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clubinho da inspiração #7: leituras que abrem janelas

Bem-vindos ao Clubinho da Inspiração!

De tempos em tempos, reuniremos aqui algumas das principais indicações de conteúdos que devem justamente inspirar: reflexão, criatividade, sabedoria, emoção e críticas. 

Desta vez, nosso clubinho voltou ao formato diferente - que já havíamos utilizado no award season: sorteamos algumas das principais categorias da literatura para homenagear aquele que é tão amado e que transformou tantas vidas, o livro. Assim, cada participante ficou responsável por escolher um livro dentro de categoria sorteada.

Todo mês, cada participante indica um conteúdo de forma secreta. As indicações são sorteadas entre o grande grupo (tipo amigo secreto). Cada um fica responsável de consumir o conteúdo que sortear dentro do prazo combinado. 

No dia da reunião do clubinho, além de muita comilança, todos apresentam seus conteúdos, com o objetivo de uma reflexão coletiva e, claro, para tentarmos adivinhar quem o indicou em primeiro lugar. 

1 – Seja criativo;

2- Qualquer produção vale como indicação (não se prenda apenas ao óbvio);

3- Produções que incentivem preconceitos e cultura de ódio estão VETADAS;

4- Tente diversificar e apresentar produções de pouco reconhecimento ou desenvolvidas por minorias sociais;

5- Seja crítico com aquilo que consome (nada de passar pano);

6- No dia da reunião, sempre que possível, traga ceva, comes e boa conversa consigo;

7- Engaje nas conversas dos outros conteúdos que não foram indicados ou sorteados por ti;

8- Venha de mente aberta, sempre!

No momento, os integrantes do clubinho fazem parte da equipe da agência, mas quem sabe, no futuro, você também possa fazer parte. Caso tenha interesse, estamos de portas abertas (nos contate!). 

Agora, as feras indicadoras:

Júlio #boss, Amanda #jornalista (social media e redatora), Daiane #designer (head de criação), Joel #criação e Alan #comercial (ainda criaremos apelidos mais criativos). 

Percebemos que, no mundo de hoje, podemos aprender em espaços que vão muito além de cursos e conteúdos educacionais. 

Ainda mais na era de produção de conteúdo, na qual podemos encontrar e explorar algo interessante e criativo, em grandíssima quantidade, nos mais diversos formatos. 

Pensando nisso, e mergulhados no sentimento de que muitas vezes ficamos perdidos com a quantidade enorme de opções de consumo (todos sabemos o que é demorar horas para escolher algo na Netflix), resolvemos criar uma forma de “trocar” conteúdos. 

Assim, o objetivo é guiar um ao outro em meio à imensidão de produções. Além de aumentar o repertório (algo muito importante quando se trabalha com criatividade) e gerar reflexões mais profundas sobre assuntos que muitas vezes ignoramos.  

CLÁSSICOS DA LITERATURA

A Insustentável Leveza do Ser

Milan Kundera
1984 | 393 PÁGINAS

SOBRE

Na hora de escolher um dos clássicos que já havia lido, nossa jornalista estava em dúvida entre duas obras. Um delas era o clássico da literatura brasileira: Dom Casmurro. Mas dado a relevância popular da história, conhecida por quase todos, ela preferiu optar por uma obra menos conhecida, um clássico da literatura moderna com um quê de cult

Assim, o escolhido foi a Insustentável Leveza do Ser, uma obra de 1984 escrita pelo checo-francês Milan Kunzera. Na vida de Amanda, ele foi um livro velho de páginas amarelas que levou quase dois anos para ser lido (entre idas e voltas). Isso porque, como para muitos, sua leitura densa, escrita crua e reflexões filosóficas fizeram parte de uma batalha complexa para se entender e digerir fatos profundos da vida, justamente por que esse é o cerne de sua narrativa: as questões íntimas e universais da existência humana. 

Ao longo das 393 páginas, acompanhamos a vida de quatro personagens reais, passíveis de falhas e comportamentos irritavelmente humanos. Conhecemos Fraz, um homem que está prestes a tomar a decisão entre manter uma vida de relacionamentos casuais ou se apegar a uma única mulher. Essa mulher é Tereza, uma jovem garçonete que busca algo a qual se comprometer para, dessa forma, dar sentido a sua vida. Já a artista visual Sabina é o oposto, ao fugir constantemente de comprometimentos amorosos e da seriedade da política local. Enquanto isso, um de seus parceiros, Fraz, se vê encantado pela força magnetizadora do movimento político, além de sofrer em um relacionamento infeliz por medo e insegurança. 

