Entenda a jornada de compra dos novos consumidores

Muda a década e, juntamente com ela, mudam os comportamentos sociais e econômicos da população. O que um dia foi atrativo e motivo de atração comercial já não tem mais significado ou impacto para o consumidor. Novas gerações surgem com diferentes expectativas e desejos na hora da compra. Em meio a essas mudanças, é extremamente importante que as empresas busquem se adaptar rapidamente. Ser flexível e se permitir reinventar é um ponto forte para se destacar no novo mercado. 

Mas, antes de entrar em ação, é preciso compreender a anatomia desses comportamentos, buscando seus padrões pelo quais podemos nos espelhar. Pensando nisso, mostramos neste texto a nova jornada do consumidor brasileiro e suas principais tendências, baseado em um estudo apresentado pelo portal Gente, da Globosat.

EMOÇÃO VERSUS RAZÃO

O que antes era regido pela emoção e o impulso, hoje dá lugar à razão. Nunca o brasileiro ponderou tanto antes de realizar uma compra. Um país que sempre teve as emoções à flor da pele, inclusive na hora de consumir, agora segue um fluxo mais globalizado. As experiências tecnológicas e a inovadora Geração Z trouxeram consigo uma nova ótica ao processo de consumo mundial, algo que começa a afetar também os brasileiros. 

A lógica agora é inversa da que tradicionalmente conhecemos: não é mais o mercado o centro da história, mas sim, é o comportamento dos consumidores que ganha protagonismo. Em termos profissionais, não somos mais orientados pelo mercado (market-oriented), somos conduzidos pelo comportamento (behaviour-oriented).

No antigo cenário, o funcionamento era previsível e estável. Nele, a indústria que pautava o varejo que, por sua vez, pautava o consumidor. Assim, a diversidade de opções era escassa e somente quem as definia era o mercado. Todas as tendências eram agendadas e ditadas pelo marketing, mesmo que parecesse o contrário. O cliente ficava apenas em uma posição passiva de aceitá-las. Sem falar que o consumo, guiado pela emoção, levava a compras que valorizavam o prazer imediato, independente da qualidade ou valor, levando ao acúmulo de dívidas e frustrações. 

Isso acompanhou o boom econômico do início do século, quando os brasileiros levaram o consumo a um nível recorde. Todavia, a euforia durou pouco e entrou em queda a partir da crise econômica mundial de 2008. A instabilidade econômica, o crescimento do desemprego e os escândalos políticos abalaram profundamente a confiança e sensação de segurança do povo, que logo reagiu com uma percepção mais crítica sobre a situação do país, inclusive sobre o mercado.

Para engrossar esse caldo, a coexistência on-line e off-line abriu um mundo de experiências à população. A comunidade, que antes era física, ganhou um novo espaço de interação nos computadores e smartphones. Novos contatos levaram a novas referências de mundo e a cada vez mais acesso à informação. Com um repertório mais amplo e diversificado, não fazia mais sentido se contentar com as ofertas ditadas pelo mercado. As demandas e desejos do consumidor ganharam supremacia.

O PESO DA INFORMAÇÃO

Com a razão surge o um pensamento na hora de consumir: o quanto isso vai me custar?

A compra por impulso ainda existe, mas ela não é mais a principal forma de consumo. Quem toma seu lugar é o autocontrole, permeado por uma sequência de ações: pesquisas em canais de informação e portais de compra, comparação de custo-benefício, criação de parâmetros para embasar a escolha e a compra final.

Quanto mais jovem a pessoa, mais inclinada ela está a seguir estímulos de informação, referência e razão. É preciso entender o que essas vozes e referências comunicam, para então compreender o que o consumidor espera do mercado. Pense em sites de reclamação, sistemas de cinco estrelas, reviews, redes sociais, sites e aplicativos dedicados à comparação de custo-benefício, pesquisas de mercado, publicações jornalísticas, mídia cultural e, principalmente, influencers

Porém, não se equivoque nesse processo de mutação, é preciso acompanhar o ritmo e, principalmente, entender o comportamento a fim de segui-lo, não ultrapassá-lo. Essa é a órbita de referências, é preciso se incluir nela, não quebrá-la.

TENDÊNCIAS DE CONSUMO

Ao contrário de correr na frente, você pode é tentar entender as pistas e prever quais são as principais tendências de comportamento. A partir delas é mais fácil de se criar caminhos que cativam, conquistam e engajam o público. Pensando nisso, o estudo apontou sete das principais tendências da virada da década no Brasil: 

#1 OWNER MINDSET

O consumidor brasileiro passou a pensar e agir como um sócio da marca. Ou seja, além de cliente, ele tem a mentalidade de investir e dar valor aquilo que acredita. Dessa forma, a compra se transforma também em um ato de manter a viva a marca pela qual se identifica. Isso também se transforma em apoio, suporte e divulgação nas redes sociais e na vida em geral. Aqui, o conteúdo de marca se reverte em valor de compra.

#2 Z-STORE

A Geração Z surge buscando um novo conceito de loja: a fusão entre o real e o digital. Nascidos em meio a essa mistura, as novas relações e sensações por eles cultivadas no on-line e off-line agora seguem em simbiose, diferente das outras gerações, que tendem a separar os campos. 

Ao contrário do cenário atual, que ainda trabalha de forma separada e segmentada o varejo on-line e offline, eles buscam a equidade entre os espaços, como se ambos fossem parte de uma única experiência. O que vale para um deve valer para o outro, estando esses em conexão. Assim, o físico condiciona o digital, da mesma forma que o digital condiciona o físico.

#3 ALGORITHM PLAY

Uma das principais mudanças do comportamento racional na hora de consumir é o ato de controlar os impulsos para garantir uma melhor compra final. Se antes a falta de opção e comparação nos levava a seguir esse impulso, hoje temos a oportunidade de explorar e criar estratégias pessoais de busca e escolha do melhor custo-benefício

Isso vai desde simular cenários até compreender o funcionamento dos algoritmos de venda on-line. Tudo isso para se chegar ao melhor momento e o melhor preço. Sem ansiedade, a melhor opção de compra sempre aparece

#4 MONEY PUZZLE

Com uma visão mais racional, a preocupação financeira do brasileiro amadureceu e afetou como lidamos com o pagamento de nossas compras. De forma ponderada, pensamos melhor em como realizar o pagamento, para então fazê-lo com assertividade.

