Como fazer Outbound Marketing além do tradicional

Quer investir em marketing para sua empresa mas está perdido em meio a todos esses termos em inglês? É normal não entender muitos dos jargões, mesmo os básicos, do mundo do marketing, levando-se em consideração não somente a complexidade da área, mas o fato de muitos de seus conceitos serem de origem estrangeira, por isso, não possuírem uma nomenclatura em português.

Mas, estamos aqui para ajudá-lo a descomplicar essa visão. Pronto para conhecer mais? Venha descobrir o real significado dos principais termos do marketing em nossa nova série especial: #MktDescomplica

Desta vez, é finalmente hora de entender o que significa outbound marketing, qual a sua conexão com o mercado tradicional e se ele está ultrapassado ou não:

Assim como o restante do mercado, o marketing evoluiu ao longo dos anos e aprendeu a explorar novas possibilidades com a tecnologia e o mundo digital, desenvolvendo diferentes linguagens, estratégias e metas. Mesmo assim, a variedade não exclui alguns dos formatos mais tradicionais, ainda popularmente utilizados e presentes na vida dos consumidores. 

Nessa lógica de novas e antigas estratégias, quando se trata de práticas de prospecção (processo pré-venda), encontramos os opostos: outbound e inbound. Enquanto o inbound visa prospecções passivas e vínculos mais profundos, por meio de mecanismos de comunicação e atração de possíveis clientes (por exemplo, o marketing de conteúdo), o outbound nasceu na era da busca por quantidade e aposta em prospecções ativas.

Ou seja, o marketing outbound é uma das formas mais clássicas de se buscar novos clientes com a meta de aumentar a receita do empreendimento. Dessa forma, ele acaba utilizando mais frequentemente mídias tradicionais, como publicidades em TVs, rádios jornais e revistas, além de outdoors, flyers, mala direta e telemarketing ativo. 

Todavia, isso não quer dizer que ele não tenha se adaptado aos comportamentos modernos do público, muito pelo contrário. Depois da ameaça de ser abandonado e substituído pelo inbound marketing (devido ao seu custo-benefício e suas estratégias ultrapassadas), o outbound renasceu com novas práticas e formatos (versão 2.0). 

Atualmente, seu conceito é voltado a processos de vendas mais complexos e se divide em três pilares: identificar o perfil de possíveis clientes, abordá-los de forma direta a partir de meios de comunicação e ações, possuir profissionais especialistas dedicados a cada etapa do processo pré-venda. Igualmente, ele já pode ser encontrado em plataformas digitais, por meio de pop-ups, banners, anúncios patrocinados de redes sociais e publicidades em meio a vídeos. Vendo por esse lado, já percebe-se que o outbound é mais presente em nossas vidas do que imaginamos.

Jornada pré-venda  

Parte importante da modernização do outbound marketing se encontra na construção de um processo pré-venda mais segmentado e efetivo. O método, desenvolvido inicialmente pelo engenheiro Aaron Ross, altera a noção prévia de que apenas um vendedor deve acompanhar o cliente em toda sua jornada de compra. Ao invés de sobrecarregar um profissional, busca-se entender o perfil e as forças do vendedor para então direcioná-lo a uma parte específica da experiência de venda. O objetivo é que a experiência engaje mais profundamente, tanto o vendedor quanto o cliente, e seja personalizada de acordo com as dores do negócio.

Conheça abaixo a nova proposta do ciclo de vendas, voltada principalmente a negócios B2B (de comércio para comércio), conforme os especialistas responsáveis por cada momento de contato com o possível cliente (lead): 

Business Intelligence

especialistas em analisar o mercado, ter insights, criar soluções para a empresa e indicar seus possíveis clientes.

SDR

responsáveis por qualificar o cliente, realizar o diagnóstico, mapear informações, iniciar a conexão e agendar possíveis contatos futuros.

Hunters

responsáveis pela prospecção de novos clientes, eles fazem o primeiro contato e conduzem todo o processo de qualificação.

Closers

responsáveis apenas pelo fechamento de compras, eles pegam os contatos qualificados e os transformam em clientes.

Farmer

responsáveis por cultivar e desenvolver o relacionamento pós-venda, objetivando novas oportunidades e futuras vendas.

Fonte: Clint Hub

Benefícios do Outbound  

Com novas perspectivas, o Outbound se tornou uma estratégia com rápida eficiência e diversos benefícios. Primeiro, ele alcança resultados mais rapidamente que o inbound (que é mais voltado a resultados de médio e longo prazo). Da mesma forma, isso gera um prazo mais curto de confirmação das projeções de público-alvo e estratégia, seja de forma positiva ou negativa, fazendo com que a marca amadureça mais cedo.

Ao longo do processo, os contatos são mais afirmativos e é mais fácil mensurá-los, com maior acesso aos dados, possibilitando uma análise mais certeira dos sucessos e falhas no processo de vendas e conversão. 

Quando se trata de mercado, é mais fácil encontrar profissionais especializados para o desenvolvimento de cada segmento do outbound, principalmente com a estratégia se expandindo e sendo cada vez mais aperfeiçoada.    

Mas é preciso ter noção que esse formato é indicado a tipos específicos de serviço e negócio, por isso, nem sempre será a solução para todos. Geralmente, o negócio é B2B, de maior porte/renda e com processos de vendas mais complexos. Outro ponto importante de se ressaltar é que, como empresa, não é necessário optar apenas por um opção – inbound ou outbound; ambas estratégias podem ser combinadas, trabalhando juntas e alinhadas.

Tendências do Outbound  

Com a revolução do outbound marketing, sua prática vem sendo aprimorada conforme as novas necessidades do mercado e os novos comportamentos do consumidor. Entre as tendências atuais, destacam-se aspectos que adquirem maior qualidade ao nível tático e estratégico

Visto isso, cada vez mais é necessário o enriquecimento de dados sobre os possíveis clientes, segmentando-os e direcionando-os conforme suas dores. Para isso, indica-se a personalização da comunicação, que deve ser omnichannel (realizada em diversos canais). No âmbito na mensuração, a organização e o controle são a chave, focando-se na análise de performance, nos indicadores de processo e nos feedbacks de ligação. Por fim, a aprendizagem contínua é essencial para que os vendedores estejam engajados e focados no processo de outbound.

Resumão para revisar:

Fonte: Reev & OTB
Clubinho da Inspiração #2: a era do audiovisual

Bem-vindos ao Clubinho da Inspiração!

Mensalmente, reuniremos algumas das principais indicações de conteúdos que devem justamente inspirar: reflexão, criatividade, sabedoria, emoção e críticas. 

Para o mês de julho, realizamos mais uma edição com indicações livres. Ironicamente, todos os conteúdos indicados são produções audiovisuais, o que só evidência o poder do audiovisual na sociedade atual.
Além disso, são dicas perfeitas para curtir o friozinho do inverno debaixo das cobertas enquanto se maratona diversas produções inspiradoras.  

Todo mês, cada participante indica um conteúdo de forma secreta. As indicações são sorteadas entre o grande grupo (tipo amigo secreto). Cada um fica responsável de consumir o conteúdo que sortear dentro do prazo combinado. 

No dia da reunião do clubinho, além de muita comilança, todos apresentam seus conteúdos, com o objetivo de uma reflexão coletiva e, claro, para tentarmos adivinhar quem o indicou em primeiro lugar. 

1 – Seja criativo;

2- Qualquer produção vale como indicação (não se prenda apenas ao óbvio);

3- Produções que incentivem preconceitos e cultura de ódio estão VETADAS;

4- Tente diversificar e apresentar produções de pouco reconhecimento ou desenvolvidas por minorias sociais;

5- Seja crítico com aquilo que consome (nada de passar pano);

6- No dia da reunião, sempre que possível, traga ceva, comes e boa conversa consigo;

7- Engaje nas conversas dos outros conteúdos que não foram indicados ou sorteados por ti;

8- Venha de mente aberta, sempre!

No momento, os integrantes do clubinho fazem parte da equipe da agência, mas quem sabe, no futuro, você também possa fazer parte. Caso tenha interesse, estamos de portas abertas (nos contate!). 

Agora, as feras indicadoras:

Júlio #boss, Amanda #jornalista (social media e redatora), Daiane #designer (head de criação), Joel #criação e Alan #comercial (ainda criaremos apelidos mais criativos). 

Percebemos que, no mundo de hoje, podemos aprender em espaços que vão muito além de cursos e conteúdos educacionais. 

Ainda mais na era de produção de conteúdo, na qual podemos encontrar e explorar algo interessante e criativo, em grandíssima quantidade, nos mais diversos formatos. 

Pensando nisso, e mergulhados no sentimento de que muitas vezes ficamos perdidos com a quantidade enorme de opções de consumo (todos sabemos o que é demorar horas para escolher algo na Netflix), resolvemos criar uma forma de “trocar” conteúdos. 

Assim, o objetivo é guiar um ao outro em meio à imensidão de produções. Além de aumentar o repertório (algo muito importante quando se trabalha com criatividade) e gerar reflexões mais profundas sobre assuntos que muitas vezes ignoramos.  

vídeo + empreendimento

Canal dobra

plataforma: youtube
45 vídeos no total

SOBRE

Uma empresa que simplesmente vende carteiras ou algo a mais? A proposta da Dobra vai muito além de consumo e renda, mas sim, envolve conceitos de impacto positivo, economia colaborativa e setor privado como vetor de mudança. 

Assim, a empresa responsável por aquelas carteiras “de papel”, existente desde 2016, construiu suas estratégias de marketing entorno de ideias como o marketing de causa + marketing humanizado. Não é para menos que alguns de seus lemas são: “fazer local para inspirar global” e “impacto positivo is the new lucro”. 

Seguindo esta linha, eles investiram na mídia audiovisual – a mais consumida atualmente – e iniciaram uma produção contínua de vídeos para o YouTube. O trabalho é realizada em parceria com a produtora WE MÍDIA (também parceria da agência). 

Dentre as linhas de conteúdos estão os tradicionais FAQs (para tirar as dúvidas do pessoal), os vídeos de apresentação dos produtos e, claro, os vlogs (responsáveis por dar cara à marca, apresentando a vida daqueles que estão pro trás do empreendimento).

