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Conteúdo Inspirador: 3 artigos para refletir sobre Big Data e sociedade

Como parte de um conteúdo especial para inspirá-los, retornamos com a tradução de conteúdos internacionais que envolvem as temáticas de criatividade, comunicação e mercado. Nesta segunda postagem, escolhemos três artigos que apresentam diferentes perspectivas sobre o assunto big data:

  1.  Linguagem importa: O real significado de Big Data | por Financial Times

  2. O perigo dos dados: porque os números nunca contam a história completa | Por World Economic Forum

  3. Big Data: impulsão econômica ou força para o bem social? | Por World Economic Forum

Destacamos que a tradução dos artigos foi realizada livremente, com corte de parte do conteúdo devido relevância. Para lê-lo na íntegra em inglês, acesse os links no início de cada artigo. Uma ótima leitura a todos:

Linguagem importa: O real significado de Big Data Etimologia pode oferecer novas perspectivas surpreendentes em muitas das frases que frequentemente utilizamos nos negócios

Texto escrito por Gillian Tett para o Financial Times, no Moodle. Para lê-lo na íntegra em inglês, clique aqui.

Se você pensa na palavra “dado” (data), qual imagem surge em sua mente? A maioria de nós provavelmente diria computadores, números ou planilhas. Em alguns sentidos, isso está inteiramente correto: a economia digital de hoje é tão dependente de dados coletados pelo computador, tanto que consultores usualmente dizem que os dados são o novo petróleo. Mas, o que é raramente discutido é a fonte da palavra, o que não tem nada a ver com números, muito menos computadores. Ao invés disso, as duas sílabas vem do verbo “dar” em latim, apresentado no particípio passado neutro, o que poderia ser traduzido como “aquilo que é dado” ou até “um presente”.

Isso é apenas uma curiosidade singular? Não agora. Enquanto a definição de dado (data) evoluiu para além de todo reconhecimento, o significado original revela uma verdade maior. O que impulsiona nossa moderna economia cibernética não é somente bytes e números, mas, como escrito anteriormente, o sistema massivo de trocas. Silicon Valley (região americana reconhecida por empresas de tecnologia e inovação) é parcialmente baseado em negociações de trocas de informação pessoal por serviços entre usuários da internet e companhias de tecnologia, frequentemente ignoradas.

Agora, é particularmente importante pensar sobre o significado original de dado (data), uma vez que muitas pessoas estão começando a sentir que os termos deste intercâmbio (ou troca de comércio) são injustos aos consumidores, pois os usuários não compreendem propriamente as consequências dessas informações “dadas”. Ou como Kadija Ferryman, um pesquisador no instituto de pesquisa New York’s Data & Society, observou em um discurso ano passado sobre a natureza confusa dessas trocas: “Quando nós pensamos desta forma sobre dados, como um presente, nós podemos entender a dinâmica social que ocorre nos projetos de coleção de dados hoje”.

Executivos em Silicon Valley fariam bem em considerar esse ponto, e também deveria o restante de nós – em um sentido bem mais amplo. Pois, a etimologia pode oferecer novas perspectivas surpreendentes sobre a maioria das frases que utilizamos em negócios e no mercado. A história da linguagem pode constantemente iluminar o contexto cultural por trás de práticas que não levamos a sério.

Pegue a palavra “tecnologia”. Como dados (data), ela é usualmente associada com computação e à economia digital, mas a palavra na verdade origina-se do grego techne, cuja tradução é habilidade, arte ou ofício (assim como tecelagem), combinado com logos, que significa palavra. Isso pode parecer surpreendente levando em conta que computadores muitas vezes são associados a complexos algoritmos e processamento de números. Ou talvez não. Na semana em que a Associação Antropológica Americana estava sediando sua convenção anual em São José (EUA), as companhias de tecnologia têm utilizaram o evento para recrutar um número sem precedentes de antropologistas culturais, tendo percebido tardiamente que computação não é somente sobre matemática, mas também sobre interações humanas. Até programadores, que utilizam suas habilidades para criar linguagens de computação, operam em um contexto social.