Na hora de finalizar a compra no caixa ou no site, pense bem nas formas de pagamento que irá disponibilizar ao seu cliente e qual delas quer que seja a mais aceita ou atrativa. Pode parecer algo simples, mas é bastante complexo. Dentre as diversas opções, cada uma delas se encaixa a diferentes critérios e motivos.

#5 UBIQUITOUS DELIVERY

A vida corrida e imediatista impulsionada pelos estímulos constantes do mundo digital e pelo conceito de produtividade criam uma sensação de urgência na hora de receber as encomendas. Por isso, as empresas devem se adaptar para oferecerem prazos e formas de entregas que se encaixem nessas demandas do ritmo atual

De retirar na loja física a delivery em casa, o mais importante é expandir o leque de possibilidades, pois cada uma delas pode ser mais cômoda e ideal para cada caso e cada consumidor, tudo depende do tempo e do espaço.

#6 REPUTATION ERA

Um passo em falso e sua empresa está em grande risco. A perda de confiança da população brasileira e sua visão mais crítica da realidade influenciam também na relação com as marcas que consumimos. Qualquer mancha na reputação pode marcar permanentemente a credibilidade da companhia e não satisfazer um grande grupo de possíveis clientes. 

Aqui o mais importante é que a imagem da marca esteja sempre em coerência com suas ações e, principalmente, pelo o que é vocalizado por seus clientes. A incoerência aqui gera distanciamento e desconfiança. Causar um impacto positivo ou negativo vai depender muito de equilibrar essa relação, inclusive nas interações on-line, canal escolhido pelos consumidores para compartilhar experiências boas e suas dores. Não contente-se em realizar apenas aquilo que é esperado, afinal, isso não será nada mais do que sua obrigação. Surpreenda e escute seu consumidor

Aprenda a usar o feedback do cliente ao seu favor!

Saiba mais em nosso texto: "Feedback do cliente: uma ferramenta preciosa para evoluir".

#7 CINDERELA MODE

Provavelmente a tendência que mais cresce no momento, ela se refere ao abandono da noção de posse. As novas gerações não querem mais possuir, mas sim, ter acesso e de forma temporária. Não há mais necessidade em se ter algo de forma permanente, somente quando necessário. Seja por uma hora, uma noite, uma semana ou o tempo que for, quando precisar, terei; quando não mais precisar, devolverei. 

Marcas extremamente populares, como Airbnb, crescem a partir desse conceito; assim como, novos movimentos de varejo são criados, como a ideia do closet compartilhado e da mobilidade por aplicativos. 

O consumidor brasileiro passa por uma fase de amadurecimento financeiro, na qual o que um dia foi regido por puro impulso passa a ser um conjunto de ações e estratégias: pensar, questionar, avaliar, mensurar decidir e pagar.

Não fique perdido ou parado no tempo. Esqueça o marketing voltado à ideia de pose ou de consumo desfreado. Atualize o seu negócio conforme o comportamento do novo consumidor e esteja pronto para se transformar e sempre servir bem. 

Clubinho da Inspiração #4: melhores do ano

Bem-vindos ao Clubinho da Inspiração!

Após alguns meses afastados, voltamos!
Nosso objetivo contínua: estamos aqui para reunir algumas das principais indicações de conteúdos que devem justamente inspirar: reflexão, criatividade, sabedoria, emoção e críticas. 

Para o último mês do ano (e da década), resolvemos fazer uma retrospectivas com indicações dos melhores conteúdos que vimos ao longo de 2019. Pense nas coisas mais impactante desses últimos 12 meses, elas estão aqui.

Todo mês, cada participante indica um conteúdo de forma secreta. As indicações são sorteadas entre o grande grupo (tipo amigo secreto). Cada um fica responsável de consumir o conteúdo que sortear dentro do prazo combinado. 

No dia da reunião do clubinho, além de muita comilança, todos apresentam seus conteúdos, com o objetivo de uma reflexão coletiva e, claro, para tentarmos adivinhar quem o indicou em primeiro lugar. 

1 – Seja criativo;

2- Qualquer produção vale como indicação (não se prenda apenas ao óbvio);

3- Produções que incentivem preconceitos e cultura de ódio estão VETADAS;

4- Tente diversificar e apresentar produções de pouco reconhecimento ou desenvolvidas por minorias sociais;

5- Seja crítico com aquilo que consome (nada de passar pano);

6- No dia da reunião, sempre que possível, traga ceva, comes e boa conversa consigo;

7- Engaje nas conversas dos outros conteúdos que não foram indicados ou sorteados por ti;

8- Venha de mente aberta, sempre!

No momento, os integrantes do clubinho fazem parte da equipe da agência, mas quem sabe, no futuro, você também possa fazer parte. Caso tenha interesse, estamos de portas abertas (nos contate!). 

Agora, as feras indicadoras:

Júlio #boss, Amanda #jornalista (social media e redatora), Daiane #designer (head de criação), Joel #criação e Alan #comercial (ainda criaremos apelidos mais criativos). 

Percebemos que, no mundo de hoje, podemos aprender em espaços que vão muito além de cursos e conteúdos educacionais. 

Ainda mais na era de produção de conteúdo, na qual podemos encontrar e explorar algo interessante e criativo, em grandíssima quantidade, nos mais diversos formatos. 

Pensando nisso, e mergulhados no sentimento de que muitas vezes ficamos perdidos com a quantidade enorme de opções de consumo (todos sabemos o que é demorar horas para escolher algo na Netflix), resolvemos criar uma forma de “trocar” conteúdos. 

Assim, o objetivo é guiar um ao outro em meio à imensidão de produções. Além de aumentar o repertório (algo muito importante quando se trabalha com criatividade) e gerar reflexões mais profundas sobre assuntos que muitas vezes ignoramos.  

MELHOR DO CINEMA

Coringa

2019| 2h 02min

SOBRE

Uma das maiores bilheterias do cinema de 2019, Coringa chegou como uma tapa na cara da sociedade.

Aqui, o personagem icônico das histórias em quadrinhos – provavelmente, um dos vilões mais conhecidos da cultura pop – deixa de lado seu apelo caricato para se tornar humano. Um humano que sofre e que é produto de sua sociedade. Um humano que carrega sozinho a âncora dos problemas de saúde mental, sem apoio de ninguém, muito menos do Estado. 

Ele deixa de ser ficcional para nos lembrar aquilo que vemos na vida real. Sua narrativa surge para encararmos a dura verdade de que não vivemos em um mundo preto no branco, mas sim cinza. Bem e mal são inerentes de todos nós; como lidamos com isso parte da própria interação que temos com o mundo. Aqueles ao nosso redor, principalmente, o governo, tem um papel crítico nisso.