Com base em uma linguagem mais espontânea e jovem, os vídeos são realizados com a participação do pessoal que trabalha na Dobra. Assim, esse veículo entra em sintonia com a proposta das outras mídias da marca: são aberturas para que os clientes sintam-se mais próximos da empresa, quebrando a ideia de lucro como base, mas sim, investindo em mais humanidade como finalidade.

Além disso, dois pontos são chave para um conteúdo final dinâmico: humor e edição. A super produção não está no cenário ou em efeitos especiais, mas sim em uma comunicação mais natural e na edição final bem trabalhada.   

série-documentário

Tales by Light

plataforma: netflix
2015 | 3 temporadas

SOBRE

A fotografia é muito mais que capturar um momento, sua essência é contar histórias.

Com isso em mente, a série Tales by Light (contos pela luz) apresenta o que há por trás do trabalho de um fotógrafo que tem como objetivo explorar as histórias diversas que o mundo tem a nos contar. Cada episódio acompanha as aventuras de um profissional diferente, todos eles engajados em retratar as áreas mais remotas ou esquecidas da humanidade e natureza. 

Com uma estética baseada nas produções da National Geographic, os episódios além de belíssimos atraem pela profundidade de conteúdo. De um lado temos reflexões sobre a vida humana e nossa relação com a natureza, por outro, encontramos aspectos mais técnicos da própria fotografia. 

Quando se trata deste último aspecto, somos levados a entender o impacto que uma foto possuí, além de encarar questões éticas, teóricas e até inspirações sobre a produção fotográfica. 

Dessa forma, a série nos oferece uma experiência única de ver os mais diversos cantos do mundo e culturas exóticas por uma lente única: o trabalho de um fotógrafo.

Tales by Light foi produzida em parceria com a Canon australiana e dirigida pelo cinegrafista Abraham Joffe. Atualmente, conta com três temporadas, totalizando 18 episódios. 

documentário

Como o cérebro cria

plataforma: Netflix
2019 | 52 min

SOBRE

Uma das questões que mais nos assombra como profissionais: como ser alguém criativo? 

A criatividade é um objetivo de muitos, e diferente da ideia de dom ou talento, ela não é nata de poucos; mas sim, está presente em todos, de forma pessoal, e pode ser desenvolvida e exercitada. Exatamente isso que o neurocientista David Eagleman explora neste documentário. 

Ao longo da produção, ele entrevista diferentes profissionais, em busca de entender como funcionam seus processos criativos. Indo além de setores óbvios, como o artístico, ele também busca a fonte da criatividade em áreas como a ciência e até em uma prisão.

Neste caminho, ele desdobra, reflete  e também desmistifica conceitos básicos que envolvem a criatividade, como originalidade (nada se cria do nada, tudo se ressignifica), método, inspiração e fracasso. 

Quando se trata de fracassar, destaca-se a necessidade de passar por essa experiência, de arriscar e sair da zona de conforto. Os erros se tornam aprendizados e podem aguçar nossa criatividade.

No geral, o filme quebra a ideia de criatividade mágica, presenteada apenas a algumas pessoas ao nascer. Aqui a criatividade é democrática, é de todos, faz parte das adversidades e das particularidades de cada um. Mas, principalmente, ela deve ser praticada, quanto mais desenvolvemos esse processo, mais criativos nos tornamos.  

Em um ritmo frenético de edição e um período curto de produção, assistir esse documentário torna-se fácil e dinâmico, além de ser uma inspiração para já sair criando. 

vídeo

Canal Nostalgia: Albert Einstein

plataforma: youtube
2019 | 59 min

SOBRE

Qual o legado de uma das grandes mentes humanas? Como um físico alcançou a mesma fama que um popstar? O que torna Albert Einsten uma figura tão única e inspiradora? Esses são muitos dos questionamentos abordados ao longo desta produção, que tem como intuito retomar o histórico desta personalidade que teve grande impacto na sociedade. 

Mas aqui o protagonista não é somente Albert Einsten, mas sim o Canal Nostalgia em si. Em meio a muitas produções de péssima qualidade no YouTube brasileiro, este canal se destaca com qualidade, profundidade e profissionalismo. 

Desenvolvido por Felipe Castanhari –   eleito pela Forbes Brasil como um dos 30 jovens mais promissores do país em 2016-, vemos vídeos que valorizam princípios essenciais do audiovisual: oralidade, estética e edição. 

Com esmero, o vídeo de mais de uma hora não se torna cansativo, pois Felipe utiliza da edição e de materiais de arquivo para criar dinâmica e movimento. Da mesma forma, a produção cumpre seu papel educativo – ressaltado como objetivo do autor – que visa como público-alvo jovens e estudantes.

Neste ponto, a vasta pesquisa desenvolvida previamente ao vídeo é a chave para um roteiro de qualidade. Segundo Castanhari, alguns vídeos demoram quatro meses para serem realizados, desde a pesquisa inicial até a postagem. Aqui só deixamos uma crítica: a falta de fonte. Mas de resto, destacamos o trabalho do Canal Nostalgia e esperamos que produções como essas ganhem mais reconhecimento não só do público, mas do YouTube também, que geralmente não monetiza vídeos como esse (com o uso de imagens de outras produções).

vídeo

Tudo é um Remix

plataforma: youtube
2017 | 35min

SOBRE

O que é remix para você? Quantos remix você já fez hoje? 

Não se engane, não estamos falando do uso mais popular desse termo, referente à remixagem musical. Remix é muito mais comum que isso, é uma arte popular que faz parte da cultura e está presente diariamente na vida de todos. 

Neste vídeo produzido por Kirby Ferguson, somos apresentados ao conceito base da criação, no qual tudo pode ser considerado um remix, isso porque remix se consiste de três atos: copiar, transformar e combinar. 

Com a produção dividida em quatro partes, cada uma é responsável por abordar diferentes tópicos do ato de remixar, para assim entendermos a origem dessa prática, sua influência na cultura popular, assim como, em grandes produções (com ótimos exemplos disso), além de refletir sobre o processo de criação e repertório de inspiração. 

Outro aspecto importante que gera reflexão do autor é o direito autoral e as questões legais de se praticar remixagem (o que ele destaca como um lobby no direito). Entender esse ponto ajuda a compreender alguns limites e alguns exageros quando se trata de originalidade e patente.

Em uma linguagem própria do YouTube e seguindo a própria lógica do remix, o vídeo é feito com uma compilação de imagens + narrativa em off + legendas clássicas de ferramentas de edição de vídeo. Nesta linha, o vídeo apresenta com simplicidade como um remix pode ser facilmente criado. Um ótimo exemplo disso é o início da produção que faz um remix da abertura dos filmes Star Wars. 

Agora, qual indicação você vai maratonar primeiro? Qual indicação você tem para nos dar? Curioso para o próximo Clubinho?

Fique de olho, pois no próximo mês mais inspirações virão por aí. Por enquanto, fique com outros conteúdos que já foram indicados em nosso blog:

Mais conteúdos do Clubinho!

Confira o primeiro clubinho, com cinco super indicações especiais.

Cineminha para o finde!

Confira as "14 produções audiovisuais para conhecer mais sobre comunicação, criatividade e marketing".

Conteúdos produzidos por mulheres!

Confira mais em "ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER: Coleção de Conteúdos"

Inspiração para períodos curtos!

Confira mais em "Uma hora e meia de inspiração, reflexão e criatividade com TED"
Perca o medo! Aprenda como falar em público

Se você é uma daquelas pessoas que sente calafrios só de imaginar o cenário de falar em frente a várias pessoas, não se sinta mal, pois esse sentimento é um dos mais comuns no comportamento humano. Tanto que, segundo estudos, o ato de falar em público supera medos como de altura, de águas profundas ou, pasmem, até da morte.

Contudo, a oratória – habilidade de se expressar oralmente – não é esse bicho de sete cabeças que imaginamos. Além disso, ela é essencial na história humana e em nosso cotidiano. Precisamos desenvolver essa prática para conseguirmos expor nossas ideias e conquistar a confiança do próximo, seja na carreira profissional ou na vida pessoal; aí que se encontra seu grande segredo: a prática constante. O medo e a insegurança são mais que normais, mas vencê-los encontra-se no uso de técnicas, e, principalmente, no treino e na ato de praticar.

Com isso em mente, neste texto, iremos apresentar um mini guia de dicas derivadas do livro “TED Talks: o guia oficial do TED para falar em público” (2006, Editora Intríseca), escrito por Chris Anderson, presidente da companhia. Para quem não conhece, o projeto TED (uma grande inspiração para a agência) é voltado a conferências e palestras que objetivam apresentar ideias revolucionárias e criativas sobre os mais diversos setores da vida. Ou seja, eles são experts quando se trata de apresentar ideias complexas em público de forma que envolva e conquiste os espectadores (tanto que possuem um setor voltado só ao desenvolvimento de seus palestrantes).

Mas, vamos logo ao que interessa! Pronto para desenvolver suas técnicas de oralidade? Pronto para se abrir a novas possibilidades e aprender a lidar com o medo? Então, vamos lá!

Por que é importante ter uma boa fala?  

A arte da oratória é um dos dons mais antigos da humanidade. Desde que desenvolveu-se a linguagem, o ser humano acostumou-se a se reunir em grupo, ao redor de fogueiras, para contar histórias e contos da vida. Na Grécia Antiga, essa habilidade ganhou novas perspectivas com a criação do conceito de retórica, nome dado a arte de falar com eficácia. Neste contexto, o diálogo e a argumentação de ideias eram talentos de alto nível, treinados e ensinados por grandes mestres.

“As fogueiras do passado deram lugar a um novo tipo de fogo. Um fogo que se espalha de uma mente para outra, de uma tela para outra — a combustão de ideias que estão na ordem do dia. Isso é fundamental. Todos os elementos importantes do progresso só ocorreram porque indivíduos comunicaram ideias a outros e depois todos colaboraram para fazê-las virar realidade. Desde a primeira vez em que nossos ancestrais se reuniram para derrubar um mamute até o primeiro passo de Neil Armstrong na Lua, as pessoas transformaram comunicações orais em assombrosas realizações conjuntas”.

Chris Anderson

Atualmente, na era digital e repleta de informações em extrema rapidez, a palavra se espalha com facilidade, o que torna o conceito de competência comunicativa primordial para o sucesso de uma ideia, projeto ou até carreira profissional. Isso porque, como coloca Anderson, “a fala é essencial para gerar empatia, provocar emoções, compartilhar conhecimentos e ideias, promover um sonho em comum”.