As dualidades entre cada personagem surgem para abordar as duas facetas da vida: o PESO e a LEVEZA. Enquanto muitos veem o peso somente como algo negativo, Kundera se baseia em Nietzsche para apresentar o peso como algo que confere significado às nossas vidas, daí surge o “insustentável leveza”. Em espelho a isso, entre os outros temas abordados, há as questões de desejo e medo, que estão correlacionadas, e a angústia das escolhas da vida. Essa última se refere ao fato de termos a liberdade de escolha, mas só podermos viver uma vez – o que não seria suficiente para testarmos nossas escolhas, criando um hábito de nos repetirmos ao longo de nossas experiências. 

Com cenário durante as décadas de 1960 e 1980 na antiga Checoslováquia (hoje República Tcheca e Eslováquia), o livro também aborda e coloca como pano de fundo questões políticas e sócio-geográficas enfrentadas pelos países que formavam a URSS e eram regidos por partidos comunistas. Essa característica parte das vivências pessoais do escritor, que, dentre muitas obras, fez desta seu maior marco na literatura mundial – um must read (deve-se ler).

livro de ficção

Sherlock Holmes

Arthur Conan Doyle
1887 - 1927

SOBRE

Ora, ora, temos um xeroque rolmes aqui!

Seja por meio dos livros, dos filmes, das séries ou até do popular meme, de alguma forma você já ouviu falar desse grande personagem da literatura. O famoso investigador britânico tornou-se um marco do romance policial e foi incluído rapidamente à cultura pop mundial, o que o transformou em uma porta de entrada aos livros de ficção, principalmente durante a adolescência. 

Esse é exatamente o caso do Júlio, que não é um grande leitor de ficção – os temas de negócio e marketing ganham mais sua atenção – mas que ainda hoje lembra do deslumbramento juvenil que tinha ao quase devorar os vários livros que compõem a grande série de aventuras vividas por Sherlock Holmes. 

Reconhecido por sua personalidade marcante, seu cachimbo e seu trabalho surpreendente como detetive, esse personagem extremamente britânico, criado por Sir Arthur Conan Doyle, investiga mistérios e crimes passados na sociedade inglesa do fim do século XIX e início do século XX, com ajuda de seu amigo Dr. Watson. O uso do método científico combinado com a lógica dedutiva, tornaram seu perfil e suas narrativas em um grande sucesso, além de ser uma base para os futuros detetives e investigadores do mundo dos livros, dos filmes e até dos video-games.

O personagem é tão popular e adorado que muitos acreditam que tenha realmente existido ou seja fielmente inspirado em algum investigador da época. Quanto a isso, não se possui nenhuma prova concreta, mas é inegável a influência das épocas vitorianas e eduardianas na concepção do personagem, assim como é fato sua importância e a presença de suas características em muitos dos personagens que viriam a seguir. 

Para aqueles que quiserem acompanhar suas diversas aventuras, existem quatro livros – lançados entre 1887 e 1915 – e cinco coletâneas de contos – lançadas entre 1892 e 1927. O personagem também aparece como referência em outras escritas literárias e é famoso dentre os livros investigativos infanto-juvenis. 

livro de não-ficção

O mito da caverna

platão
1887 - 1927

SOBRE

Enquanto a ficção foi um baque para o Júlio, a não-ficção foi uma surpresa para o Joel, dado sua preferências por leituras repleta de aventuras e fantasias. Mesmo assim, ele fez o exercício, trocou a ação pela reflexão, e resgatou algo novo em sua gama de livros. Lá ele encontrou o livro perfeito para representar seus próprios atos: o mito da caverna.

Conhecido também como alegoria da caverna, essa metáfora é apresentada pelo filósofo grego Platão, e consta também em seu livro A República. Você já deve ter ouvido falar ou estudado sobre isso durante o Ensino Médio, assim como o Joel, mas deve ter apenas lembranças superficiais sobre toda a história. Se esse for o seu caso, permita-se ler novamente essa obra com novos olhos, tenho certeza que você conseguirá se identificar com as questões apresentadas. 

Isso porque a parábola trabalha justamente com a ideia de ponto de vista, alienação, libertação da mente, ao colocar o senso comum versus o senso crítico. Ou seja, por meio de uma história metafórica, destaca-se a importância do permitir-se ver e entender o mundo por completo, sem se apoiar somente na ideia apresentada por um terceiro, mas sim utilizando a razão. 

Esses temas são representados ao longo de um diálogo entre Glauco e Sócrates. Nessa conversa, eles nos narram sobre um grupo de pessoas que vivem dentro de uma caverna, acorrentadas e impedidas de sair, com seus corpos voltados eternamente para parede desta caverna. Ali, a única visão de mundo que eles possuíam, eram das sombras causadas por uma fogueira na parede da caverna. Logo, eles entendiam essas sombras como a única verdade de suas existências. 