Quanto aos méritos do filme como produção audiovisual, a lista também é longa. A coloração e vibe mais “dark“, típica das produções da DC, ganha ainda mais força para representar essa alma pesada que vaga em uma cidade abandonada. Na mesma linha, a trilha sonora dá um show nos momentos certos (que o diga a famosa cena da dancinha na escada). 

Mas quem realmente é o centro das atenções é a atuação de Joaquin Phoenix. Cru e profundo, ele embarca novamente em um personagem complexo (de muitos de sua carreira). Não é para menos que somos impactados por todas as suas emoções, principalmente sua tenebrosa risada. É difícil não se sentir envolvido, mas mais difícil ainda é sair sem uma nova visão de mundo.

melhor do marketing

Campanhas na transmissão de futebol da Globo

2019

SOBRE

2019 foi uma ano de renovações na comunicação da maior rede brasileira: a Globo. 

Mesmo anos à frente das concorrentes quando se trata de produção e conteúdo, a emissora enfrenta suas primeiras crises de audiência e também de posicionamento das campanhas e merchandising.

Buscando uma nova forma de engajar com o público, a Globo arriscou e testou novos formatos, incluindo campanhas inovadoras em meio à transmissão de futebol, mais especificamente, no jogo entre Flamengo e Palmeiras, no Maracanã.

Pela primeira vez, a campanha partiu da conversa entre os narradores e comentaristas do jogo (o que antes se reservava apenas às chamadas de novela). Mas não para por aí.

Em seguida, o famoso Cartolouco apareceu em meio à torcida com um super cartaz, divulgando um código de desconto para o Ifood. Um tempo depois, durante o intervalo do jogo, vemos tanto o narrador Luis Roberto, como os comentaristas Casagrande e Júnior, receberem as sacolas do Ifood com seus pedidos. 

Independente da reações negativas ou positivas, o fato de uma emissora tão tradicional ter saído do básico e buscado novas formas de interagir com o público demonstra que a publicidade pode sim alcançar novos patamares.

melhor do podcast

Era Uma Vez no Oeste

PRODUÇÃO: GAÚCHAZH
2019 | 50 episódios

SOBRE

Sem dúvida, este foi o ano dos podcasts. Isso que o mercado ainda tem muito a crescer no Brasil. 

Mesmo dando seus primeiros passos, já temos grandes produções que merecem destaque. Entre elas está a produção gaúcha feita pelos jornalistas Luciano Potter, Magro Lima e Daniel Scola.

O Era Uma Vez no Oeste é um daqueles podcasts que falam sobre literalmente tudo, sempre com aquele embasamento histórico importante. Mas o que o diferencia do restante é o fato da narrativa ter um fio condutor ou, como diria o CEO do Ted Talks, uma linha mestra. Neste caso, o que conecta todos os episódios é a série americana The West Wing. 

Porém, não se preocupe, não é necessário assistir a série para entender o que eles estão falando. Isso porque o seriado é apenas um apoio, um pano de fundo para os assuntos que realmente serão abordados. Os temas são os mais variados, mas geralmente girão entre cultura, política e sociedade.

Basta ver os títulos dos episódios para perceber que, mesmo com assuntos mais complexo, a vibe é atual. Isso acontece justamente para demonstrar como alguns temas são atemporais e fazem parte do cerne da sociedade. 

melhor em reflexão

O tempo e a vida

plataforma: youtube
2019 | 9min

SOBRE

Infelizmente, o ano foi marcado por tragédias que deixaram todos em choque – como o rompimento da barragem em Brumadinho e o incêndio no CT do Flamengo. 

Dentre as diversas reflexões que elas deixaram, incluindo as discussões sobre o papel de responsabilidade do Estado e o descaso dos responsáveis, a valorização da vida e do tempo também ganha um momento de atenção. 

Em uma sociedade tão corrida, sempre em busca de produtividade e de algo para se fazer, onde os bens materiais tornam-se os mais valorizados, perdemos a noção de certas coisas, como a fragilidade da vida. 

Com isso esquecemos também a preciosidade do tempo, ocupando-o de forma banal e ignorando aqueles momentos que realmente deveriam ser saboreados com calma e atenção. 

A escolha deste recorte de uma das palestras do Cortella – um dos grandes pensadores atuais – reflete justamente sobre esse tema. Apontando algumas das incoerências na forma que lidamos com a vida e o tempo. Vale muito a pena assistir e tirar esse momento de reflexão.

melhor da publicidade

Campanha Skol Puro Malte

2019 | diversos vídeos

SOBRE

Não é novidade que o mercado publicitário das marcas de cerveja precisa urgentemente se renovar. A época das propagandas machistas estão com seus dias contatos e no seu lugar chega a era das propagandas realmente criativas, como é o caso da Skol.

A marca enfrentou grandes críticas por conta de propagandas sexistas, o que a levou a fazer uma grande troca na equipe de Marketing e repensar as abordagens de mercado. 

Assim, iniciaram ações publicitárias mais jovens, voltadas ao público em geral, demonstrando uma atitude mais “cabeça aberta” e progressiva, justamente para desconstruir a ideia antiquada e banal que a marca carregava consigo. 

Neste ano, o lançamento da Puro Malte foi um dos grandes destaques, com ações voltadas a ideia de negação, envolvendo conceitos bem populares atualmente – como fake news e haters – e com aquele humor mais irônico e inteligente (graças, esse é o adeus ao humor pavê ou pra comê).  

Assim, surgiu a cerveja perfeita para o verão, mesmo sendo puro malte.

BÔNUS

melhor da música

Lizzo - Truth Hurts

plataforma: youtube
2019 | 3min17s
melhor do jornalismo

Vaza Jato

produção: the intercept
2019 | 22 reportagens
melhor pessoa

Greta Thunberg

ATIVISTA AMBIENTAL
apenas 16 anos
melhor meme

Juntos e Shallow Now

categoria: traduções bizzaras
2019

O que mais marcou o seu 2019? E na década, qual conteúdo foi mais marcante?

Esperamos que anova década reserve novas super produções e muitos clubinhos, para alegria da galera.

Enquanto isso não vem, você pode aproveitar e fazer uma retrospectiva dos outros clubinhos do ano:

O primeiro de todos!

Veja as indicações do "Clubinho da Inspiração #1: test drive de indicações".

Bora maratonar!

Confira as melhores produções audiovisuais em "Clubinho da Inspiração #2: a era do audiovisual"

Para quem quer aprender!