Todos temos um comunicador dentro de nós  

Pode parecer que você não tem nada de interessante a dizer, mas não poderia estar mais enganado. O mesmo vale para aqueles que tem muito a dizer, mas que não se sentem aptos para expressar corretamente as ideias. Em ambos os casos, o pensamento negativo não condiz com a realidade. Todos temos um poder de comunicação, basta apenas desenvolvê-lo conforme nossas aptidões. Da mesma forma, todos temos ideias e vivências que valem ser ouvidas e podem acrescentar e transformar a vida dos outros, tudo está na forma que comunicamos isso.

Um ótimo caso para exemplificar isso é a história do garoto com “coração de leão”, contada logo no início do livro. Nela, o autor narra um episódio vivido no TED quando, em uma turnê mundial em busca de novos talentos, eles encontraram um adolescente de 12 anos, chamado Richard Turere, morador de Nairóbi, no Quênia. Com uma mente inovadora, o jovem criou um equipamentos de luzes piscantes para afastar os leões que estavam matando o gado criado pela comunidade, tudo isso com o conhecimento básico de eletricidade, aprendido por conta própria. O sistema construído a partir de sucatas: painéis solares, uma bateria de carro e um visor tirado do quadro de instrumentos de uma moto, funcionou perfeitamente e solucionou um grande problema local.

Uma história dessa com certeza merece ser contada e disseminada pelo mundo todo, todavia, existia a barreira da oralidade. Com tudo contra o seu favor, o menino não era um palestrante nato, tinha grande timidez e seu inglês era escasso, dificilmente conseguia explicar sua ideia, por mais genial que fosse, de forma coesa. Mesmo assim, o TED decidiu investir na história cativante de Richard. Trabalharam durante alguns meses com técnicas de oralidade (que serão citadas ao longo do texto) e incentivaram o ensaio constante das falas em frente a um pequeno público, o que trouxe mais autoconfiança ao rapaz.

No dia da grande palestra, o jovem já havia enfrentado experiências transformadoras, como andar de avião pela primeira vez. Ao subir ao palco, encarou mais uma nova experiência: milhares de pessoas – entre elas grandes pensadores – a espera de sua fala. O impacto era notável em seu visível nervosismo, mas isso só deu-lhe mais vulnerabilidade e verdade, características que conectam o público. Assim, a atenção de todos foi capturada e a vida de muitas pessoas haviam sido transformadas, culminando em aplausos entoados ao final de sua fala.

Nessa história, percebe-se como todos podemos descobrir e dar voz ao comunicador que existe nós. Igualmente, alerta-nos de que não existe uma única maneira de dar uma palestra de alto nível. Ao assistir uma apresentação magistral, não pense que para ser sucedido você deve apenas imitar os passos feitos pelo palestrante. Muito menos diminua seus talentos ao compará-los com o do orador. Cada pessoa possui características únicas de expressão e modos diferentes de se sentir confiante, partindo disso que você poderá aprimorar sua oratória. Ou seja, o primeiro passo é ter noção dos seus limites, de como você se sente mais confortável e como prefere se expressar. Parte disso é experimentar diferentes técnicas, até encontrar aquela que mais lhe satisfaça.

Vemos também que o nervosismo não é um ponto negativo, ele é humano, é natural. Caso ele exista, há formas de trabalhar com sua existência, fazer com que se torne tolerável ou até incentive a sua prática.

Como podemos superar o medo? 

Ficar nervoso e ansioso é uma das reações humanas mais normais nesses casos. Felizmente, existem diversas formas de relaxar, trabalhar esse nervosismo ou até usá-lo ao seu favor. Ele “não é uma maldição. Pode ser transformado e com isso gerar um ótimo resultado. Faça as pazes com seu nervosismo, reúna coragem e vá em frente!”. 

Como grande incentivo, o livro conta a história de Monica Lewinsky, que enfrentou um histórico de humilhação pública (ela foi julgada publicamente em virtude do caso que teve com o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton) e subiu ao palco do TED. 

“A palavra nervosismo não dá conta de descrever o que eu sentia. Era mais como se eu me sentisse… dilacerada de pavor. Raios de medo. Angústia elétrica. Se desse para captar a energia de meus nervos naquela manhã, acho que a crise energética seria solucionada […] Fui invadida por ecos de um trauma persistente, causado pelos anos em que fui ridicularizada em público. Fui atormentada por uma insegurança profunda, pela sensação de que o palco do TED não era o meu lugar. Era contra essa experiência interior que eu lutava”. 

Em meio a esse turbilhão de sentimentos, Monica encontrou diferentes formas de superar o medo e dar uma palestra marcante:

“Quando a mente começa a divagar ou perde o foco, alguns tipos de meditação nos orientam a nos concentrarmos na respiração ou em nosso mantra. Foi o que fiz com a minha ansiedade. Sempre que pude, tentei ao máximo voltar ao objetivo da palestra. Um de meus dois mantras era ISTO É IMPORTANTE. (Na verdade, rabisquei isso no alto da primeira página da minha fala, que levei ao palco.) O outro mantra que funcionou foi EU CONSIGO FAZER ISTO. Se você vai ficar de pé num palco e falar a um público, é porque alguém, em algum lugar, achou que você tinha algo relevante para dividir com os outros. Passei um tempo definindo para mim mesma como eu esperava que minha fala ajudasse outras pessoas que estavam sofrendo. Eu me agarrei à importância e ao objetivo da minha fala como se ela fosse uma tábua de salvação. Durante o processo, quando me deparava com dúvidas, procurava me concentrar na mensagem que queria passar, e não na mensageira. Sempre que me sentia nervosa ou insegura, eu simplesmente tentava ser forte e me convencer de que só tinha de fazer o melhor que conseguisse [...] e, se minha mensagem chegasse a pelo menos uma pessoa e eu ajudasse pelo menos uma pessoa a se sentir menos solitária em sua experiência de vergonha e humilhação on-line, a palestra já teria valido a pena”

Monica Lewinsky

Dentre as técnicas aplicadas por Monica estão terapia, meditação, exercícios respiratórios, cantar, exercícios de aquecimento, caminhada e exercícios de visualização. Mas o principal deles foi: focar-se na mensagem e no impacto positivo que ela poderia gerar. Para cada pessoa, as técnicas que podem ser utilizadas e surtir efeito são variáveis, mas visualizar o impacto positivo da ideia transmitida pela palestra é sempre um impulso verdadeiro e de grande resultado. “Não se trata de você, mas da ideia pela qual você tem paixão. Sua tarefa é estar ali a serviço da ideia, dá-la de presente”, aconselha Chris.

Por isso, entre as dicas narradas no livro estão: utilizar o medo como impulso; lembrar-se de respirar fundo e até fazer exercícios de respiração; praticar exercícios físicos prévios ao momento da palestra; tentar beber um terço da garrafa de água antes, para safar-se a boca seca; evitar o estômago vazio comendo algo mais leve mais ou menos uma hora antes de subir ao palco; saber que errar ou ficar nervoso é normal, isso pode trabalhar ao seu favor como uma forma de vulnerabilidade; procurar rostos amigos e conhecidos  na plateia; ter planos alternativos caso tema erros de percurso; manter o foco no que está dizendo.

Metáfora da viagem  

Para compreender melhor o processo da palestra, o livro apresenta uma metáfora rica: imagine que sua palestra é uma viagem que você e sua plateia realizam juntos. Nesse cenário você é o guia turístico, que levará todos a explorar novos caminhos. Mas para isso é preciso começar a jornada pelo local em que a platéia já está (ou seja, conheça sua plateia). 

Não se esqueça de tornar a viagem atrativa, “seduzir a plateia e fazê-la desejar seguir viagem com você”. Ninguém embarcará se não demonstrar ser um guia confiável e se não conquistar os viajantes. “Quando sabe aonde você quer chegar, o público sente muito mais facilidade para acompanhar seu trajeto”

Dessa forma, evite saltos impossíveis e mudanças inexplicáveis na direção do percurso. O sucesso desta viagem depende de quão bem o percurso está traçado (essa será sua linha mestra). “Toda palestra precisa de um mapeamento — uma ideia do lugar aonde você quer chegar, onde está e onde esteve”. Ter esse conhecimento adquire confiança, segurança e deixa o caminho mais tranquilo. 

Por último, “você só percorrerá o terreno que puder mostrar em profundidade suficiente para criar interesse”. Ninguém gosta de experiências corridas e esquecíveis, elas em nada acrescentam. Aproveite seu tempo ao máximo destacando apenas os pontos mais importantes da sua ideia. 

Agora é hora de saber como aplicar essa metáfora na prática. Prontos para embarcar nessa viagem?

Primeiro passo: Construir a ideia

Engana-se aquele que acredita que as coisas mais importante para se realizar uma palestra de sucesso são as habilidades visíveis: tom de voz e linguagem corporal. O cerne de uma boa palestra está em algo bem mais profundo que isso, se encontra na ideia.

Mas o que seria a ideia? Imagine que você está assistindo uma palestra e que quando sair de lá terá levado consigo algo que não tinha antes da fala do palestrante. Esse algo não é físico, mas é como um presente. É a construção ou reconstrução de uma visão de mundo, você passa a enxergar o se relacionar de forma diferente em relação a um fator em específico. Essa é a ideia, plantada e semeada na mente dos ouvintes. Nas palavras de Anderson, ela é “uma criação mental que esses ouvintes podem reter, levar para casa, apreciar e, em certo sentido, permitir que ela os modifique”.

Para entender melhor esse conceito, assista a palestra de Sophie Scoot sobre o riso, citada no livro como exemplo. Veja como você sairá da palestra enxergando o ato de rir de forma diferente e, talvez, quando ver alguém rindo, lembrará deste vídeo.

Para que essa ideia se desenvolva, você terá dois grandes aliados: a linguagem e a palavra. A primeira será sua principal ferramenta, você deve escolhê-la com cuidado. Lembre-se que ela precisa ser acessível e entendível pelo público. Abandone a linguagem técnica e complexa, democratize sua ideia, faça com que seja atrativa e de compreensão universal.

Mas não se esqueça! Estilo sem conteúdo não é nada. “Passar emoção é importante, e nesse aspecto o tom de voz e a linguagem corporal do palestrante têm enorme valor. No entanto, a essência de uma palestra depende fundamentalmente das palavras”, destaca o livro.

