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Guia básico de como tirar fotos profissionais: aprenda de vez!

Você já ficou impressionado por um espaço ou produto com apenas uma fotografia? Se sim, então você entende que uma foto de qualidade pode ser a diferença para gerar um conteúdo de sucesso ou até finalizar uma venda. Afinal, vivemos o boom do Instagram e nunca antes valorizamos tanto o poder da imagem.

Claro, essa mídia já é antiga e está presente em nossas vidas desde que nos conhecemos por gente, registrando e eternizando momentos. Porém, em uma nova fase, na qual todos podemos ser fotógrafos por um dia, começamos a perceber a diferença entre tirar e saber tirar boas fotos.

Pensando nisso, nos juntamos ao fotógrafo Léo Gonçalves na criação deste texto completinho, recheado com informações básicas para quem quer aprimorar o dom do clique e, quem sabe, atingir resultados mais satisfatórios visualmente.

Preciso de equipamentos profissionais?

Antes de qualquer coisa, começamos destacando que um equipamento top de linha não é passagem mágica muito menos desculpa para uma imagem ser boa ou ruim. Ou seja, é sim possível tirar fotografias satisfatórias com o equipamento que você já possui – isso mesmo, estamos falando do seu próprio celular.

O foco do nosso texto não é indicar equipamentos ou ferramentas, mas sim oferecer habilidades e teorias que você pode desenvolver gratuitamente simplesmente colocando-as em prática, tendo tanto ou mais efeito do que um investimento em materiais.

Os 3 pilares da fotografia

Existem três componentes que quando juntos fazem uma foto ser única: luz, composição e momento. Cada um deles tem um peso e importância, além de formas diferentes de trabalhar e exercitar. Ao longo de nosso guia, iremos nos focar e desenvolver cada um deles. Bora lá?!

#MOMENTO

Começamos pelo mais essencial deles: o momento. Esse é o elemento que nos permite contar uma história e transmiti-la com espontaneidade e naturalidade. É o momento que constrói a mensagem que queremos passar através da fotografia, por isso, deve ser o cerne do trabalho e também o guia para o restante das escolhas mais técnicas.  

“Ele estava ciente de que é a essência de uma imagem, não necessariamente sua forma, que é importante”,

Eve Arnold sobre Robert Capa, grande fotojornalista de guerra, responsável pelas únicas fotos do Dia D na 2ª Guerra Mundial.
©Robert Capa | Cidadã foge com cão para abrigo durante ataque aéreo em Barcelona

Nesse contexto, uma boa foto depende também de nossa capacidade de prever, imaginar e até criar momentos. Não é à toa que muitos pensadores da área classificam aos fotógrafos a habilidade de meteorologistas, capazes de avaliar no cenário possíveis ações e, por consequência, possíveis fotografias. Assim, a criatividade deve caminhar lado a lado deste senso, permitindo o tempo necessário para registrar os momentos da melhor forma – incluindo, se possível, os pilares de composição e luz que veremos a seguir. 

#FicaDica: tire alguns segundos do seu dia para exercitar esse “olhar fotográfico”, observando e buscando as diferentes possibilidades e momentos que podem ser registrados. Com a prática, isso se torna cada vez mais fácil. 

#COMPOSIÇÃO

Nem sempre percebemos, mas uma só imagem envolve vários elementos visuais além do que foi fotografado, como ângulo, linhas e cores. Isso é o que diferenciará uma foto da outra:  a escolha de como recortar um momento e transmiti-lo aos olhos de outros.

Qual ponto de vista você quer passar? Qual o assunto principal? Como o olhar deve navegar e visualizar a cena? Tudo isso é decidido quando pensamos em composição, partindo de um equilíbrio dos elementos citados acima.

Antes de qualquer coisa, em alguns casos, como fotografias de produto, temos a escolha e composição do cenário, mas não necessariamente nos referimos a isso. Quando falamos de composição na fotografia, tratamos principalmente da composição que é possível fazer com a câmera na mão e suas ferramentas, como explicamos melhor abaixo.