Puro conhecimento em "Clubinho da Inspiração #3: hora de aprender"
O poder de engajamento do Inbound Marketing

Quer investir em marketing para sua empresa mas está perdido em meio a todos esses termos em inglês? É normal não entender muitos dos jargões, mesmo os básicos, do mundo do marketing. A área já de certa complexidade, mas os conceitos e termos em língua estrangeira – que raramente possuem uma nomenclatura em português – tornam tudo ainda mais complicado. 

Mas, estamos aqui para ajudá-lo a descomplicar essa visão. Pronto para conhecer mais? Venha descobrir o real significado dos principais termos do marketing em nossa série especial: #MktDescomplica

Desta vez, é finalmente hora de entender o que significa o tão falado Inbound Marketing, qual a sua conexão com o Marketing de Conteúdo e de onde vem seu poder de atração.

Assim como tudo neste mundo, o consumidor mudou muito nos últimos anos. Acompanhando essa transformação, a era da propaganda agressiva foi colocada para trás e, para substituí-la, surgiu uma estratégia que busca chegar mais próximo do consumidor, encantando, criando laços e só então convertendo-os em venda. Esse é o Inbound Marketing, ou Marketing de Atração.

Sua origem está justamente conectada a um momento de metamorfose: o da criação do marketing digital; foi quando percebeu-se que a plataforma digital oferece maior controle ao consumidor, transformando-o de passivo a ativo. Logo, compreendeu-se que é muito mais atrativo conquistar o cliente por aquilo que ele busca, oferecendo-o a chance de trilhar seu próprio caminho, do que forçando-o a algo.  

Ou seja, ao contrário de abordar todos os clientes em potencial de forma interruptiva (como o antigo Outbound Marketing), seu método se baseia na atração de um público alvo (pré-definido) por meio de conteúdos que engajem, eduquem e agreguem valor. Para isso, seu principais pilares são: Marketing de Conteúdo, SEO e Estratégias em Redes Sociais.

Entenda a diferença entre Inbound e Outbound

Acesse nosso texto e entenda como funciona a forma mais tradicional de marketing

Esses conteúdos podem ser os mais variados, desde formato de mídia até plataforma. Os principais utilizados atualmente são blogs, e-books, infográficos, postagens de rede social, vídeos, podcasts, playlists, e-mail marketing, tutoriais, webinars e outros.

Quando a ação é feita com sucesso, o cliente vem até a empresa e abre espaço para uma comunicação mais intensa. Em seguida, ao alimentar essa relação, é possível criar um vínculo duradouro (fidelizar) e ainda fazer com que ele divulgue seu serviço/produto, tornando-o promotor da sua marca.

Benefícios do Inbound Marketing 

A popularidade do Inbound Marketing está relacionada diretamente aos benefícios que essa metodologia cultiva. Ela não é a escolha global para todas as formas de negócio ou para alcançar qualquer objetivo – principalmente por ser uma estratégia de longo prazo – todavia, utilizando-a corretamente, ela demonstra ser ideal para não somente alcançar novos clientes, mas também, preservá-los

Suas vantagens já começam aí. Enquanto o Outbound Marketing pode abranger qualquer público, o Inbound atinge o público certo e qualificado, aquele que você tem como foco e que mais certamente se envolverá com sua marca de forma positiva. Isso também facilita que se crie uma relação mais próxima com o cliente, ideal para a troca de experiência, o que aumenta o poder de persuasão da marca.

Justamente por ser uma iniciativa melhor definida, além de depender mais de produções on-line de conteúdo, ela também possui custos bem menores, cabendo no orçamento de grandes e pequenas empresas. Segundo relatório da Hubspot, as empresas que utilizam o Inbound Marketing têm um custo 62% menor do que aquelas que apostam em meios mais tradicionais.

Sem falar que seu ciclo de vendas é mais curto e mais simples quando comparado ao mais complexo do Outbound Marketing. Igualmente, a mensuração de dados de engajamento do cliente são mais fáceis de se adquirir e acontecem em tempo real

Primeiros passos  

Antes de partir para os conceitos das fases da pré-venda, é importante definir os pontos essenciais que irão embasar e guiar a metodologia. 

Em primeiro lugar é preciso se perguntar: qual o seu objetivo? A resposta desta questão será o objetivo central, a partir do qual se buscará as melhores ações a serem desenvolvidas. O foco deve estar naquilo que é realmente necessário e irá agregar à marca, sem se perder em meio a várias metas.

Após, defina a sua persona. Ela é a base para a elaboração de conteúdos, pois auxilia na imaginação do público alvo, incluindo qual linguagem e imagem engaja melhor.

Descubra como fazer uma persona

Veja mais sobre essa técnica em nosso texto.

Sabendo quem é o público, torna-se mais fácil definir também os canais de comunicação que serão utilizados. Em outras palavras, esse é o momento de escolher os formatos de conteúdo (e suas plataformas), levando em conta aqueles que são mais próximos e atrativos à persona. Lembrando que todos os canais, inclusive on-line e off-line, deverão estar alinhados e em sintonia para que a experiência do cliente seja completa em qualquer lugar.

Estipulado isso, é hora de colocar a mão na massa e planejar. O Inbound Marketing depende diretamente de um bom planejamento estratégico. Sabemos que isso não é algo simples, muito pelo contrário, o planejamento é uma das partes que mais exigem; contudo, é essencial estipular um calendário editorial completo, com as datas e seus respectivos temas e assuntos a serem abordados.

Dica importante: especialistas indicam a regra do 80/20 – dedique 80% do conteúdo a educar o cliente e apenas 20% a conteúdos diretos de venda. 

Quando os conteúdos estiverem prontos e compartilhados com o público, não significa que seu trabalho terminou. Após, é preciso acompanhar, armazenar e analisar os resultados. Isso pode ser feito a partir de dados e métricas, muito importantes para medir o impacto e engajamento com o público, ou também por meio do próprio público em si – é crucial escutar a sua audiência

Crie esse ambiente de troca e conversação. Assim, torna-se mais visível os pontos positivos e aqueles que devem ser melhorados.

Funil de vendas  

O processo do Inbound Marketing na prática é pensado a partir da ideia do funil de vendas, um modelo que demonstra a jornada da sua relação com um possível cliente. É de extrema importância construir um funil de vendas com etapas claras. Veja o principal modelo abaixo:

O topo do funil é o momento em que o visitante toma consciência da marca. Ele pode ainda não possuir um problema ou objetivo, mas essa é a hora de converter seu conhecimento sobre a empresa e serviço/produto, para futuramente, quando o problema surgir, ele se lembrar da marca.