Armadilhas para evitar  

Muito além de dizer apenas qual o caminho correto para uma boa oratória (uma receita pronta que não existe), o livro se ocupa de destacar quais os caminhos e estratégias que devem ser evitadas. Neste caso, no mundo das palestras, existem alguns estilos que foram convencionados no senso comum, mas, na realidade, são vazios e tendem a atrapalhar ou ofuscar a questão cerne da palestra: a ideia.  

Primeiro, lembre-se que você está lá para presentear as pessoas com conhecimento, e não para receber algo. Portanto, nada do famoso papo de vendedor. Você não está vendendo uma ideia e muito menos um serviço, está comunicando, dialogando. “O princípio fundamental é lembrar que o palestrante deve fazer uma doação a seus ouvintes, e não tirar algo deles”, pontua o diretor do TED. Até porque esse tipo de discurso é frustrante e tedioso para um público que tinha expectativas voltadas ao aprender e não ao consumir.  

Por segundo, valorize o tempo que as pessoas estão dedicando à sua fala. “Quando as pessoas se reúnem numa sala para ouvir o que alguém tem a dizer, estão lhe dando algo extremamente precioso, irrecuperável: alguns minutos de seu tempo e de sua atenção. O palestrante tem de usar esse tempo da melhor forma possível”, frisa Bruno Giussani. Entendido isso, não divague e muito menos floreie sua fala. Faça toda palavra, toda frase, todo argumento valer a pena.

Nesta mesma linha, não desperdice sua fala com tédios organizacionais. Ou seja, não ocupe a palestra explicando pormenores do trabalho desenvolvido por trás da ideia, foque-se apenas nos acontecimentos e descobertas importantes ao público, saiba reconhecer aquilo que é relevante e aquilo que é desnecessário no cenário geral da ideia.

Por último, não caia no conto da palestra motivacional. Existem muitas palestras que envolvem o público com histórias de vida e de superação que tocam profundamente em sentimentos humanos, muitas vezes mudando a forma como os espectadores se sentem sobre algo. Mas nem todas as palestras são assim ou devem ser assim. O quesito que tornará uma palestra naturalmente motivacional é sua veracidade e vulnerabilidade. 

Portanto, não busque a todo custo criar uma fala emotiva e recheada de frases de efeito, esperando uma reação emocional do público. Ter isso como foco é destruir, novamente, o cerne da palestra. “O intenso desejo de uma ovação pode conduzir palestrantes inexperientes ao erro”, alerta Chris. Seja verdadeiro com seu público, não o adule ou construa sua fala em frases rasas. Apelar para esse estilo é destruir a prática da oratória em si.

A linha mestra: o que você pretende dizer?

Assim que você tem sua ideia moldada é preciso saber como comunicá-la. Para isso, o livro indica a técnica da linha mestra. Nas palavras do próprio escritor, “podemos pensar na linha mestra como um cabo forte, ao qual você prenderá todos os elementos da ideia que está desenvolvendo”. Nesta lógica, o indicado é que o palestrante descreva sua linha mestra em não mais que quinze linhas.

“Muitos palestrantes se apaixonam por suas ideias e acham difícil imaginar o que elas têm de complicado para aqueles que ainda não mergulharam nelas. A solução está em apresentar apenas uma ideia — e do modo mais detalhado e completo possível no tempo limitado. O que você deseja que o público compreenda plenamente ao fim da palestra?”

Barry Schwartz

A fala de Barry Schwartz parte justamente de sua palestra no TED, na qual a linha mestra foi: ter mais opções nos deixa menos felizes.

Como a própria palestra destaca, temos um mundo de opções, o mesmo ocorre na hora de delinear a linha mestra. Provavelmente, você tem diversos tópicos que gostaria de abordar, mas o tempo não permite e muito menos é recomendável. Não iluda-se com quantidade igual qualidade. Menos é mais. Visto isso, a linha mestra deve ser um fio único e coeso, na qual você cobrirá menos pontos, porém o impacto será bem maior, pois o assunto único poderá ser melhor desenvolvido. “O segredo de escrever bem está na força das palavras cortadas”, lembra o escritor Richard Bach.

Resumindo, o livro descreve que “uma linha mestra exige que, antes de tudo, você identifique uma ideia que possa ser exposta de forma adequada no tempo disponível. Em seguida, construa uma estrutura que ligue todos os elementos da palestra a essa ideia”.  Uma boa analogia apresentada no livro é imaginar a estrutura da sua fala como uma árvore; nela há uma linha mestra central, que sobe da raiz até os galhos, eles que representam as expansões da narrativa principal.

Entre em sintonia com a plateia 

Inicialmente, uma das primeiras formas de duas mentes entrarem em sincronia é o olhar. “Apoiado por um ocasional sorriso amistoso, o contato visual é uma tecnologia espantosa capaz de transformar a receptividade de uma palestra”. Como exemplo disso, o diretor do TED destaca a palestra de Kelly McGonigal sobre o lado positivo do stress, na qual ela conquista o público em pouquíssimos segundos, tudo com base na sintonia.

Outro fator muito importante para desenvolver sintonia com o público é a já aqui citada vulnerabilidade. Humanos se identificam com as inseguranças, medos e sentimentos do próximo. Porém, cuidado! Utilizar essa ferramenta da forma correta é saber onde está o seu limite. Expor-se de forma demasiada faz com que a palestra fuja de seu foco central. Para exemplificar a forma correta explorar a vulnerabilidade sem esgotá-la, temos a palestra de Sherwin Nuland, neurocirurgião e escritor de sucesso, que faz uma confissão intimista no meio de sua fala.

Você pode também utilizar um dos clássicos humanos para gerar conexão: o humor. “O riso derruba as defesas, e de repente você tem a chance de se comunicar de verdade com o público”, explica Anderson. Entretanto, muita atenção! Fazer a plateia rir pode ser algo contagiante, mas você está lá não somente para entreter o público, mas sim para comunicar algo. Não transforme o riso em um foco ao longo da palestra, assim você perde o real foco e tem mais chances de se frustrar.  

Muito menos invista no humor caso você não tenha esse talento. Pode parecer simples fazer alguém rir, mas de simples não tem nada. “O humor é uma arte, e nem todo mundo a domina. O humor ineficaz é pior do que a falta de humor”, ressalta. Para isso, vale conhecer a si mesmo e entender seus limites sociais. “Se você pretende falar muito em público, vale a pena tentar encontrar sua veia humorística. Se não a encontrar, nada de pânico. Nem todo mundo consegue. Há muitos outros meios de obter sintonia”.

Um ótimo exemplo de um humor natural está na palestra de Bryan Stevenson:

MUITA ATENÇÃO! Fuja de piadas ofensivas, preconceituosas e que reforcem estereótipos. Estamos em uma era de conscientização, respeito e diversidade, não há mais espaço para o humor à custa dos outros, é preciso que ele seja inteligente e humanizado.

Neste mesmo caminho, refreie o ego. As pessoas não estão lá pela personalidade, mas sim pelo conhecimento que alguém tem a passar. Egocentrismo não gera atração e sintonia, muito pelo contrário, quebra a magia da conexão entre palestrante e público.

“Seja você. As piores palestras são aquelas em que as pessoas tentam ser alguém que não são. Se em geral você é brincalhão, seja brincalhão. Se é emotivo, seja emotivo. A única exceção é se você for arrogante e autocentrado. Nesse caso, você deve sem dúvida fingir ser outra pessoa".

Salman Khan

Conte uma história 

Desde que o ser humano soube se expressar, a narrativa cumpriu um papel essencial em sua vida. Somos movidos por histórias e por contá-las ao próximo.  “Já nascemos gostando de histórias. De imediato, elas geram interesse, empatia, emoção e curiosidade. Histórias podem estabelecer brilhantemente o contexto de uma palestra e fazer o público se interessar por um assunto”, escreve Chris.

Uma boa forma de construir uma história é seguir o clássico modelo da Jornada do Herói. No qual o personagem principal enfrenta uma provação ou aventura, repleta de obstáculos, chegando ao clímax e a um desenlace. Para saber mais sobre essas técnicas de narrativa, leia nosso texto abaixo:

A história que conquista o público

Saiba mais sobre storytelling, Jornada do Herói e outros arquétipos.

“Se você vai contar uma história, certifique-se de saber por que a está contando, elimine todos os detalhes desnecessários para demonstrar o que deseja e inclua informações que permitam aos ouvintes imaginar vividamente o que aconteceu”.  Uma ótima palestra citada pelo livro para compreender o poder da história é de Eleanor Longden:

Como explicar conceitos complexos 

Caso a sua ideia central seja mais complexa ou técnica, fora do conhecimento de senso comum, apresentá-la de forma atraente e acessível pode ser bem mais difícil. Ainda mais porque quando temos um profundo conhecimento sobre algo é difícil lembrar que existem pessoas que não possuem aquela sabedoria, o que torna ainda mais complicado comunicar algo sem parecer estar falando outro idioma. Para facilitar esse caminho e não se perder, o livro apresenta uma ótima fórmula com base na palestra de Dan Gilbert:

Agora, recapitule os passos em que o palestrante guiou o público para entender o sofisticado conceito de “felicidade sintética”: Ele começa em um ponto básico, onde todos do público se encontram e compreendem, a partir disso ele acende a fogueira da curiosidade. “Assim que é seduzida, a mente se abre. Ela quer ideias novas”. 

Conquistado a atenção do público, ele apresenta cada conceito, um a um, em blocos, um dentro do outro, na qual uma explicação embasa e abre espaço para o próximo conhecimento, algo chamado de estrutura hierárquica. Para que garantir que todos estão compreendendo a ideia geral, ele utilizou metáforas e exemplos mais próximos da realidade de todos.

Assim, o novo conceito “é construído como uma hierarquia, em que cada camada supre os elementos que formarão a nova camada. Começamos com aquilo que sabemos e acrescentamos as peças pedaço a pedaço, cada uma posicionada mediante o uso de uma linguagem já compreendida, apoiada por metáforas e exemplos”.

Como utilizar os recursos visuais  

O objetivo dos elementos visuais podem ser dois: reforçar o nível informativo e/ou servir de apelo estético. Esses objetivos devem ser seguidos, portanto, não utilize recursos visuais se eles não vão lhe beneficiar em uma dessas formas, também não exagere neles a ponto de ultrapassar e deixar de ser um fator benéfico.