Agora considere as palavras “companhia” e “comparação”. A raíz da segunda vem do latim corpus (corpo), enquanto a primeira vem do latim companio ([pessoas] compartilhando pão juntas). Isso obviamente não harmoniza com o que nós tendemos a falar sobre companhias hoje, normalmente em termos de planilhas de balanço e burocracias. Mas, mais uma vez, a origem dessas palavras destacam um ponto importante: uma empresa de negócios é uma estrutura social, tanto quanto é uma máquina de lucros – e CEOs ignoram esse aspecto humano por sua própria conta e risco.

Algumas vezes a história de nossas palavras são irrelevantes, todavia, muitas vezes não são. Então, a próxima vez que você ouvir um consultor falar sobre Big Data (grandes dados), pergunte como a conversa soaria se eles dissessem Big Gifts (grandes presentes) ao invés.

O perigo dos dados: porque os números nunca contam a história completa

Texto escrito por Kian Bakhtiari, estrategista da empresa FortySix, para o World Economic Forum. Para lê-lo na íntegra em inglês, clique aqui.

Todos os dias, nós geramos 2,5 quintilhões de bytes de dados. Organizados e analisados corretamente, essas informações tem o poder de criar um melhor futuro a todos. Big Data pode detectar com precisão terremotos, enchentes e escassez de comida, antes de alocar recursos onde eles são mais necessários. Dados abertos tem o potencial de aprimorar acesso à educação, saúde e serviços financeiros.

Apesar dessa promessa, os conjuntos de dados são produtos de design humano. O reflexo das falhas, preferências e experiências de seus imperfeitos criadores. Praticamente todos os dados são definidos, interpretados e manipulados por humanos que frequentemente realizam decisões valiosas sobre o que incluir. Assim sendo, entender os elementos excluídos dos conjuntos de dados é tão importante quanto o dado em si.

Como humanos, nós sofremos do conhecido viés de confirmação: a tendência de buscar ou interpretar informações em modo de reforçar nossas crenças existentes, enquanto ignoramos qualquer evidência contraditória a isso. Um bom exemplo é a eleição presidencial americana de 2016, quando a maioria das pesquisas falharam em prever a vitória de Donald Trump. Em um dia de eleição, Trump foi dado 15% de chance de vencer baseado em dados. Porém, os especialistas negligenciaram muitos dos seguintes: imprecisão dos modelos de participação, super-representação de graduados nas pesquisas, o impacto de grupos de difícil acesso e a honestidade dos eleitores com um completo estranho. Tais omissões nunca serão prevenidas por se ter acesso a mais dados, mas sim pela ruptura de bolhas e filtros que nos enganam e levam a acreditar que todos pensam e agem como nós.

Ao mesmo tempo, mais dados têm sido criados nos últimos dois anos em comparação aos prévios 5 mil anos de história humana. Esse fluxo acelerado de novas informações está aumentando nossa dependência na disponibilidade heurística: a tendência de fazer decisões baseadas nas informações mais recentes disponíveis. A maioria dos governos, economistas e jornalistas falharam na previsão da crise financeira de 2007/2008; já que os modelos predominantes de matemática não sugeriram uma desaceleração. Se apenas eles tivessem se focado menos nos últimos dados e mais na natureza cíclica do mercado financeiro.

Igualmente, existem muitos mais dados em um certo tipo de indivíduos, grupos e países do que outros. Isso tem causado divisão de dados, particularmente entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Se eu fosse me basear em somente dados, eles me diriam que minha família nas montanhas Zagros não são reais. Simplesmente, porque eles não têm acesso à internet e nunca preencheram uma pesquisas em suas vidas. A sub-representação de idiomas, culturas e geografias nos conjuntos de dados criam narrativas enviesadas e distorcem contatos de realidade.