O meio do funil representa a fase em que o consumidor deve ser educado sobre a marca e seu serviço/produto, com conteúdos que sanem suas dúvidas, demonstrem as vantagens de uma possível compra e o porquê realizá-la. Para isso, você também deve se relacionar com o possível cliente.

O final do funil divide-se em duas partes, porém ambas representam o momento em que o cliente está certo de seu problema e necessidade, ou seja, é a hora de vender. Aqui ele irá avaliar o caso – comparação da empresa com outras similares – e decidir pela compra do produto/serviço, para após, como cliente, avaliar, compartilhar sua experiência com outros e considerar uma possível nova compra. 

Há também a jornada do comprador, que não deve ser confundida com o funil de vendas. Ela é representada por três passos que o cliente toma antes da compra, considerando somente o processo de relação por parte do consumidor:

  • Descoberta de um problema;
  • Consideração da solução para esta questão;
  • Decisão pelo produto que atenderá as suas dores.

Esse conhecimento também ajudará na elaboração das etapas do funil de vendas, conforme as especificidades de diferentes negócios, levando em conta os problemas relacionados a cada tipo de solução.

Agora que entendemos o significado de Inbound Marketing, você deve estar se perguntando: como aplicar isso na minha empresa? 

Como qualquer outros serviço de marketing, é importante que ele seja desenvolvido e realizado por profissionais da área. Contate-nos para saber como podemos ajudá-lo nesta jornada:

Como as cores são percebidas ao redor do mundo?

O que cada cor significa para você? Quais sentimentos elas transmitem?

Essas questões pode não ser muito relevantes a muitas pessoas, mas quando se trata de setores como marketing, produção de conteúdo e criação, o significado das cores é essencial. Ao escolher qual cor utilizar, os profissionais dessas áreas estão escolhendo, ao mesmo tempo, seu público alvo, a mensagem e o sentimento que será transmitido.

Quando se trata de materiais publicitários e identidade de marca, isso se torna ainda mais decisivo, pois definirá tanto o posicionamento da empresa quanto sua personalidade. Ou seja, a cor pode ser definitiva para o sucesso de um negócio, mesmo que não se perceba. 

Pensando nisso, um grupo resolveu aprofundar esse conhecimento e questionou-se: como as cores são vistas globalmente? Levando em conta as diferentes culturas e costumes, será que as perspectivas ensinadas em cadeiras como “psicologia das cores” realmente abrangem uma visão internacional?

Assim surgiu a pesquisa desenvolvida por Cassandra King, que entrevistou 2,2 mil pessoas em mais de 50 países ao redor do mundo. O método utilizado foi simples: cada entrevistado teve de assinalar uma palavra a uma cor, totalizando oito cores diferentes. Acompanhe as conclusões desta pesquisa neste texto, com citações traduzidas livremente da pesquisa. Para ler o estudo na íntegra, clique aqui!

VERMELHO

  • paixão (10,58%)
  • amor (10.49%)
  • poder (6.63%)
  • raiva (5.36%)
  • sangue (5.31%)
  • perigo (4.68%)

O vermelho é uma cor intensa que pode apresentar significados drasticamente diferentes. Enquanto representa paixão e amor para a maioria das pessoas, pode também, pelo outro lado, representar conceitos como raiva e poder

Por exemplo, na Indonésia, o vermelho é relacionado a bravura e sangue. No Quênia, a cor é mais lembrada como indicativo de perigo

De forma geral, o vermelho carrega uma forte carga emocional que comanda atenção. Por causa disso, ela é usualmente utilizada em placas de “PARE”, sinaleiras, alarmes de incêndio, logos de estabelecimentos de fast food, e até em capas de livros e enciclopédias.

Dentre as marcas mais reconhecidas por utilizarem o vermelho estão: Coca-Cola, Renner e Red Bull. Elas são marcas com atitude e que buscam atenção de massa, o que vai de encontro a proposta de suas cores. 

Perceba como o vermelho está presente ao longo de todo o vídeo por meio de detalhes, sempre conectando o público à marca.

AZUL

  • água + mar + oceano (13.22%)
  • calma (12.31%)
  • descolada (6.31%)
  • céu (5.99%)
  • paz (4.9%)
  • tristeza (3.36%)

Imediatamente associado ao azul do céu e das águas do mar, o azul está sempre ao nosso redor, o que o torna familiar e reconfortante

Curiosamente, por ser uma cor bastante utilizada em logos ou publicidades de bancos/cartões de crédito e companhias de advocacia, alguns países, como a Dinamarca, descreveram o azul como conservador e entediante. Em aspectos mais positivos, a cor também foi ligada aos sentimentos de confiança e fidelidade

No Brasil, a cor é bastante utilizada por marcas com intuito de transmitir limpeza, imparcialidade e tecnologia. Como é o caso da Rede Globo, que utiliza cores sóbrias e tonalidades de azul para criar valores como credibilidade e contemporaneidade

Por isso, uma variedade de empresas de diferentes nichos utilizam o azul como cor de marca. Por exemplo, a Oreo, Facebook e Hering não possuem muito em comum quando se trata de oferta, mas as três têm o azul como cor principal. De forma geral, essa escolha pode partir da mesma ideia: de que o azul cria maior confiança entre os usuários e a marca.

VERDE

  • natureza (16.89%)
  • grama (6.31%)
  • vida (5.13%)
  • frescor (4.41%)
  • crescimento (2.95%)
  • saúde (2.45%)

Não há cor com laços mais próximos ao planeta Terra e meio ambiente do que o verde. Tanto que ela é universalmente associada à natureza, vida e frescor

Fora isso, o verde também tem conexões únicas. Por exemplo, ele pode significar esperança em países como, França, Espanha, Portugal e Brasil. Nos Estados Unidos, a cor tem fortes ligações com a noção de dinheiro, devido à coloração da nota do dólar ser verde desde 1860.

Em geral, o verde é bastante utilizado para tudo que é conectado a saúde e meio ambiente. O que deve ser utilizado com cuidado pelos profissionais, pois não podemos acabar caindo na prática errônea do greenwasing.

Não sabe o que é greenwashing?

Descubra o que o termo significa em nosso texto.

Fugindo da ideia de natural, temos ótimos exemplos positivos de marcas que utilizam o verde. No ramo da saúde, há a Unimed. No campo das bebidas, há a famosa Heineken. Ligado ao campo e sustentabilidade, temos o banco Sicredi. Até dentre as mais modernas, temos Spotify e Starbucks.

A cor se torna tão marcante para marca que a identifica também no ambiente empresarial.