Neste ponto, lembre-se também que o recurso é visual, portanto deve ser esteticamente bonito, seguindo padrões básicos de design, e também facilmente visível, sem atrapalhar a visão, mas sim, esclarecer.

Os slides são ideias quando você quer mostrar ou ilustrar algo com imagens pois não é possível fazer isso com palavras. Neste mesmo sentido, elas podem ser explicativas, um adendo a sua fala. Por isso, é importante saber mesclar e integrar a fala e o slides, para que ambos se comuniquem de forma compreensível ao público.

Outras dicas importantes são: dê respiros de imagem (slides em branco) e NUNCA comprima várias informações em um só slide. Novamente, ele é um recurso visual, deve ser atrativo e ilustrativo, de forma alguma isso será possível se você enchê-lo de informação, texto ou imagens. “A finalidade principal dos recursos visuais não deve ser comunicar palavras. A boca do palestrante já faz isso muito bem. A finalidade dos recursos visuais é mostrar aquilo que a boca não mostra tão bem: fotografias, vídeos, animações e dados importantes”. Cuide também para não repetir informações do slide na sua fala e vice-versa, ambos devem ser complementares, não cópias.

Quando se trata da questão estética em si, as dicas citadas no livro são valiosas. Algumas delas são: imagens importantes podem e devem ser “sangradas” (colocadas em grande proporção). No caso da fonte, escolha apenas uma para toda a apresentação; dê preferência àquelas de peso médio e sem serifa, como as populares Helvetica e Arial. Use-as no tamanho acima de 24, com no máximo três variações de tamanho, cada uma delas com uma razão clara. Lembre-se que o texto sempre deve ser legível, portanto não o coloque acima de fotografias, fundos escuros ou com cores muito vivas. 

Chegando na questão cores, utilize tons mais simples e abuse do contraste. No geral, use apenas uma cor na escrita, mudando apenas em casos que necessite chamar atenção. Evite efeitos como itálico e sublinhado pois dificultam a leitura. Da mesma forma, os efeitos de transição entre slides só são bem-vindos em dois casos: dissolver para slides de ideias que conversam entre si, cortar para uma nova ideia.

No uso de fotografias, não esqueça de creditar propriamente o fotógrafo. Em vídeos, evite passar acima de 30 segundos e sempre verifique antes da apresentação se som e imagem estão funcionando corretamente. Esse é um dos pontos mais importantes: estamos trabalhando com equipamentos, portanto sempre cheque antes se tudo está funcionando como deveria, melhor prevenir do que sofrer problemas técnicos no meio da fala.

Decorar ou não decorar? 

Por trás de um bom palestrante existe muita preparação, mas MUITA preparação. Independente se ele decida por decorar seu texto ou falar de forma mais espontânea. Em ambos os casos é necessário um longo processo de treino e desenvolvimento. Tudo isso serve para que se identifique os pontos positivos e aqueles que deve melhorar. Desde o conteúdo em si até a forma que ele está sendo apresentado. “Fazer a apresentação em voz alta muitas vezes torna nítido para o palestrante o que está claro, o que falta e como aprimorá-la”, explica a instrutora de oratória Abigail Tenembaum.

Essa preparação servirá também para você identificar qual forma funciona melhor para você: decorar ou não. Ambos são válidos e nenhum se sobressai como o melhor ou o mais assertivo, o segredo para acertar está em traçar seu próprio caminho. No fim, “o que importa é que os oradores se sintam à vontade e confiantes, fazendo sua apresentação do modo que melhor lhes permita focar no assunto que os entusiasma”.

De forma geral, você tem duas opções: “A. escrever toda a palestra, como um roteiro completo (para ler, decorar ou combinar as duas coisas); B. ter uma estrutura claramente desenvolvida e falar na hora sobre os pontos a tratar”. Lembrando que “não estamos falando aqui de duas maneiras de dar uma palestra, mas de duas maneiras de construí-la”.

Para aqueles que optam pela roteirização, a principal vantagem é ter um melhor controle de seu tempo e como fazer uso dele. Mas é preciso cuidado, o texto decorado pode às vezes parecer monótono e não causar impacto ao público; o palestrante deve encontrar formas de quebrar a noção de que o texto foi decorado. Para isso, Anderson faz a metáfora do Vale da Estranheza, obstáculo a ser enfrentado por aqueles que decidem decorar sua fala. Na visão dele, há um momento onde o texto está quase decorado, mas ainda não parece natural ou interessante quando falado, é um momento em que muitos tendem a desistir da ideia, pois parece não estar surtindo o resultado esperado. Porém, tenha paciência. “Mas, se ele insistir no processo de memorização, lá pelo sexto ou sétimo dia você vai observar uma mudança animadora. De uma hora para outra, seu amigo passará a saber a palestra de verdade. Ele a conhecerá tão bem que se lembrará dela de estalo. De repente, seu amigo se tornou capaz de usar sua atenção consciente para se concentrar outra vez na expressividade das palavras”.

Agora assista a palestra de Pamela Meyer:

Pareceu decorada para você? Incrivelmente, soa natural. Isso porque houve preparação, prática e autoconhecimento envolvido neste processo. Dessa forma, você cria uma boa base para saber lidar com qualquer situação que venha a ocorrer ao longo da palestra. “Quando o público acha que uma palestra parece ensaiada, o problema não é ensaio demais, é ensaio de menos. O orador ficou preso no Vale da Estranheza”.

Como enfatiza uma das instrutoras de palestras do Ted, Gina Barnett: “a prática não leva à perfeição. A prática torna a imperfeição tolerável. Isso porque, quando você sabe algo de trás para frente, pode JOGAR com os imprevistos, em vez de suprimi-los”.

Agora, dentre aqueles que optam por uma palestra não roteirizada, existe uma vasta gama de opções, desde as totalmente improvisadas (pouco recomendado) e aquelas ensaiadas e preparadas em tópicos bem detalhados. Neste caso os principais perigos são: esquecer um termo específico no meio da fala, esquecer algum tópico importante ou perder a noção do tempo e excedê-lo. Mas há o lado positivo também, desta forma torna-se mais fácil ter uma fala mais espontânea

É importante frisar que não roteirizar não significa que o preparação é desnecessária. O livro também alerta que existe um tipo de palestra que nunca deve ser feito: “muitos oradores sucumbem à tentação de usar slides como muletas. Essa opção, em sua pior forma, leva à projeção de uma série de slides sem graça, repletos de texto e tópicos que o orador enumera cansativamente. Hoje em dia, a maioria das pessoas reconhece que essa é uma péssima forma de dar uma palestra. Quando já foi vista no slide, a palavra falada tem impacto zero. Deixa de ser novidade”.

Também é necessário quebrar um mito: o público não se importa se você estiver nervoso ou se precisa fazer uma pausa. “Uma coisa a levar em conta é que o público não se importa se você fizer uma pausa para tomar pé da situação. Talvez você sinta algum desconforto. Eles, não. O segredo é relaxar”. Para ver um exemplo real disso, assista a palestra do produtor musical Mark Ronson:

A conclusão disso é: “O segredo é descobrir o modo como você se sente confiante e se ater a ele”.

Eu preciso ensaiar? 

A chave para sempre melhorar a sua palestra: ENSAIAR MUITAS VEZES.

Quando se trata de plateia, todos aqueles que a enfrentam têm algo em comum, sejam eles dançarinos, músicos, palhaços, comediantes ou palestrantes, todos devem ensaiar em prol de aprimorar aquilo que será apresentado ao público. Isso porque o ensaio não é apenas um processo de melhora, mas também, uma ferramenta de autoconfiança e desinibição

Como indicado pelo educador Salman Khan: “Faça a palestra pelo menos cinco vezes em seu quarto, parafraseando as ideias centrais. Mesmo que se confunda ou esqueça algo, obrigue-se a terminar cada tentativa (e sempre controle o tempo). Na minha opinião, o mérito do treino está menos na memorização e mais em fazer você se sentir à vontade, reduzir a tensão. Se estiver confiante e em estado de relaxamento, todos vão ficar mais satisfeitos”

Após ensaiar algumas vezes sozinho, é hora de ampliar essa ideia. Convide um grupo de amigos, colegas ou até um mentor para assistir sua apresentação. Elas devem ser pessoas confiáveis e sinceras, pois precisam dar um feedback sem medo sobre o pontos positivos e aqueles que devem melhorar. Outra boa prática é o ensaio em frente ao espelho ou gravado. “Recomendo que você filme esses ensaios para se ver em ação. É possível que note algum trejeito do qual não tinha a menor consciência e prefira eliminá-lo”, a mesma dica vale para entonação de fala e análise do discurso.

Como causar um bom impacto inicial e final?  

Sem dúvida, os segundos iniciais e finais de uma palestra são os mais importantes. É o momento de garantir a atenção completa do público e depois deixar uma marca permanente em suas mentes. “No começo, terá cerca de um minuto para despertar o interesse do público. E o desfecho vai influenciar decisivamente o modo como ela será lembrada”

Isso ganha perspectivas ainda maiores quando levamos em consideração o comportamento do público na década da instantaneidade e dos dispositivos digitais na palma da mão. “Lembre-se de que, em nossa era, cada mínimo conteúdo participa de uma guerra pela atenção. Ele luta contra milhares de outras solicitações de tempo e energia”

Levando isso em conta, uma grande dica é roteirizar e memorizar as falas iniciais e finais, independente se você escolha roteirizar ou não o restante da palestra. Esse método ajuda a combater o nervosismo além de aumentar a confiança e impacto da apresentação. Outro fator é utilizar as ferramentas de boa fala citadas acima, como se valer de uma boa narrativa, de um recurso visual chamativo ou de uma estratégia que desperte a curiosidade do público.  

Veja algumas aberturas marcantes de palestra do TED:

No momento de encerrar evite a todo custo: frases motivadoras clichés (seja verdadeiro e único); agradecimentos excessivos; discurso de vendedor; pedir se há dúvidas no público (espere os aplausos); enrolar e estourar o tempo; se desculpar; terminar com um vídeo (a palestra deve terminar com uma fala sua, não recursos técnicos). 