Tudo isso muda no dia que um dos prisioneiros consegue fugir e, mesmo após ser ofuscado pela luz externa, descobre um novo mundo, ao qual explora com curiosidade e admiração. Não tarda para que ele retorne à caverna e narre suas descobertas para o restante do grupo com animação. Infelizmente, nenhum deles acredita na experiência compartilhada e preferem manter-se firmes a acreditar apenas naquilo que visualizam na parede. Logo, interpretam o prisioneiro que se libertou como louco e, para evitar que suas ideias atraíssem outras pessoas, acabam matando-o. 

Como se poder ver, o ato de se aprisionar à escuridão ou se libertar com a luz da verdade são reflexões atemporais, que permeiam e geram significado ainda hoje, mesmo após tanto tempo e com tantas mudanças no comportamento social.

livro nacional

Holocausto Brasileiro

Daniela Arbex
2013 | 256 páginas

SOBRE

Se eu lhe perguntasse se já houve um holocausto no Brasil, você saberia responder com certeza?

Imagino que, como para a maioria dos brasileiros, você não saiba a resposta ou acredite que ela seja negativa, até porque holocausto só lhe faz lembrar da Segunda Guerra Mundial. Acontece que a história nacional possui lacunas em branco, da qual não temos conhecimentos ou acesso à informação, e é em uma dessas lacunas que está a história exposta no livro escolhido pela Gabi.

Em seu primeiro clubinho como participante, nossa RP já trouxe consigo uma grande indicação. O livro lançado em 2013, escrito pela jornalista Daniela Arbex, logo que lançado já foi considerado uma das principais obras do jornalismo literário brasileiro – gênero responsável por contar histórias reais com princípios do jornalismo e ferramentas da literatura.  

Cumprindo seu papel profissional de dar voz aqueles que não possuem espaço, a autora retrata ao longo de 255 páginas – com base em muito tempo de pesquisa – os maus-tratos realizados no Hospital Colônia de Barbacena, complexo psiquiátrico administrado pela FHEMIG, entre os anos de 1903 e 1980. 

Com um total assustador de 60 mil mortes, o local foi responsável pelo genocídio de brasileiros considerados inaptos à conviver em sociedade ou “normalidade”. Assim como nos campos de concentração nazista, trens cheios de pessoas eram enviados ao hospital em prol de tratar e afastar aqueles que não se encaixavam nos padrões normativos da sociedade. Essa classificação abrangia um grupo tão amplo que os pacientes iam desde indivíduos com problemas mentais a pessoas com deficiência, homossexuais, profissionais do sexo e outros, de todas as idades imagináveis. Ao fim de suas vidas, os corpos ainda eram vendidos a Universidades para o estudo de anatomia, negócio nefasto que deu o lucro de 600 mil reais ao espaço. 

Com base em entrevistas de ex-funcionários e ex-internos, a leitura apresenta esse período abominável e desconhecido por grande parte da população, mas que merece ser lembrado em prol de uma reflexão não somente do passado, mas também do presente. Para aqueles que quiserem seguir o trabalho da autora, outra grande obra de conteúdo revelador sobre a história brasileira é o livro Cova 312, sobre a história de um jovem morto durante a ditadura militar.

livro best-seller

Sapiens - Uma breve história da humanidade

Yuval Noah Harari
2011 | 443 páginas

SOBRE

O termo de livro best-seller pode ser algo bem polêmico, já que nem tudo que vende e faz sucesso é necessariamente de qualidade ou positivo. Mesmo assim, existem aqueles que se destacam justamente por serem obras únicas em conteúdo e primazia, e dentre elas está a escolha do Alan. 

Para quem tem o hábito da leitura ou simplesmente acompanha as redes sociais, é bem difícil não ter visto ou ouvido falar sobre Sapiens, geralmente seguido de comentários super positivos e aquela recomendação de leitura obrigatória. Exato, o livro está em tudo que é lugar, em todas as entradas de livrarias, nas estantes de grandes empresários e pensadores reconhecidos, traduzido em mais de 30 idiomas e nas listas de mais lidos ao redor do mundo. 