AMARELO

  • sol (12.76%)
  • felicidade (8.81%)
  • claridade (5.54%)
  • calor (2.59%)
  • terra (2.36%)
  • claro (1.82%)

Como é perceptível, amarelo é a cor mais animada e alegre de todas, de acordo com o público. 

Isso se dá por ela ser uma cor naturalmente viva e fácil de se encontrar na natureza, além de sua semelhança ao ouro/dourado. Talvez seja por isso que ela é associada à riqueza em países como China, Canadá, EUA, África do Sul e Alemanha. 

Em virtude de sua luminosidade e tons mais claros, o amarelo é usualmente utilizado para traços de destaque ou fundo em peças de design. Isso não significa que ele não trabalhe bem como uma cor primária para publicidade, contudo, devido sua maior dificuldade de legibilidade e acessibilidade, ela é pouco utilizada em escritas, o que muitas vezes significa marcas. 

Em marcas como Snapchat e Nikon, mesmo que a cor não seja da fonte ou símbolo, mas sim, o fundo no qual está posto, o amarelo se torna a mais importante, pois tem o trabalho de chamar atenção do olhar do público e tornar a marca memorável. Um ótimo exemplo disso é o retângulo da National Geographic, automaticamente conectado a marca, mesmo sem o nome ao seu lado. 

ROXO

  • realeza (12.9%)
  • calma (3.81%)
  • flores (2.54%)
  • diversão (1.77%)
  • vibrante (1.36%)
  • descolado (1.18%)

O roxo é uma das cores mais intrigantes quando se trata de teorias sobre cores. 

Mesmo que ela seja associada a várias palavras diferentes, a noção de realeza se destaca devido a um fator histórico: antigamente, a cor roxa era a mais cara para se produzir, por isso, somente os mais ricos podiam pagá-la.

Outra associação comum é a sensação de calma e tranquilidade, popular em países como Austrália, Eslovênia, Emirados Árabes e Brasil. Essa ligação parte principalmente da conexão entre a cor e duas fontes de relaxamento: a lavanda e a pedra ametista.

Alguns exemplos notáveis de marcas que utilizam roxo são: Milka, Vivo e Nubank (o roxinho). Elas podem tanto realizar uma conexão com uma versão mais luxuosa, ligada a ideia de realeza, ou desenvolverem uma ligação mais jovial e moderna

LARANJA

  • fruta / frutado (5.68%)
  • laranja, a fruta (5.36%)
  • sol / pôr do sol (3.91%)
  • quente (3.72%)
  • fogo (2.45%)
  • outono (2%)

É extremamente difícil não pensar na fruta quando falamos em laranja. Ambas estão fortemente ligadas e isso não é uma coincidência. Isso porque originalmente laranja se referia à fruta, apenas cerca de 200 anos depois, também foi utilizada para referir-se à cor. 

Sua origem é da combinação entre as cores vermelho e amarelo, por causa disso, ela representa tanto o lado dominante e atrativo do vermelho, quanto o aspecto alegre e jovem do amarelo. Por sua ampla gama de associações, você pode encontrar o laranja em uma variedade de indústrias – em empresas como Nickelodeon, Gol e Itaú.

Perceba novamente como a cor está sempre presente ao longo do vídeo publicitário, de forma subconsciente..  

ROSA

  • menina (14.53%)
  • amor (7.72%)
  • feminino (7.58%)
  • suave (5.5%)
  • bonito (3.95%)
  • fofo (3.59%)

Infelizmente, o rosa se tornou uma das cores mais clichés que há. É tão comumente ligada à ideia de feminino que acaba criando limitações quando é utilizada em peças de design. Tanto que, neste caso, a conexão entre palavra e cor foi a mais unânime entre todas, significando que o conceito de “rosa ser feminino” é algo global.  

Além dessa associação mais óbvia, os entrevistados também utilizaram termos ligados à amor (ou seja, vertentes do Dia dos Namorados). Em uma visão menos estereotipada, vimos repostas como calma (nos EUA e Reino Unidos) e juventude (Austrália). Mesmo assim, a perspectiva feminina permanece em sentimentos normalmente conectados de forma patriarcal à mulher.

Não é por menos que marcas de coloração rosa geralmente são voltadas ao público feminino ou infantil. Como vemos nos exemplos da Marisa, da revista Cosmopolitan e da Barbie (palavra associada por alguns dos entrevistados à cor).

As cores são cruciais para a criação da identidade visual de uma marca, de peças de design e campanhas publicitárias. Aprender mais sobre as percepções individuais que elas estimulam é uma ótima forma de guiar e aprofundar os trabalhos desenvolvidos para um público ou mensagem em específico. 

Mas lembre-se, a cor de forma isolada não é o que faz com que alguém se sinta de certa forma, mas sim é o contexto no qual ela está inserida e relacionada. No processo de design visual e criação, é muito importante considerar a cor utilizada conforme o cliente, o tema, o local e a forma de uso. Isso vale principalmente em casos de designs de longo prazo, como logos e identidades visuais. 

Além disso, não aprisione as cores apenas aos materiais visuais da empresa. Deixe que as elas ganhem novos espaços por meio do marketing sensorial. Aplique mais cor nos produtos, no espaço da empresa; mesmo que de forma sútil, você consegue atingir o público e causar diferentes sensações.

Quer saber mais sobre Marketing Sensorial?

Veja nosso texto sobre o tema e descubra como aplicá-lo em sua empresa.
O ócio como segredo da criatividade

Qual foi a última vez que você realmente parou e fez nada? Estamos falando daquele tempo de reflexão consigo mesmo, sem outras distrações. Para colocar isso em palavras mais próximas de nosso cotidiano, imagine a última vez que você esteve em uma fila ou esperando algo/alguém. Pergunte-se: o que você fez durante esse tempo? Para maioria de nós, a resposta fica entre sintomas de ansiedade e o aparelho mágico que é o telefone. Sobrou um tempinho, recorremos ao celular. Surgiu um silêncio, ligamos os aparelhos para exterminá-lo, seja com uma Netflix de fundo ou o tão amado podcast.

A presença de múltiplos focos de atenção se tornaram quase que naturais para as novas gerações. Estamos sempre divididos entre diversos estímulos e buscamos produtividade a partir deles. Torna-se cada vez mais difícil fazer com que a mente se foque em algo em específico ou vague sem direção ou objetivo. A cabeça está sempre a mil por hora em busca de algo a se fazer, como se não houvesse amanhã. E o mais triste de tudo isso, é que no final o sentimento que prevalece geralmente é: cansaço ou sobrecarga (ou ambos). 