Existem diversas opções de um melhor encerramento. Por exemplo, você pode apresentar um panorama geral, com o conjunto de possibilidades que o tema/trabalho apresentado possui. Uma inspiração neste caso é a palestra de David Eagleman:

Outra alternativa é convocar o público a agir. Instigue a participação e reflexão de forma assertiva, sem clichés, mas com intuito de fazer com que todos coloquem a mão na massa. Como exemplo, o livro cita a chamada sucinta, mas efetiva, feita pelo escritor Jon Ronson:

Ou você pode se colocar no compromisso, assumindo uma meta ou ação que pretende cumprir, algo que surpreenda e instigue apoio da plateia. Mas, atenção! “Assim como em qualquer outra situação, assumir um grande compromisso exige bom senso. Se isso for feito da forma errada, pode levar a um desconforto na hora e a uma perda de credibilidade depois”. Como exemplo positivo, temos a história da nadadora Diana Nyad, cuja meta era nadar de Cuba à Flórida:

Dois anos depois, ela retornou aos palcos do TED para descrever como havia cumprido esse desafio com sucesso:

Também é possível encerrar de forma inspiradora. Mas, para isso, é preciso se despir de clichés, tornar o estímulo verdadeiro. Utilize-se de valores e anseios humanos com profundidade e simplicidade, baseados em sua vivência ou conhecimento. “Repito, não se pode fazer isso de maneira superficial. Só dá certo quando o resto da palestra já preparou o terreno e quando ficou claro que o orador conquistou o direito de evocar tais sentimentos”.  Faça como a professora Rita Pierson:

E que tal fazer uma pergunta inesperada ao público? Para aqueles que buscam apresentar novas ideias e perspectivas, essa é uma ótima forma de deixar com que todos reflitam sobre o que lhes foi apresentado. Para ter uma melhor noção desse recurso, veja a palestra da terapeuta Esther Perel sobre o polêmico assunto da infidelidade:

O que usar?  

O figurino não deve ser algo que lhe estresse ou ocupe muito tempo da preparação. Ou seja, “na maioria dos ambientes, o importante é usar algo com que se sinta bem”. Mas é preciso atentar-se a alguns detalhes que podem melhorar ou estragar sua apresentação.

Caso a palestra seja gravada para posterioridades ou transmitida ao vivo on-line, a figurinista do TED, Kelly Stoetzel, diz: evite o branco (a luz pode estourar), o preto (você pode acabar parecendo uma cabeça flutuante) e estampas ou padrões muito pequenos (que podem causar uma estranha tremulação nas imagens fotográficas ou de vídeo, conhecida como efeito moiré)”

No uso de microfones auriculares (aqueles fixos no rosto) evite coisas que possam causar ruído, como brincos e barba comprida. Neste mesmo sentido, no caso dos acessórios, evita-se aqueles que reluzem ou façam muito barulho. Para dar um detalhe de destaque, opte por mantas ou acessórios de tecido. 

Outra super dica é: A plateia, assim como a câmera, adora cores fortes e vibrantes. Roupas bem marcadas tendem a ficar melhor no palco do que as folgadas e frouxas. Procure algo que proporcione uma boa silhueta e certifique-se de usar o tamanho certo — nem folgado, nem apertado”. Uma boa prova disso é o vestido utilizado por Linda Cliatt-Wayman, que a tornou visível a todos do público, indiferente da distância em que estavam.

Em último caso, utilize a mesma tática dos ensaios, convide alguém para auxiliá-lo ou para avaliar o figurino escolhido. Até porque, “às vezes, a imagem que você vê no espelho não corresponde exatamente à visão dos outros”

Como ter uma presença de palco efetiva? 

DÊ A SUAS PALAVRAS A VIDA QUE ELAS MERECEM!

Assim inicia o capítulo do livro dedicado a duas das artes mais sensacionais da oralidade: a entonação vocal e a linguagem corporal. Há algo de único na voz, na postura e nos movimentos corporais que transformam a palavra falada em uma experiência diferente de qualquer outra. Como declara Chris Anderson, “um dos motivos pelos quais me encantei com o TED foi o fato de perceber que as palestras feitas da forma correta podiam proporcionar algo mais que simplesmente não se pode extrair da palavra impressa”.

Esse é o processo de utilizar uma ferramenta do corpo humano para transformar informação em inspiração. “As palavras são processadas pelo motor cerebral da linguagem, que opera mais ou menos da mesma forma quando você ouve e quando lê. Mas acima disso há um fluxo de metadados que lhe permite (em grande medida de forma inconsciente) avaliar cada segmento de linguagem que se ouve, determinar o que fazer com ele e como priorizá-lo. Não há nada parecido com isso na leitura. Isso só ocorre quando você vê um orador e ouve a voz dele”

Conforme a forma que a voz é utilizada  -em tom, volume e melodia – e os movimentos feitos, eles podem causar sentimentos de simpatia, curiosidade, compreensão, empatia, entusiasmo, convicção e ação. Assim, a reação do público depende também de dois fatores: “o que você faz com a voz e o que você faz com o corpo”.

Para desenvolver essas habilidades ainda nebulosas, existem alguns pontos importantes. Primeiro, fale com expressividade. “Os orientadores de voz falam de pelo menos seis ferramentas: volume, altura, ritmo, timbre, tom e uma coisa que se chama prosódia, que é a musicalidade que distingue, por exemplo, uma afirmação de uma pergunta”. O segredo está em utilizar essas variações no seu modo de falar, de forma harmônica e baseada no conteúdo que está sendo transmitido. Sem a variação de voz, a palestra toda será monótona e terá apenas um efeito: o de sonífero. 

Para desenvolver isso, use do mesmo método já citado anteriormente, grave a sua fala e escute-a de olhos fechados. Mas cuidado para não ir além do necessário, as variações de tom devem ocorrer naturalmente, senão torna-se robótico e volta a ser cansativo ao ouvido. Como inspiração, assista a palestra de George Monbiot e preste atenção em sua entonação: 

Outro aspecto muitas vezes esquecido é a velocidade da fala. Normalmente o nervosismo leva a dois erros comuns: falar muito rápido ou devagar demais. “Quando for apresentar ideias essenciais ou explicar algo complexo, vá devagar e não tenha medo de fazer pausas. Ao contar casos e em momentos mais leves, acelere. Mas, no geral, você deve se planejar para usar seu ritmo espontâneo e coloquial”.

Quando se trata do corpo, “a maneira mais simples de dar uma palestra eficiente é ficar de pé, distribuir o peso do corpo igualmente nas pernas — mantendo os pés um pouco afastados — e usar as mãos e os braços para amplificar o que está dizendo com naturalidade. Se a disposição da plateia for um pouco curva em relação ao palco, gire um pouco a cintura para se dirigir às diferentes partes. Não há necessidade alguma de ficar andando de lá para cá”

Em geral, evite movimentos repetitivo e oscilatórios, como dar passos para trás e para frente, ficar trocando a perna em que apoia o peso ou um andar incessante. Esses movimentos cansam o público e tiram a atenção. 

Um dos métodos mais populares entre os palestrantes do TED, segundo Ken Robinson, um dos palestrantes mais famosos, é: “o essencial é relaxar e deixar que a parte superior do corpo se movimente à vontade. Uma boa postura ajuda; evite deixar os ombros caídos. Uma postura aberta pode parecer vulnerável… mas essa vulnerabilidade age a seu favor”

Agora, para encerar, a dica mais valiosa de todas: faça do seu jeito! Mesmo que o modo desenvolvido por outro palestrante pareça mais instigantes, não copie, não fuja do que é natural a você. “Fale do seu jeito. Não imite o estilo alheio nem procure se enquadrar no que considera o “modo TED” de apresentação. Isso é entediante, banal e antiquado”, essa é a grande lição deixada por Chris Anderson. 

Pronto para dar voz às suas ideias? Para mais embasamento sobre o tema indicamos a leitura completa do livro e a visualização das múltiplas palestras do canal TED e TEDTalks, lá você encontra também vídeos em português de palestras realizadas no Brasil. Caso queira alguma indicação de por onde começar, veja os dois textos abaixo, desenvolvidos pela agência.

Inspiração para períodos curtos!

Confira mais em "Uma hora e meia de inspiração, reflexão e criatividade com TED".

Oralidade + Transformação Digital!

Confira mais em "Conteúdos do TED para se inspirar e refletir sobre a era dos dados".
Clubinho da Inspiração #1: test drive de indicações

Bem-vindos ao Clubinho da Inspiração!

Mensalmente, reuniremos algumas das principais indicações de conteúdos que devem justamente inspirar: reflexão, criatividade, sabedoria, emoção e críticas. 

Para o mês de junho, em versão piloto, tivemos a primeira tentativa, com conteúdos livres e apenas uma condição: que fossem mais curtos, possíveis de consumir dentro do tempo estipulado (duas semanas).

Todo mês, cada participante indica um conteúdo de forma secreta. As indicações são sorteadas entre o grande grupo (tipo amigo secreto). Cada um fica responsável de consumir o conteúdo que sortear dentro do prazo combinado. 

No dia da reunião do clubinho, além de muita comilança, todos apresentam seus conteúdos, com o objetivo de uma reflexão coletiva e, claro, para tentarmos adivinhar quem o indicou em primeiro lugar. 

1 – Seja criativo;

2- Qualquer produção vale como indicação (não se prenda apenas ao óbvio);

3- Produções que incentivem preconceitos e cultura de ódio estão VETADAS;

4- Tente diversificar e apresentar produções de pouco reconhecimento ou desenvolvidas por minorias sociais;

5- Seja crítico com aquilo que consome (nada de passar pano);

6- No dia da reunião, sempre que possível, traga ceva, comes e boa conversa consigo;

7- Engaje nas conversas dos outros conteúdos que não foram indicados ou sorteados por ti;

8- Venha de mente aberta, sempre!

No momento, os integrantes do clubinho fazem parte da equipe da agência, mas quem sabe, no futuro, você também possa fazer parte. Caso tenha interesse, estamos de portas abertas (nos contate!). 

Agora, as feras indicadoras:

Júlio #boss, Amanda #jornalista (social media e redatora), Daiane #designer (head de criação), Joel #criação e Alan #comercial (ainda criaremos apelidos mais criativos). 

Percebemos que, no mundo de hoje, podemos aprender em espaços que vão muito além de cursos e conteúdos educacionais. 

Ainda mais na era de produção de conteúdo, na qual podemos encontrar e explorar algo interessante e criativo, em grandíssima quantidade, nos mais diversos formatos. 