#FicaDica: evite utilizar o zoom da câmera/celular – use os pés como zoom. Você verá que o resultado da composição ficará muito melhor, justamente porque você é obrigado a se movimentar e enxergar o momento de diferentes formas.

> Composição por enquadramento

Na fotografia e no audiovisual, os ângulos e planos são elementos essenciais para destacar um momento. Isso porque cada abordagem representa um olhar ou enquadramento diferente, carregando consigo significados ópticos, estéticos e emocionais. Como coloca Luiz Humberto no livro “Fotografia, a poética banal”, fotografar é “um ato de abrir janelas, capaz de permitir a nós e aos outros uma visão renovadora e arejada”

No caso dos planos, temos o recorte da cena. Já os ângulos podem trazer diferentes perspectivas sobre um mesmo momento, tornando certos assuntos mais interessante, despertando reflexões, viabilizando ângulos que nunca poderíamos vivenciar presencialmente ou despertando nosso papel de observador quanto a imagem (como se de certa forma participassemos daquilo que foi fotografado).

#FicaDica: fuja do que os fotógrafos chamam de “síndrome da foto na altura dos olhos” – esse ângulo favorece pouco esteticamente e não traz nada de novo, dado que já enxergamos o mundo deste ângulo naturalmente. Busque sempre um ângulo mais elevado, principalmente em planos mais gerais, levantando a câmera/celular em alguns centímetros, ou explore os outros exemplos que citamos abaixo. 

Tipos de plano

  • O plano geral é indicado para quem quer estabelecer uma história dentro de uma cena geral, apresentando o contexto mais amplo do momento.
  • O plano médio é para ações que queremos focar e ver de perto. Ele geralmente conta a história de alguém fazendo algo ou sofrendo o impacto de outra ação em apenas uma fotografia, enfocando todos os elementos importantes para entendermos a história que está nos sendo narrada.
  • O close-up ou o plano detalhe conferem intimidade e dramaticidade, enfocando nosso olhar em pequenos detalhes que significam muito ou que até passam despercebidos em outros planos, como um toque de mãos ou a expressão facial de alguém.

Tipos de ângulo

O ângulo que você escolher irá ajudar a compor, destacar e contar o momento captado. 

  • O ângulo visto de cima, ou plongée, ajuda a mostrar ou criar uma cena geral, além de dar a sensação de superioridade a quem vê a imagem.
  • O ângulo visto debaixo, ou contra-plongée, traz novidade ao olhar, permite o destaque de detalhes e também pode representar a sensação de inferioridade.
  • O ângulo de 45 graus e o de perfil são boas variações para retratos e imagens de produtos, fugindo da normalidade do ângulo de frente.

> Imagens multicamadas

Afinal, como que eu faço aqueles efeitos fodas de imagem desfocada sem utilizar o modo retrato da câmera? Tem um jeito técnico e te explicamos um pouco mais no fim do texto. Aqui o importante é saber que uma das formas de compor uma foto é através de camadas, sejam elas de foco ou de elementos. 

As camadas de elementos, ajudam a contar uma história em diferentes grupos ou fases, adicionando profundidade ao tema. Já as camadas com foque e desfoque servem para destacar um elemento do restante da história. Em ambos os casos, a fotografia ganha mais complexidade visual e contextual, chamando mais atenção de quem a vê.

> A Regra do Terços

Você já deve ter visto em seu celular ou câmera a opção de posicionar na tela um grid composto por três linhas verticais e três horizontais (como na imagem ao lado). Acontece que ele não está lá por acaso! Seu propósito é justamente auxiliar na composição da foto.