Perdemos tanto o conceito do tempo ocioso, quanto a habilidade de aproveitá-lo ao nosso favor. Quando não estamos ocupados com trabalho, estudos, tarefas da casa ou os milhares de conteúdos (dos quais passamos mais tempo escolhendo que consumindo), estamos entediados. Mas note, até o tédio ganha uma nova conotação. Ele não leva mais ao tempo ocioso, ele simplesmente cria um senso de fadiga ou nos leva a busca desenfreada por mais estímulos. 

Em meio a todas as possibilidades, não sobram forças ou inspirações. Assim, quando chega a hora de produzir algo criativo, surge aquela frustração ou uma sensação de estar fazendo algo insignificante. Isso quando nos permitimos o tempo de se focar unicamente no ato de criar algo.

Tendo esses comportamentos emergentes em vista. Buscamos aqui um espaço de reflexão sobre algo que é recorrente em nossas próprias vidas como profissionais da indústria criativa. Para isso, reunimos neste texto diferentes perspectivas acadêmicas que abordam a conexão entre produção/criação e consciência criativa. Todas elas buscam entender qual a importância ou necessidade do tempo ocioso para a mente em meio a sociedade atual: imersa no mundo digital e voltada aos resultados individuais.

A sociedade do desempenho e do cansaço

Essas condutas não são apenas percepções pessoais, mas sim sintomas de uma sociedade, conforme analisa o filósofo sul-coreano Byung-chul Han em seu ensaio “Sociedade do Cansaço”. Segundo ele, atualmente, o maior senso de positividade nos leva a buscar o desempenho e produtividade como norte, em contraponto às décadas anteriores, quando a ideia de disciplina controlava nossas vidas.

“A sociedade do século 21 não é mais a sociedade disciplinar, mas uma sociedade do desempenho. Também seus habitantes não se chamam mais ‘sujeitos da obediência’. São empresários de si mesmos. (...) No lugar de proibição, mandamento ou lei, entram projeto, iniciativa e motivação. A sociedade disciplinar ainda está dominada pelo não. Sua negatividade gera loucos e delinquentes. A sociedade do desempenho, ao contrário, produz depressivos e fracassados”

Byung-chul Han

Os números vão de encontro a esse cenário: 98% dos brasileiros se sentem cansados mentalmente e fisicamente, deste a maior parcela está entre os jovens de 20 a 29 anos, conforme pesquisa realizada pelo Ibope em 2013. 

Nesta mesma linha, o sociólogo francês Alain Ehrenberg argumenta que esses sentimentos têm como origem o esforço do indivíduo de ser ele mesmo, ou seja, a pressão de dar seu máximo potencial, sempre autêntico e produtivo. Para ele, perspectivas como “trabalho é igual liberdade” e “tudo é possível, só depende de você” colaboram com isso. 

A importância do ócio

Na visão de Han, nós perdemos a prática do aprofundamento contemplativo do ser humano – em outras palavras, tempo ocioso. A razão disso estaria no excesso de estímulos e na inquietação de realizar várias coisas ao mesmo tempo. 

Até mesmo o trabalho em excesso ou como cerne da vida pode ser prejudicial. Nunca se trabalhou tanto antes e nunca se glorificou tanto o trabalho (a ponto de ganhar aspectos religiosos). Estamos conectados ao trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana, graças aos celulares.

Mas, ao contrário do que imaginamos, isso não nos torna mais criativos, mas sim nos tira a capacidade de criar coisa novas. Tanto que uma pesquisa publicada pelo Instituto de Estudos do Emprego no Reino Unido, em 2003, concluiu que maiores cargas horárias de trabalho estão na verdade ligadas a uma queda de produtividade do trabalhador, em virtude do cansaço físico e mental. 

Isso sem falar que o ócio criativo é um dos fundamentos para a evolução intelectual e criativa da humanidade. Como colocado pelo famoso filósofo alemão Friedrich Nietzsche, a vida perde o sentido quando o ser humano expulsa os elementos contemplativos de sua rotina

“Os desempenhos culturais da humanidade, dos quais faz parte também a filosofia, devem-se a uma atenção profunda, contemplativa. (...) Essa atenção profunda é cada vez mais deslocada por uma forma de atenção bem distinta, a hiperatenção. Essa atenção dispersa se caracteriza por uma rápida mudança de foco entre diversas atividades, fontes informativas e processos. E visto que ele tem uma tolerância bem pequena para o tédio, também não admite aquele tédio profundo que não deixa de ser importante para um processo criativo. (...) Se o sono perfaz o ponto alto do descanso físico, o tédio profundo constitui o ponto alto do descanso espiritual”

Byung-chul Han

Outro estudo acadêmico destaca os benefícios dos estados de pensamento auto-gerados, como o vagar da mente ou o sonhar acordado. Segundo os acadêmicos Jonathan Smallwood e Jessica Andrews-Hanna, esses pensamentos permitem a liberdade da consciência, ajudam a criar planos de longo prazo, possibilitam a nos conectarmos com nosso eu passado e futuro, e podem providenciar uma fonte de inspiração criativa. Mas isso só é possível quando esse modo de pensamento ocorre naturalmente. Sobre condições de demanda e complexidade, esses pensamentos levam apenas a perturbações significativas no desempenho comportamental.

Lembrando que dedicar um tempo para deixar sua mente viajar não significa ter tempo adicional em sua rotina diária. Isso porque os principais momentos de desfoque da mente ocorrem durante tarefas costumeiras do nosso dia que não demandam concentração total – como tomar banho, arrumar a casa ou andar de carro. Não é para menos que os pesquisadores apontam que, no caso de adultos saudáveis, o ato de vagar a mente ocupa um terço do tempo acordado

Modo automático e modo consciente

Um estudo desenvolvido na Universidade de Boston e Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, pelos pesquisadores Meryl Reis Louis, Robert I. Sutton, abordou essa ótica sobre a relação entre produtividade versus tempo ocioso, partindo da noção de atos conscientes (quando é necessário foco) versus atos automáticos (quando não é necessário foco).

Segundo a teoria final, um processo cognitivo eficaz não depende somente de estar em um desses estados em específico, mas sim de identificar como passar de um para o outro. Isso significa que aprender a alternar entre os dois modos melhora sua capacidade mental

Ou seja, compreender esse momentos são necessários e importantes para que a mente reflita, vague pelos caminhos de conhecimento e informação adquiridos ao longo do dia e, no meio do caminho, talvez encontre uma solução ou crie algo surpreendente. 

