolvimento Sustentável 

Por muito tempo se acreditou que desenvolvimento e crescimento econômico eram praticamente como sinônimos, para se ter um deveria se ter o outro e vice-e-versa. Mas essa visão não poderia ser mais limitada, da mesma forma que muitos empresários se enganam ao crer que seus papéis no mundo são apenas de cunho econômico.

Na verdade, logo percebeu-se que para algo ser considerado desenvolvido (seja um país, uma comunidade ou uma empresa) é necessário uma união de fatores. Essa concepção tornou-se reconhecida mundialmente com a criação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), cuja a base são: longevidade, nível educacional e Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Ou seja, “[…] três opções básicas devem estar presentes e são condições para um verdadeiro desenvolvimento, que não signifique apenas crescimento econômico: vida longa e saudável à população; pessoas com condições e capacidade de adquirir conhecimentos; e pessoas com acesso aos recursos necessários a um padrão de vida decente”. (LUZ, p.3, 2019).

Com um novo olhar sobre os aspectos de desenvolvimento, as ideias evoluíram e novos conceitos surgiram voltados ao mercado empresarial. Assim chegamos ao desenvolvimento sustentável, referente “[…] a modelos de desenvolvimento que pregam o crescimento econômico através de práticas de utilização racional dos recursos naturais e de tecnologias mais eficientes e menos poluentes. Esta concepção envolve, ainda, a realização de projetos sociais e políticas que buscam a diminuição da pobreza e a satisfação das necessidades básicas da população, com foco na qualidade de vida das pessoas.” (LUZ, p.3-4, 2019)

“[...] pode-se dizer que ele é um desenvolvimento que deve ser socialmente justo, ecologicamente correto, tendo como um dos seus componentes o crescimento econômico, mas não tendo este crescimento como finalidade. Deve, sim, ter como eixo central, como finalidade, a pessoa humana e sua relação com a Terra, garantindo a satisfação das necessidades humanas, a qualidade de vida da população, sem comprometer os recursos do planeta, de maneira a se garantir a continuidade das gerações vindouras".

Lucas Henrique da Luz

Como uma ramificação deste conceito, surge o Desenvolvimento Regional Sustentável, no qual a ideia cerne mantém-se, mas, desta vez, voltada a comunidades específicas. Nesta perspectiva, o objetivo é diagnosticar os impactos, deficiências e problemas locais, em busca de resolvê-los em coletividade.

Como aborda a teoria do equilíbrio de interesses, de Silveira (2010), “Uma empresa que prejudica e empobrece seu entorno (o local onde está inserida) empobrece a si própria e tende a não sustentar sua atuação a médio e longo prazos”. (LUZ, p. 11, 2019).

Responsabilidade Social Corporativa 

Visto que o desenvolvimento das empresas deve respeitar aos fatores básicos citados anteriormente (e não somente aos números do setor financeiro), outra noção torna-se primordial: a Responsabilidade Social Corporativa.

Considerado como algo similar a um modelo de gestão empresarial, seus princípios e valores éticos determinam que a conduta e a atuação da empresa contribua para o âmbito social, ambiental e econômico das sociedades. Ou seja, todos os aspectos da empresa devem ser pensados conforme seu impacto social, desde macro-ações – como no uso de energias alternativas ou na doação de recursos para comunidades carentes – até micro-ações – como o abandono de canudos e o reaproveitamento de alimentos.

Para medir e certificar a responsabilidade social das empresas, de acordo com as normas previstas, existem órgãos certificadores destinados. Dentre eles, podemos citar a SA 8000 e NBR 16001, a ISO 26000, a ISO 14001, a OHSAS 18001 e a AA 1000.

Como base para colocar em prática a Responsabilidade Social Corporativa, usam-se os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Agenda 2030), declarados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Eles servem como guia para entender as carências sociais e as metas de desenvolvimento humano, assim como, para nortear os pontos de transformação que as marcas devem se atentar.

Metodologias de aplicação 

Além de reformular processos e repensar atitudes, as empresas com responsabilidade social também frequentemente desenvolvem projetos de ação afirmativa e cunho social, voltados ao incentivo ou melhoria de condições humanas, ambientais, educacionais, culturais e econômicas. Porém, não confunda isso com o tom pejorativo de “caridade”. Esses projetos exigem planejamento, métodos de aplicação e acima de tudo, impactos positivos e verdadeiros, de acordo com os objetivos ilustrados acima.

Para realizar um projeto social, a metodologia mais utilizada é questionar-se:

Ao responder essas perguntas (de forma sincera), torna-se mais simples desenvolver um roteiro de ação, com objetivos claros, cronograma, orçamento e metas devidamente estabelecidas. Ao longo da aplicação do projeto e após, é indicado que seja realizado avaliações constantes dos resultados que são alcançados, assim como, dos imprevistos que surgem e como eles podem ser contornados.

Inspirações e casos de sucesso também pode ser um ótimo norteador neste processo. Lembre-se das empresas que são popularmente conhecidas pelas ações sociais de sucesso, pesquise sobre seus processo e suas campanhas.

Cenário atual 

Muitos estudos já comprovaram que empresas que investem em diversidade e desenvolvem um perfil social ativo obtém vantagem competitiva e se destacam em aspectos de inovação no mercado. Enquanto marcas com perfis tradicionais e retrógrados permanecem para trás, presas em métodos antiquados, desiguais e excludentes, que não representam a realidade da sociedade, muito menos, geram conexões de qualidade com o público. Um ótimo exemplo disso é a transformação da marca Skol, que ao transformar seu corpo profissional e sua estratégia de marketing, se redimiu com o público, que não mais se identificava com seu histórico de comunicação machista.

Mas, as ações podem ir bem além, ainda há muito a avançar quando se trata das empresas reconhecerem seus papéis de transformadoras sociais. Para entender mais sobre o cenário atual do mercado brasileiro, os benefícios da responsabilidade social corporativa para sua empresa e a importância de colocar esse objetivos em prática, indicamos as leituras abaixo:

Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas

Relatório realizado pelo Instituto Ethos, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O social é a causa

Veja o texto especial que realizamos sobre o marketing de causa.

Um guia sobre a atual Responsabilidade Social Corporativa

Texto desenvolvido pelo portal Transformação Digital

*Algumas das citações deste texto foram retiradas do capítulo “Sustentabilidade e Desenvolvimento”, elaborado por Lucas Henrique da Luz, retirado do curso de Responsabilidade Social Empresarial da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

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