Tornando as coisas piores, o passado é normalmente uma terrível indicação do futuro. Há muito pouco mérito em utilizar sistemas existentes, os quais são dependentes de variantes conhecidas, constância e lógica de criar informação onde pode haver nada. Nós vivemos em um mundo aleatório repleto de incertezas, variáveis e coincidências; sob tais circunstâncias, dado só podem nos levar tão longe.

Dados apenas medem o mensurável. E as coisas que não podem ser medidas? Valores binários de 0 e 1 não podem capturar as complexas e frequentes irracionalidades do ser humano. Podemos nós quantificar de forma confiável coisas como amor, generosidade ou alegria? Como o sociólogo William Bruce Cameron declarou:

“Nem tudo que pode ser contado conta, e nem tudo que conta pode ser contado”.

A obsessão com métricas tem culminado no viés de quantificação: uma reverência de números acima de tudo. Mesmo que o dado seja 100% preciso, ele pode apenas nós dizer o que está acontecendo; não o porquê. Sem uma camada humana de compreensão, os dados são vazios de contexto de nuances. Números apenas fazem sentido uma vez que nós tenhamos descoberto as emoções humanas subjacentes, os comportamentos e as motivações.

No papel, o dado promete criar uma sociedade mais informada, conectada e inclusiva. Todavia, como destacado anteriormente, nossos sistemas de pensamento são frágeis e suscetíveis a vieses. Nós tendemos a pensar sobre dados como uma verdade objetiva, independente de influência humana. Na realidade, eles são a continuação das nossas ideologias humanas em algoritmos. Ao entramos na quarta revolução industrial, com a proliferação de informações e o crescimento exponencial de Inteligências Artificiais, nós temos a oportunidade de projetar uma sociedade mais igualitária, desde que a tecnologia reforce o pensamento humano.

Dados “para o bem” requerem discursos renovados, novos pensamentos e um novo contrato social para refletir os avanços radicais em tecnologia. Acima de tudo, os dados precisam refletir e representar os diversos olhares e necessidades de todas as 7.6 bilhões de pessoas que residem em nosso planeta. Ultimamente, o futuro da civilização humana poderá depender se o acesso à informação for concentrado entre poucos ou aberto a todos. Dados não são a resposta; são meramente uma ferramenta que empodera humanos a descobrir novas questões e criar novas possibilidade.

Big Data: impulsão econômica ou força para o bem social?

Texto escrito por José María Álvarez-Pallete para o World Economic Forum. Para lê-lo na íntegra em inglês, clique aqui.

Big Data e, mais recentemente, inteligência artificial tem se tornado algumas das favoritas palavras de salas de reuniões no mundo, nos últimos três anos. Todo CEO sente algum nível de animação nervosa sobre a imensa oportunidade do Big Data, com a International Data Corporation prevendo rendimentos que sobem de $122 bilhões de dólares ano passado para mais de $187 bilhões de dólares em 2019. Prognósticos do Forrester Research apontam que o mercado de tecnologia de Big Data crescerá três vezes mais rápido que o mercado do TI no geral.

Todo esse barulho sobre se tornar orientados por dados tem nos levado a fazer mais investimentos significativos na tecnologia de Big Data, convencidos que cientistas de dados e suas análises avançadas nos darão respostas e irão remodelar nossos negócios como nós os conhecíamos. Mas, como nós deveríamos medir nosso sucesso quando se trata de Big Data? Para mim, assim como os fatores econômicos, igualmente, como uma multinacional do setor privado, nós queremos ter certeza que estamos indo acima e além para aplicar as capacidades que nós desenvolvemos em Big Data para o bem social.