O mais incrível disso tudo, é que sua ascensão à popularidade e prestígio se baseia quase que inteiramente em seu conteúdo de qualidade. Vamos pegar o exemplo do Brasil: aqui o livro foi distribuído pela editora L&PM, de Porto Alegre, “sem marketing” (segundo entrevista dada à Veja) ou grande alcance de público. Ou seja, de forma orgânica e no famoso boca-a-boca, o livro acabou tendo um grande reconhecimento. Algo que surpreendeu os editores e demonstrou um novo comportamento de leitura, pois, mesmo sendo um livro extenso e de temática densa, ele acabou conquistando uma legião de fãs 

Uma das teorias para esse sucesso é a precisão da pesquisa e das informações fornecida ao longo da leitura, assim como a forma que elas são narradas ao leitor. Ao apresentar um histórico da vida humana, Harari sacia as maiores dúvidas que permeiam a nossa sociedade, tudo isso de forma completa, unificada e de fácil entendimento. Como fala o editor Ivan Pinheiro Machado, as pessoas se sentem saciadas de conhecimento. 

Dividido em quatro capítulos, ou momentos importantes da evolução humana, o livro acompanha a história da humanidade desde a idade da pedra até o século XXI. Ao relatar os acontecimentos e fatores que cooperaram para sobrevivência e avanço do homo sapiens, o escritor reflete e apresenta suas teorias sobre o comportamento humano. 

A principal delas se refere a dois fatores: a cooperatividade e a crença. Assim, o ser humano teria evoluído com sucesso devido ao seu comportamento cooperativo e à habilidade de acreditar em fatores abstratos – como divindades – e no valor significativo – como no caso do dinheiro. Junto a isso estão muitas das curiosidades sobre a história humana, que valem ser acompanhadas por inteiro no livro. Sem dúvida alguma, você sairá desta leitura com, pelo menos, um novo conhecimento adquirido, além de uma forma bem diferente de enxergar a humanidade.

livro com um personagem marcante

Madonna - 60 anos

Lucy O'Brien
2018 | 536 páginas

SOBRE

Os livros estão recheados de personagens icônicos e marcantes, mas se engana quem pensa que eles se encontram somente nas narrativas de ficção. Muito pelo contrário, os livros de biografia são uma prova viva disso. Ninguém melhor para afirmar isso do que nossa designer gráfica fã de biografias, que recebeu de presente de amigo secreto (do boss) um super livro da Madonna. 

Como que do destino, ela aproveitou a leitura com a qual foi presenteada para nos apresentar a história de vida da mulher versátil, batalhadora e revolucionária que chamados popularmente de Rainha do Pop. Muito além de abordar a carreira musical, o livro traz a origem da cantora e os principais acontecimentos da sua vida antes da fama, interligando-os à sua obra.

Uma dentre seis filhos, Madonna nasceu no estado de Michigan, nos Estados Unidos da América. Sua infância foi marcada pela repentina morte de sua mãe, devido ao câncer, pela religião estrita seguida pela família, e pelo relacionamento conturbado com o pai. Uma forma de fugir de tudo isso refletia-se em sua personalidade rebelde, sempre em busca de novas barreiras a se quebrar e temas polêmicos para se abordar, algo presente em seu estilo de se vestir, se portar e se comportar – características que ela levaria consigo em todas suas carreira de artista. 

O amor pelo artístico nasceu com a dança, na qual ela se dedicava com exaustão. Isso a garantiu uma bolsa de estudos que a levou a Detroit – uma cidade bem maior e com experiências bem mais duras, que moldaram sua visão de mundo. Dentre os estudos, a dança, os bicos em boates gays e uma luta constante pela sobrevivência, ela vivenciou aquilo que marca negativamente a vida de muitas mulheres: o abuso sexual. Isso e sua batalha para ter reconhecimento profissional em um mundo machista, fizeram dela uma grande feminista, tema que permeia também muitas de suas músicas.   

Suas aventuras com a música vieram justamente por seu estilo chamar a atenção de muitas pessoas. O que começou com o posto de baterista ou guitarrista de algumas bandas à convite, virou futuramente a realização de um sonho: seu espaço no holofote. Com seu estilo próprio, sua coragem de abordar temas polêmicos e importantes, sua facilidade para se inovar, e suas músicas que embalaram a vida de muitos, ela é um dos personagens mais marcantes da cultura pop – digna de livro.

Agora, qual indicação você mais gostou? Se eu fosse você, colocava todas elas na sua lista de próximas leituras, hein.

Curioso para o próximo Clubinho? Fique de olho, pois no próximo mês mais inspirações virão por aí. Por enquanto, fique com outros conteúdos que já foram indicados em outros clubinhos:

Prestigie conteúdos produzidos por mulheres!

Confira mais em nosso clubinho #6: feito por elas

Mais conteúdos para quem quer expandir seus conhecimentos!

Quer ler mais livros? Tem livros para doar?

Conheça a Janela do Conhecimento, nossa biblioteca comunitária.

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