Primeiro, as linhas horizontais ajudam a alinhar a linha do horizonte, equilibrando a fotografia. O indicado é que evite desequilibrar essa linha, a não ser que você queira justamente transmitir a sensação de caos ou desequilíbrio – como a técnica usada por fotógrafos durante a guerra, para simbolizar que o mundo dos soldados estava “caindo”.

Comparativo da foto com horizonte alinhado vs. desalinhado (Léo Gonçalves/Big Dream Agência)

Por segundo, e mais importante, os quatro pontos de cruzamento dessas linhas representam as “áreas de ouro” da imagem. Ou seja, uma forma de destacar o assunto ou elemento principal da foto é o posicionando em um desses pontos ou dentre eles. Deixando claro que você não precisa sempre realizar ou depender desta regra, ela é apenas uma das formas de composição que podem facilitar seu trabalho. 

> Composição por cor

Outra forma de compor uma fotografia é equilibrando suas cores dentro de uma paleta de cores. Caso isso não seja possível, uma dica preciosa é o uso do preto e branco  não se engane, essa nunca é uma escolha estética, parte sempre de sua funcionalidade na composição e mensagem final da foto.

Geralmente, o uso de preto e branco se dá por um motivo em especial: deixar a mensagem da imagem mais clara. Isso porque a ausência de cores primárias possibilita minimizar ruídos e elementos que possam desfocar o olhar da mensagem principal, como em espaços com muitas pessoas ou muitas cores chamativas. Em retratos, seu uso também permite destacar as expressões faciais da pessoa, desfocando o olhar de detalhes não tão importantes, como a roupa, acessórios ou o próprio cabelo.

© Sebastião Salgado | Famoso fotógrafo brasileiro, conhecido por suas fotos em preto e branco

#LUZ

Quando se trata de visual, a luz faz toda a diferença. Ela é importante por muitos motivos, podendo ajudar na composição da foto, no destaque de elementos e principalmente na qualidade da imagem e das cores em si. Se você sempre tira fotografias bonitas mas que parecem sem vida ou de má qualidade, provavelmente a luz não foi das melhores. Felizmente, até isso é possível mudar e exercitar.

Primeiro é importante compreender a intensidade da luz e seus impactos. Quanto maior a fonte de luz, mais suave ela será. Por exemplo, temos os rebatedores de flash em estúdios que deixam o efeito da luz leve, clareando o espaço de forma equilibrada. Agora, quanto menor a fonte de luz, mais duro será seu efeito, tornando a luminosidade mais forte e os contornos e sombras mais visíveis, como é o caso de lâmpadas. 

De todas as fontes de luz, o sol sem dúvida é uma das melhores e mais acessíveis, todavia, dado sua distância e seus diferentes posicionamentos e intensidades ao longo do dia, ele pode ter tanto o efeito de luz dura quanto suave, tudo depende do horário do dia

O efeito de luz dura toma quase todas as horas de sol; ou seja, diferente do que muitos acreditam, tirar aquela foto em local aberto ao meio-dia com o céu super ensolarado e aberto não é equivalente a um bom resultado. Na verdade, o horário de ouro da fotografia é do fim da tarde até o pôr do sol, geralmente a partir das 16:30, quando o efeito do sol fica mais suave. 

Agora que sabemos mais sobre intensidade, podemos brincar novamente com os ângulos, mas desta vez os ângulos de luz e não da câmera. Neste caso, ao mudar a fonte de luz de posição, você pode adquirir resultados bem diferentes. Algo que podemos ver na cena abaixo, retirada do clipe “Sparkles and Wine” da artista francesa Opale: 

Os ângulos de luz mais utilizados na fotografia são:

  • - fonte de luz bem à frente do objeto/indivíduo, gerando efeito de luz mais forte;
  • 45º - fonte de luz em diagonal, deixando uma terço da face do objeto/indivíduo na luz e o restante na sombra, ajuda a gerar a sensação de profundidade está nos sendo narrada;
  • 90º - fonte de luz de lado do objeto/indivíduo, deixando metade da face do objeto/indivíduo na luz e outra metade na sombra;
  • 180º - fonte de luz nas costas do objeto/indivíduo, iluminando o fundo enquanto escurece os objetos/indivíduos em primeiro plano, somente usado em composição de luz e sombra.