Quando eu penso em Big Data nas telecomunicações, eu penso sobre 350 milhões de consumidores que servimos mundialmente e nos 23 milhões de eventos móveis que eles criam todos os dias em 21 países. Quando penso sobre o bem social, eu penso sobre o comprometimento que todos fizemos com os objetivos de desenvolvimento sustentável estipulados pelas Nações Unidas para 2030, os quais representam 169 metas e 241 indicadores propostos. Criar um relacionamento entre nosso Big Data e o trabalho mundial pelo bem social é fundamental, especialmente quando 80% dos 6 bilhões de telefones móveis no mundo estão em países em desenvolvimento, nos quais nós podemos ter grande impacto.

Para maximizar esse impacto, eu acredito fortemente que temos que ir muito além dos nosso dados. Para medir precisamente nosso progresso nos objetivos de desenvolvimento sustentável, precisamos nos focar no objetivo 17, o qual é sobre trabalhar em parceria para atingir as metas.

Colaboração entre os setores públicos e privados são cruciais para avançar uma iniciativa global de dados abertos. Isso significa unir dados dos setores de serviços financeiros, dos provedores de serviços públicos, varejistas e ferramentas de busca, entre outros, para investigar como a combinação de múltiplas fontes de dados podem fornecer possíveis insights (ideias) para ativistas políticos e ONGs.

Como um exemplos disso, ligado aos objetivos de saúde e bem estar, nosso time carregou uma pesquisa em nossos dados no México durante o surto da gripe H1N1. A mobilidade humana diretamente acelera a propagação da doença, então, utilizando Smart Steps, uma tecnologia de dados de telefones móveis, nós investigamos padrões de mobilidade antes e depois do aviso do governo para que os cidadãos ficassem em casa. Isso mostrou que apenas 30% das pessoas realmente permaneceu em casa, enquanto 70% mal mostrou qualquer mudança em seu comportamento diário. Ao longo do tempo, essa abordagem baseada em dados em resposta à epidemia irá inevitavelmente ajudar-nos a controlar tais desafios de saúde global.

Igualmente, dados dos setores de serviço financeiro também podem nós ajudar a alcançar os objetivos ligados à mudança climática. Em setembro de 2016, a BBVA (banco espanhol) utilizou os dados de seus pagamentos de vendas e as retiradas de dinheiro em caixas eletrônicos para medir a resiliência econômica das pessoas a desastres naturais durante o furacão Odile, um dos mais destrutivos no México em quase 25 anos. Claro, combater a mudança climática requer mudanças no modo como nos comportamos, mas projetos de Big Data como esse são fundamentais para garantir que os que duvidam dos problemas climáticos comecem a levar isso a sério.

Fazer do Big Data para o bem social um sucesso tem seus desafios. Os diretores de escritórios de dados estão inevitavelmente preocupados com privacidade e segurança. Implicações legais variam em cada país, significando que processos de anonimização e agregação precisam ser adaptados e excepcionalmente robustos. Da mesma forma, os chefes dos escritórios de comunicação estão preocupados sobre o que utilizar dados do consumidor faz para a reputação da organização – mesmo se tem um resultado esmagadoramente positivo à sociedade.

Contudo, se quisermos fazer do Big Data o sucesso que todo mundo projeta para ser, então devemos garantir que iremos superar esses desafios e que vamos começar a medir seu sucesso, não apenas em seu potencial comercial, mas também em sua habilidade de trazer valor à sociedade. Se conseguirmos encontrar um modo consistente para ONGs e setores privados e públicos trabalharem juntos, então nós veremos Big Data como uma tendência de cunho diferenciado: não apenas como geradora de dinheiro, mas como transformadora social.

Para saber ainda mais sobre o assunto, leia nosso textos da série especial sobre a Era dos Dados:

Seja bem-vindo à era dos dados!

Entenda o que significa isso para o seu negócio.

Seja parte da Transformação Digital

Big Data: a revolução dos dados

Marketing + Big Data: uma relação promissora

Data Science: o conhecimento que a sua empresa precisa

Conteúdos do TED para se inspirar e refletir sobre a era dos dados

O jornalismo e a produção de conteúdo na era dos dados

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