Todavia, se você borrar a linha entre ambos, em virtude de estímulos em demasia, será mais difícil de identificar em qual deles está. Por exemplo, se você cozinha enquanto assiste TV, ao invés de passar para o modo automático enquanto se corta um legume e para o modo consciente ao ver o próximo passo da receita, você acaba estimulando um processo cognitivo em sequência. Infelizmente, esse processo não é positivo, na verdade, cria um ambiente de estímulos sensoriais que oprimem sua concentração

Dessa forma, perde-se a habilidade de distinguir quando é importante ter foco e quando o foco não é necessário. Portanto, por mais que se tente anular esse tipo de pensamento, buscando um foco total e 24 horas por dia, o resultado será apenas frustrante e desperdiçará oportunidades preciosas de criação e reflexão. Para aproveitar ao máximo cada um dos modos, o básico é não tentar suprimi-los com distrações, seja criando situações de foco quando não se precisa estar focado ou criando desfoques quando é necessário o foco. 

Minimalismo digital

Estamos na era dos dados, o que significa que somos constantemente bombardeados com informações que buscamos absorver ao máximo. Contudo, existe um ponto em que alcançamos apenas a exaustão, no qual os dados já não são mais válidos, quando mais significa menos. Com isso em vista, Cal Newport, professor de ciência da computação na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, cunhou o conceito de minimalismo digital como uma solução mais saudável.  

“Se você está apenas se expondo a informações interessantes, se você está apenas se expondo a estímulos, mas nunca tirando o tempo para realmente pensar sobre - para processar, olhar sobre diferentes ângulos, tentar colocar contra outros paradigmas ou estruturas que você possui em seu esquema mental atual - se você não faz esse trabalho de apenas estar sozinho com seus pensamentos, você está provavelmente extraindo apenas uma pequena fração do valor em potencial”

Cal Newport

Ou seja, a chave de transformar informação e inspiração em produtividade criativa não está exatamente em ser 100% ativo, presente, informado e estimulado, mas sim, está em tirar um momento para desfocar e contemplar as coisas, sem pressa ou compromisso com o tempo.  

Que tal tirar um momento para refletir agora? Você se identificou com esses conceitos? Talvez é a hora de alterar a forma como você interage com os múltiplos estímulos da sua rotina. Que tal ficar alguns minutos longe das telas?

Abra as janelas do conhecimento! Conheça nossa Biblioteca Comunitária

Olá, caro leitor!

Apresentamos aqui a Janela do Conhecimento, basta abri-la para encontrar uma vasta variedade de palavras, histórias, personagens e mundos.

Como funciona?

Em nosso espaço, o conhecimento é compartilhado; ou seja, você pode pegar qualquer livro que quiser, desde que faça jus ao seu conhecimento (lendo-o). Depois de lê-lo, não é preciso devolvê-lo, apenas se quiseres.

Mesmo assim, é sempre bem-vindo a deixar e compartilhar conhecimento com todos. Deixe em nossas prateleiras os livros ou qualquer artigo de leitura que ache justo viajar por outras mãos e mentes.

Veja nosso catálogo on-line!

Descubra todos os livros que possuímos em nossa biblioteca.

Criando uma experiência única

Além de compartilhar cultura, queremos também que a sua leitura seja única. Pensando nisso, colocamos pequenas lembranças dentro de cada livro. 

Você encontrará um convite à leitura, seguido de uma dica para melhorar ou dar continuidade a sua aventura. As dicas variam entre as mais diferentes formas de conteúdo, como filmes, séries, podcasts, reportagens, músicas, aplicativos e outros. 

Como pequena lembrança, para que sempre nos leve consigo e nunca esqueças de retornar, você também ganha um lindo marca página, com arte desenvolvida pela nossa equipe. 

Sinta-se sempre à vontade para retornar, revirar as prateleiras da biblioteca e iniciar uma conversa conosco. 

Como ela surgiu?

Na cultura da empresa, muito além de sermos prestadores de serviço, somos agentes sociais e transformadores. Ou seja, primamos por semear e incentivar ações de impacto positivo no âmbito sociocultural. 

Logo, quando nos mudamos para nossa nova sede, vimos a oportunidade de concretizar esse sentimento. Em meio a várias sugestões criativas, buscamos ideias de aproveitar o amplo espaço de forma que ele gerasse interação com a comunidade ao redor. A vontade era de estar mais próximo de todos e de ofertar algo que acrescentasse na vida dos moradores e no aspecto social do município.

Alguns meses após a mudança, a opção de criar uma biblioteca comunitária emplacou e começou a florescer aos poucos. Com a colaboração de muita gente, construímos a estrutura do que viria a ser a Janela do Conhecimento, com materiais reaproveitados, como as portas de janela que deram origem ao nome. 

Aos poucos, também reunimos os primeiros exemplares, vindos diretamente de doações de nossos colaboradores. Em nosso catálogo encontram-se os mais variados livros para os mais diversos tipos de leitores. Esperamos que ela apenas cresça com o tempo. 

Para conferir todos nosso livros, você é bem-vindo a nos visitar, mas pode também verificar no catálogo on-line (no link acima) e acompanhar nosso Instagram com dicas semanais de leitura. Caso algum livro lhe interesse, pode reservá-lo também via redes sociais. 

Mas por que uma biblioteca?

Muito mais que um hobby ou uma paixão, a leitura abre diversas portas. É lendo que descobrimos o mundo, nos comunicamos, aprendemos, imaginamos e criamos. Todos os aspectos da vida, desde as receitas do almoço de domingo até as filosofias mais profundas sobre a vida, estão registrados nas páginas de um livro.

Igualmente, acreditamos que conhecimento é um dos itens mais preciosos que se pode possuir, e nada mais cheio de conhecimento do que um livro. Sem falar que todos possuímos uma relação bem profunda e próxima com os livros. Da infância aos tempos de universidade, a leitura foi uma companheira fiel ou até uma fuga para muitos de nós.

Foi com esse olhar que a agência Big Dream resolveu empenhar-se nesta aventura em busca de abrir novas possibilidades de conhecimento a sua comunidade, ao mesmo tempo, que valorizava uma paixão pessoal de muitos. Por isso, escolhemos o projeto de construir uma biblioteca comunitária. 

Esperamos que ela possibilite a abertura de novas janelas de conhecimento para todos da comunidade. Inclusive para nós mesmos. 

Compartilhe sua experiência! Não esqueça de nos contar como foi sua leitura pelo @bigdreamagencia