Pensando nisso, e mergulhados no sentimento de que muitas vezes ficamos perdidos com a quantidade enorme de opções de consumo (todos sabemos o que é demorar horas para escolher algo na Netflix), resolvemos criar uma forma de “trocar” conteúdos. 

Assim, o objetivo é guiar um ao outro em meio à imensidão de produções. Além de aumentar o repertório (algo muito importante quando se trabalha com criatividade) e gerar reflexões mais profundas sobre assuntos que muitas vezes ignoramos.  

documentário

Jiro Dreams of Sushi

plataforma: netflix
2011| 1h 19min

SOBRE

Qual o legado de um profissional que é declarado tesouro nacional?

No caso de Jiro Ono, seus legados são múltiplos e o levaram a ser um dos mestres e sushi chefs mais conhecidos mundialmente. Dono de um pequeno sushi bar, que carrega consigo 3 estrelas Michelin (foi o primeiro no ramo do sushi a ter esse feito) e tem reservas lotadas por meses, ele revolucionou o que entendemos como eficiência e trabalho.

Seu espaço está localizado em uma pequenina parte da estação de metrô em Tóquio, mas é mundialmente reconhecido dentre os amantes da alta gastronomia. Seu cardápio varia conforme a disponibilidade de pescados no dia, pois caso a qualidade dos ingredientes não esteja boa, o chef não os prepara nesse dia.

Ou seja, na tenra idade de 93 anos, ele continua na ativa, como um símbolo de perseverança e de eterna busca pela perfeição. Como ele mesmo descreve, deseja chegar ao topo, mas não sabe como ele é. E para isso não é necessário nenhum luxo, muito pelo contrário, como demonstra Jiro ao ir diariamente ao trabalho de trem. O segredo está em outra grande mensagem que ele destaca: “você deve se apaixonar pelo seu trabalho”.

Tendo o trabalho como base e os princípios da cultura japonesa como alicerce (disciplina, hierarquia e controle das emoções), a vida de Jiro e de seu negócio são relatados neste documentário, cujo objetivo é destacar pontos de aprendizagem da história, como: resiliência, evolução contínua, aprender a dizer não, menos pode ser mais, controle de qualidade, confiança nas parcerias, gestão do conhecimento e inovação.

produção jornalística

Guns in America​

produção: revista time
2018

SOBRE

Um projeto multimídia que demonstra como uma capa de revista pode ir muito além. 

Na edição de novembro de 2018, a clássica revista americana TIME abordou um tema bastante polêmico no país: o porte de armas. Com o título Guns In America (Armas na América), o projeto engloba diferentes falas com o intuito de trazer pluralidade a uma temática que geralmente se vê presa ao dualismo extremo. 

Neste processo, foram entrevistadas 245 pessoas de três estados americanos – Dallas, St. Louis e Washington D.C. – todas com histórias que apresentam diferentes relações e perspectivas sobre armamento. 

Para ilustrar isso de forma atrativa e revolucionária, a revista teve como parceiro o fotógrafo francês JR, além de um time especial de profissionais. 

Em um grande mural on-line e ilustrado, é possível interagir com as imagens, que se movimentam e trazem de forma individual parte do depoimento de cada entrevistado; basta clicar na imagem da pessoa e dar o play. 

Produção que gerou no grande grupo uma reflexão sobre seus aspectos artísticos e sociais.  Com destaque para fatores como: humanização, diversidade de cenários, ilustração de conteúdos complexos, credibilidade e produção de conteúdo digital.

documentário biográfico

Michael Jackson: A vida de um ícone

plataforma: Netflix
2011 | 2h 35min

SOBRE

Um documentário que relembra a vida de um dos grandes ídolos da cultura pop, com destaque para a construção de sua marca. 

Em geral, a produção acompanha a vida de Michael Jackson de forma cronológica, com a forte participação de entrevistados e imagens de arquivo. Infelizmente, o roteiro peca em alguns momentos ao açucarar a realidade do artista, além de apelar para técnicas do documentário televisivo (como trilhas pesadas), o que nem sempre é bem-vindo no mundo das produções documentárias.

Críticas a parte, a grande ênfase vai ao conceito de marca produzido com perfeccionismo pelo próprio Michael, cuja excelência sempre foi um objetivo. Sua ideia era criar itens que fossem diretamente atrelados a ele, como a jaqueta e a luva única. Um conceito que encontramos no marketing e na construção de marca, neste caso, personal brand (marca pessoal). 

A partir do filme, também foi inevitável o questionamento entre o grande grupo sobre o legado cultural versus acusações de assédio e pedofilia (tornadas públicas de forma crua no documentário Deixando Neverland). Em uma era pós me too, muitos profissionais tiveram seus trabalhos esquecidos devido aos casos de abuso. Neste caso, provavelmente o mais difícil deles, nos encontramos em frente a uma parede, sem saber como lidar com o embate entre histórico pessoal e profissional de Michael Jackson. 

Uma dúvida cruel, que leva muitos daqueles que apreciam sua arte ao desconforto toda vez que escutam sua música. Quando falamos em dúvida, não nos referimos ao fato dele ter cometido ou não os atos – pois a palavra da vítima sempre será a mais válida – mas sim, nos referimos ao questionamento de ainda validar a produção musical e profissional de Michael, mesmo com as atrocidades cometidas por ele como pessoa. 

podcast

O negócio da nostalgia​

produção: braincast
2019 | 1h 27min

SOBRE

Qual o efeito da nostalgia? Neste podcast da Braincast, eles buscam entender esse fenômeno que molda um mercado e busca persuadir o emocional do público.

Primeiramente, a mesa redonda composta por Carlos Merigo, Marko Mello, Ana Freitas e Luiz Yassuda, busca entender o conceito de nostalgia, um sentimento saudosista que romantiza experiências passadas e ressignifica sentimentos. Um bucolismo que, em momentos de realidades conturbadas, cresce e torna-se um nicho favorável na indústria cultural.

Pense em uma música que marcou momentos da sua infância ou uma moda que fez parte de sua adolescência. Na vida adulta, reconectar-se com esses itens é ser automaticamente transportado para uma sensação positiva, uma visão do que parecia uma época mais simples e única.

Como exemplo, o grupo cita produções como novelas (Verão 90), séries (Stranger Things), filmes (remakes), música (Raça Negra) e produtos (Coca-Cola). Em cada caso, há uma ressignificação do produto – ele já não é visto e consumido da mesma forma de quando foi vivenciado – isso ocorre não somente por questões psicológicas, mas também, pela narrativa publicitária trabalhada pelo mercado.

Além disso, eles abordam efeitos antropológicos, como o ciclo dos 20 anos: quando uma geração enxerga a última década com desdém, todavia, a penúltima com romancismo; ou a relação entre a visão pessimista de futuro, que hoje é sempre distópico, e uma visão otimista de passado.

vídeo

Mauricio Meirelles: review filmes adultos

plataforma: youtube
2019 | 2 vídeos | 36min

SOBRE

(+18) A cultura dos filmes adultos também pode ser analisada com profundidade como o restante das produções cinematográficas?

Há quem duvide, mas os comediantes Maurício Meirelles e seu convidado Rafinha Bastos comprovam que sim é possível desenvolver uma resenha sobre o audiovisual pornográfico, mas de forma irônica e com muito humor.

Parodiando os moldes de famosos programas que desenvolvem resenhas e críticas de filmes, eles desenvolvem um vídeo que escracha os clichês de diferentes setores culturais, tudo isso na base do improviso.

O jogo de metalinguagens e referências tornam os vídeos ainda mais engraçados e brincam com a realidade do espectador. Até porque no quesito avaliação cinematográfica tudo torna-se importante, desde a atuação das atrizes até enredo e cenografia (que diga a tomada má posiciona em algumas das cenas).

Neste conteúdo mais leve, mas cheio de criatividade, o ideal é abrir a mente e buscar as diferentes referências que vão surgindo ao longo do vídeo.

Agora, qual indicação você mais gostou? Qual vai consumir primeiro? Curioso para o próximo Clubinho?

Fique de olho, pois no próximo mês mais inspirações virão por aí. Por enquanto, fique com outros conteúdos que já foram indicados em nosso blog:

Cineminha para o finde!

Confira as "14 produções audiovisuais para conhecer mais sobre comunicação, criatividade e marketing".

Conteúdos produzidos por mulheres!

Confira mais em "ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER: Coleção de Conteúdos"

Inspiração para períodos curtos!

Confira mais em "Uma hora e meia de inspiração, reflexão e criatividade com TED"
O que significa on-line e off-line para o marketing?

Quer investir em marketing para sua empresa mas está perdido em meio a todos esses termos em inglês? É normal não entender muitos dos jargões, mesmo os básicos, do mundo do marketing, levando-se em consideração não somente a complexidade da área, mas o fato de muitos de seus conceitos serem de origem estrangeira, por isso, não possuírem uma nomenclatura em português.

Mas, estamos aqui para ajudá-lo a descomplicar essa visão. Pronto para conhecer mais? Venha descobrir o real significado dos principais termos do marketing em nossa nova série especial: #MktDescomplica

Desta vez, é hora de entender o que significa os termos (bem comuns) on-line e off-line, mais especificamente no marketing:

Você já deve ter visto ou ouvido falar do tal do on-line e off-line, termos que se tornaram bastante comuns nos últimos anos, principalmente com a popularidade da internet, dos celulares smartphones e das redes sociais. Basicamente, ambas palavras da língua inglesa surgem da união de duas expressões variantes e uma fixa: on (dentro) e off (fora) + line (linha). Assim, seu significado geral tem origem na era das tecnologias digitais com o intuito de apontar quando se está conectado (on-line) ou desconectado (off-line). Ou seja, quando você está ativo em suas redes sociais, e-mails e aplicativos, você está on-line; já quando está realizando outras atividades fora da internet, no mundo físico, você está off-line.

Mas, muito além disso, hoje eles já são utilizados para expressar diversas coisas, o que pode ser bastante confuso. No caso do marketing, essas palavras possuem significados específicos (tradicional e digital), porém, ainda estão em consonância com a ideia de mundo digital e mundo físico.