Como podemos ver, existem diversas opções, mas a dica primordial para iniciantes é evitar tirar a foto estando de frente para o foco de luz. Ele deve estar, de preferência, ao lado ou atrás do fotógrafo.

#FicaDica: para destacar um assunto ou elemento na foto utilize uma fonte de luz mais alta somente nele.

Uso da câmera no modo manual

Um dos principais diferenciais entre fotógrafos amadores e profissionais é o uso da câmera nos modos automático ou no manual. No dia a dia, geralmente usamos nossas câmeras no automático, dado sua maior facilidade e praticidade, justamente por não precisarmos nos preocupar com a captação que o equipamento está fazendo, somente com nossas escolhas como “fotógrafos”. 

Já o modo manual nos leva a origem da fotografia, quando era preciso levar em conta os fatores e funcionalidades do equipamento que influenciam no resultado final: abertura do diafragma (o “olho da lente), velocidade do disparo do obturador (quanto tempo ele fica aberto) e o ISO (sensibilidade do filme ou a capacidade de processar a imagem a partir da luz).

Como nosso propósito aqui também não é aprofundar conceitos super técnicos da fotografia, iremos apenas pincelar cada um dos pontos, deixando em aberto caso você queira aprofundar cada um deles. Nossa dica é dar uma olhada no gráfico abaixo e na reportagem do Jornal Nexo sobre ele.

Primeiro, comece sempre pelo ISO. Em locais com bastante luminosidade, use um ISO baixo. Em ambientes mais escuros, aumente o ISO – mas com cuidado, pois quanto maior o ISO, mais granulada a foto. Conte também com os outros dois comandos para trazer mais luminosidade, caso você precise. 

Em relação à abertura do diafragma, selecione conforme a profundidade e foco que quiser, podendo criar o efeito de multicamadas/foco e desfoco, além de acrescentar mais ou menos luz. Já o tempo do obturador vai se referir aos segundos em que a imagem é captada. Quanto mais tempo, mais luz e mais movimentos (efeito tremido ou contínuo). Quanto menor o tempo, menos luz e mais congelado o movimento será. 

A escolha e equilíbrio desses três pontos dependerá do seu objetivo, da luminosidade do local e do objeto/indivíduos fotografados. No início pode ser complexo pegar o jeito, mas a prática facilita o entendimento das diferentes funcionalidades da câmera. De qualquer forma, você não é obrigado a utilizar ou aprender o modo manual, o automático já é o suficiente para fotos pessoais ou corriqueiras de trabalho. O real impacto a curto prazo está nos três pilares que apresentamos ao longo do texto.

+ profissionais para se inspirar

Além dos nomes já citados, indicamos dar uma olhada no trabalho surpreendente desses profissionais para se inspirar e dar ainda mais profundidade a sua fotos:

Henri Cartier-Bresson

Fotojornalista famosos por inaugurar o conceito de fotografia documental, com fotografias da "vida banal".

Evandro Teixeira

Fotojornalista brasileiro conhecido por imagens de momentos marcantes da história do país, como durante a ditadura militar.

Steve McCurry

Fotógrafo estadunidense da National Geographic, reconhecido por fotografias e retratos icônicos.

Dorothea Lange

Fotógrafa estadunidense admirada por suas fotos documentais, principalmente da depressão de 30 nos EUA.

Pronto para colocar as dicas em prática? Qualquer dúvida que pintar, pode chamar a gente ou o Léo que será um prazer ajudar e trocar experiências!

Quer se aprofundar ainda mais no mundo da fotografia? Veja algumas indicações e conteúdos especiais da área em nossos Clubinhos da Inspiração, clicando aqui!

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