Marketing 
Off-line

Desconecte a internet e todos os seus aparelhos digitais, o que você tem? Considere esse cenário por um momento, isso não lhe lembra de como eram os comércios antigamente? É exatamente por isso que muitos classificam as estratégias de marketing off-line como tradicionais, pois por muito tempo elas eram as únicas opções possíveis.

Dessa forma, no caso do marketing, o off-line abrange todas as estratégias e recursos que tem espaço no mundo físico ou nas mídias tradicionais (jornal, rádio e televisão). Alguns exemplos clássicos disso são as propagandas para televisão, outdoor, panfletagem, correspondências via correio, eventos e, claro, ações presenciais (no ponto de venda/comércio).

Neste caso, o marketing off-line é geralmente utilizado em casos no qual se visa atingir um público segmentado sem acesso ou conhecimento digital (devido a renda, localidade ou faixa etária), o que o torna, ainda hoje, uma das melhores opções para campanhas destinadas a um público maior ou de massa, pois para englobar a todos é necessário utilizar a mídia mais acessível. – o que ainda não é a internet.

0%

No Brasil, 35,3% da população acima de 10 anos não tem acesso à internet, o que  representa quase 60 milhões de pessoas, se concentrando principalmente no segmento acima de 60 anos;

A maior fraqueza deste tipo de marketing, além do fato de ser mais invasivo, é a dificuldade para se mensurar os resultados  em números concretos. Por isso, caso busque avaliar a campanha, é necessário bastante planejamento, com objetivos e estruturas bem definidas. Um ótimo exemplo disso é o marketing outbound mais moderno: simplificando, esse estilo de marketing é voltado a ações mais pró-ativas e agressivas de abordagem visando aqueles que são clientes em potencial, logo que identificados.

Pontos positivos

  • Credibilidade
  • Acessibilidade
  • Alcance de Massa
  • Experiências próximas

Pontos negativos

  • Sensação de Invasão
  • Desperdício de Investimentos
  • Dificuldade de mensuração
  • Estratégias antiquadas
Marketing 
On-line

Com a revolução da internet, todos estamos frequentemente conectados. Segundo dados do Ibope, os brasileiros ficam diariamente 3h39min nas redes sociais. Isso oferece um ambiente perfeito para divulgar um negócio, não? Exatamente por isso que o marketing on-line ou digital está em pico atualmente. Suas ações ou estratégias são realizadas todas no mundo digital (recursos que dependem da internet), o que pode ser por meios como: e-mail, redes sociais, sites, vídeos, aplicativos de celular e muitos outros, as opções são múltiplas.

O que você deve saber sobre social media

Descubra mais sobre o poder das redes sociais no marketing digital neste texto do blog.

Visto isso, ele se torna uma forma menos invasiva e mais rotineira na vida das pessoas, algo que possibilita uma relação mais personalizada entre marca e cliente. Sua plataforma oferece ferramentas que identificam um público melhor segmentado (por gostos, localidades, idades, faixa econômica e muitas outras características), ou seja, devido ao acesso a informações mais amplo, é possível compreender melhor o seu consumidor, o mercado e seus concorrentes. Além de tudo, é também mais fácil mensurar o resultado de suas campanhas, com programas e metodologias voltadas especificamente para isso.

Pontos positivos

  • Segmentação
  • Custo-benefício
  • Engajamento
  • Mensuração de resultados

Pontos negativos

  • Concorrência
  • Pessoas desconectadas
  • Estratégias mal aplicadas
  • Interações negativas
Em qual investir? 
Animate

Antes de comparar ambas em uma luta infinita por em qual delas deve investir, que tal pensar em uma forma de fazer com que ambas conversem entre si ao seu favor? Como empresa, cada caso é um caso, mesmo assim, o ideal é balancear ambos estilos e aproveitar os pontos positivos que as duas oferecem; daí, dependo do seu público-alvo ou nicho de mercado, você poderá pender mais para um lado ou para o outro.

O ideal é que você utilize ambas de forma a criar uma experiência marcante ao seu cliente, para que ele se sinta bem-vindo a se envolver com a empresa. Utiliza-as também para conhecer sua clientela, estreite os laços. E sempre busque inovar, investir em recursos atualizados e quebrar estigmas. O marketing on-line nem sempre será a resposta e o off-line nem sempre precisa ser antiquado, muito pelo contrário; por exemplo, ele pode ser uma grande aposta para experimentar o marketing sensorial, que não pode ser utilizado em totalidade pelo digital.

Também nunca se esqueça: ambas estratégias devem seguir uma mesma linha. O melhor resultado virá quando a empresa conseguir desenvolver um diálogo entre o off-line e o on-line, sem que sejam opostos, mas sim, como complementares.

Veja mais um texto do #DescomplicaMKT

Descubra mais um conceito básico do marketing no texto "Afinal, o que é branding?"
Afinal, o que é branding?

Quer investir em marketing para sua empresa mas está perdido em meio a todos esses termos em inglês? É normal não entender muitos dos jargões, mesmo os básicos, do mundo do marketing, levando-se em consideração não somente a complexidade da área, mas o fato de muitos de seus conceitos serem de origem estrangeira, por isso, não possuírem uma nomenclatura em português.

Mas, estamos aqui para ajudá-lo a descomplicar essa visão. Pronto para conhecer mais? Venha descobrir o real significado dos principais termos do marketing em nossa nova série especial: #MktDescomplica

Começando pelo básico, é hora de entender o que significa aquele tal de branding.

Provavelmente um dos termos mais utilizados no mundo do marketing, o branding tem as percepções mais amplas e às vezes equivocadas, decorrente do fato que muitos não sabem exatamente sua real definição. Sendo simples e direto, no bom português, branding (verbo oriundo da palavra inglesa brand, que significa marca) significa gestão de marca. Ou seja, ele se refere a todas as ações e estratégias que tem como objetivo definir a personalidade (ou até reputação) da marca a fim de consolidá-la e torná-la mais atrativa ao mercado.

“São ações que, tomadas com conhecimento e competência, levam as marcas além da sua natureza econômica, passando a fazer parte da cultura, e influenciar a vida das pessoas.”

José Roberto Martins

Essas ações são essenciais para o desenvolvimento de todos os processos da empresa, não somente da comunicação e relação com o cliente. Dessa forma, são primordiais desde o início da jornada de negócio, visto que assim é possível desenvolver a marca com credibilidade e embasamento, tendo noção que essa prática visa resultados a longo prazo.

A importância do branding 

Nesse processo de construção e gestão da marca (todos os fatores que a compõem) dois pontos são importantíssimos: imagem e valores. O primeiro remete a aspectos mais visuais e o segundo a questões éticas e de conexão emocional. Quando ambos são bem definidos e executados, a marca tem mais chance de chamar atenção, se diferenciando da concorrência e desenvolvendo um laço mais concreto e duradouro com o consumidor.

Na era digital isso ganha novos nuances. A imagem é de extrema importância para ser único, e os valores ainda mais. Marcas sem profundidade ou impacto estão perdendo seu espaço aos poucos. Por isso, é fundamental que isso seja bem elaborado desde o princípio, como parte do branding.  

Assim, sua marca vai se transformando, aos poucos, em uma “pessoa”, ganhando formato, personalidade e posicionamento. São essas características de origem humana que a tornam acessível e relacionável ao público. Como diz o criador do Starbucks, Howard Schultz, “Uma marca tem que parecer um amigo”.

Como apresentado por muitos pensadores, a escolha do público por uma determinada marca se dá pela identificação com os sentimentos e sensações que ela nos transfere. Quando conseguimos enxergar na marca aquilo que vemos ou que almejamos ver em nós, a conexão está feita com sucesso.

Mas, atente-se! É preciso veracidade e constância na identidade ou DNA da sua marca. Todos os mínimos detalhes devem estar em sintonia com a realidade da empresa e suas visões de mundo, pois se há algo que o público odeia é quando são enganados. Assim como uma pessoa, a marca deve ter convicção naquilo que comunica e evitar aquele ditado do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, o que é comunicado deve condizer com o que é praticado no dia a dia.

Branding na prática 

O branding não possui uma única forma de executá-lo. São diversas metodologias que possuem pontos em comum. Inicialmente, a maioria delas parte de uma série de questionamentos e bastante pesquisa. Esse é o momento de entendermos o mercado em que a marca está prestes a se inserir ou já inserida: qual o seu produto/serviço? Quais são seus concorrentes? Quais são seus diferenciais? Quais seus pontos positivos e negativos? Quem é o seu público consumidor? Qual será seu papel e impacto como agente social?

Essas e muitas outras questões servirão para entender o posicionamento da sua empresa, com quem ela irá se comunicar, como irá exercer sua ética e responsabilidade social, e o que ela tem a oferecer. É necessário ter esse conhecimento para então definir as ações que devem ser aplicadas. Conhecimento é chave, sem ele as estratégias facilmente podem cair por terra ou ter os resultados contrários. Algumas das metodologias mais conhecidas para isso são a Análise SWOT e Wanna Be. 

Depois de analisar todos esses pontos, coloca-se a mão na massa. Se a marca é nova, o processo parte da escolha do nome (naming), slogan e na criação da identidade visual (logo, sinais gráficos, cores e aspectos visuais em geral). Esse detalhes visuais devem estar em sintonia com a personalidade da empresa, seu negócio e com o perfil do público consumidor. Isso porque essa será a primeira e principal conexão entre indivíduo e marca, e, geralmente, é o aspecto mais memorável e reconhecível entre a população. Assim, define-se o design que será utilizado em produtos gráficos off-line (impressos) e on-line (digital), pelo qual a empresa será lembrada e associada.

Visto isso, do outro lado da mesma moeda estão as estratégias de comunicação (publicidade/imprensa/relações públicas), que podem ser tradicionais ou digitais. Neste ponto o importante é escolher os meios e a linguagem que mais combinam com sua marca e que irão atingir o público alvo com mais facilidade e impacto. A chave do sucesso nesse ponto se encontra objetivos bem delineados, criatividade e (claro!) informação.

Sem uma base concreta, o branding pode se tornar um barco furado, cheio de conceitos mas sem nenhum resultado real. Fuja do famoso meme expectativa vs. realidade, fuja de discursos pomposos somente pois parecem mais efetivos. Para o branding ser de sucesso não há uma receita pronta, é primordial unicamente que você parta do fator mais importante: quem é a sua marca? Ah, e contrate profissionais especializados para auxiliá-lo nesse processo.

*Infográfico: Branding Design 4 One