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O que alguns artistas podem nos ensinar sobre marketing?

A indústria cultural nas últimas décadas vem evoluindo de forma tão rápida, que aqueles que param no tempo ficam totalmente para trás. Talvez essa seja a primeira grande lição que podemos aprender com este setor: a renovação é sempre necessária e constante, e ela precisa ser bem desenvolvida para que o resultado seja duradouro e impactante.

 Muitos exemplos podem ser citados para demonstrar que rebranding é algo essencial, sendo responsável por fazer uma carreira – nesse caso, marca – voltar das cinzas ou se destacar. Veja o exemplo de Taylor Swift, que utilizou uma transformação de imagem para consolidar sua carreira e fidelizar fãs. Ou Britney Spears que se reergueu de uma crise de imagem de magnitude estrondosa, para voltar ao topo, com uma básica e refrescante mudança em um conceito de imagem que ela já utilizava. Ou a grande prova de retorno ao topo, com a cantora Tina Turner, que mesmo com idade mais elevada quando comparada a média dos permormers, conseguiu retornar após anos fora do spotlight da mídia, tudo isso, com o esforço e estratégia para construir a imagem da mulher que viria a ser a rainha do rock.

 Como se pode ver, os exemplos são infinitos. Dessa forma, torna-se impossível abordar todos os casos existentes. Por isso, decidimos escolher três destaques (um de origem nacional e dois internacionais) que consideramos os melhores exemplos de 2017.

Dica: durante essa leitura ou após, acompanhe a playlist que desenvolvemos em nosso canal no Youtube:

Camilla Cabello  

Uma artista que em 2017 encontrou um sucesso e reconhecimento fenomenal, tudo isso com um porquê. Camila Cabello, além do talento perceptível, soube investir muito na qualidade artística e de imagem de seu primeiro trabalho solo.

 Ao sair da girlband Fifth Harmony, a cantora demonstrou a primeira lição importantíssima para momentos de crise, que é: saiba qual é o papel correto a se tomar e quais brigas valem ser enfrentadas.

 Em meio ao drama de ter abandonado a banda que a colocou no estrelato, enfrentando acusações, ofensas e muito mais vindo de fãs e das próprias ex-parceiras de banda, ela percebeu que o silêncio era o caminho certo. Não se engane, isto não quer dizer que em todos os casos o silêncio seja a resposta. O que estamos querendo dizer aqui é: claramente, o objetivo da jovem era se desprender o máximo possível da âncora que é ser ligada eternamente a seu trabalho prévio, portanto, o silêncio foi o caminho correto, pois foi o que iniciou este processo de desprendimento, para então se construir uma nova base e imagem.

 Suas entrevistas raramente eram sobre isso, e o assunto sempre que abordado era respondido e encerrado de maneira formal e simples, sem muitos comentários, o que o tornava um tema esquecível. Comentar sobre o assunto além do necessário seria entregar-se ao drama e estar eternamente preso a ele. Assim, em silêncio, ela conseguiu superá-lo com classe e superioridade. Foi sua declaração simbólica de “o passado passou, meu foco é o agora”.

 Outra ótima tática foi utilizar muito bem o co-branding, algo que podemos notar nas diversas participações realizadas por Camila em músicas de outros artistas, a maioria antes de lançar seu próprio álbum. Com um efeito de teaser, com o bônus da credibilidade e da qualidade, ela conseguiu estruturar o que viria a ser um ano de sucesso.

 Além disso, não podemos deixar de comentar, é o lançamento prévio de duas músicas da cantora – OMG e Havana. Uma jogada de marketing básica, mas perfeita. Primeiro, pois não eram os primeiros lançamentos solos da artista, então as duas músicas poderiam de forma orgânica circular pela web, como um termômetro, para exercer o papel de descobrir os gostos do público. A resposta foi esmagadora, e assim surgiu o grande hit single Havana (que alcançou o primeiro lugar no Hot 100 da Billboard, destronando Perfect de Ed Sheeran).

Anitta 

Com pontos parecidos ao caso de Camilla, Anitta também soube investir muito bem em parcerias que alavancaram sua carreira, já estabelecida no Brasil, para um nível mundial.

 Ela é provavelmente o caso de maior sucesso nacional em 2017, o que é prova muito de esforço, planejamento estratégico e timing. Sim, a cantora é a rainha do timing. Sua música Paradinha surgiu logo no boom das músicas em espanhol, lideradas pelo single Despacito (e com toda certeza não foi uma coincidência).

 E como em uma avalanche, ela continuamente divulgou novos trabalhos, bombardeando o público, que assim ficava cada vez mais sedento por conteúdo. Tudo isso teve seu clímax com o projeto Checkmate (sim, ela está no jogo para jogar e sabe muito bem quais jogadas tomar, e esse foi seu xeque-mate), no qual a artista lançou um clipe por mês. E ainda melhor do que se apoiar em quantidade, ela investiu na qualidade. Os quatro clipes lançados neste projeto são os mais diversificados, tanto as inspirações estéticas quanto as próprias músicas, que são de ritmos variados e em diferentes línguas. Aí está outro ponto chave de Anitta, a versatilidade. Cada música lançada teve seu objetivo específico, principalmente o de estabelecer seu título para o de ‘artista completa’.

 Além de toda a estratégia de mercado fonográfico e visual, temos que lembrar a básica do perfil do artista, que é mais um ponto muito bem elaborado por ela. Sinceridade é o emblema que a cantora carrega, algo muito visível em suas entrevistas e redes sociais. Ela fala e faz o que tem vontade e isso lhe transparece ainda mais autenticidade, algo que sempre será um diferencial para o público.

Dua Lipa  

A cantora britânica teve um ano sensacional em 2017, porém, isso foi um trabalho continuo de muita paciência, timing e trabalho desde 2016, ano em que ela iniciou o lançamento de seu primeiro trabalho.

 Como uma artista nova e desconhecida, ela foi criando seu espaço pouco a pouco, com lançamento de singles consistentes, sabendo que a construção de uma imagem leva tempo. Resumindo, ela soube que certas ações são mais produtivas e resultantes se realizadas com uma estratégia a longo prazo.

 Após o lançamentos de cinco singles e um trabalho de imagem de meses, chegou o momento do clímax, que foi o lançamento do single New Rules, cuja é considerado o grande lançamento da cantora (indicada pela revista TIME como a melhor música de 2017). Uma grande jogada de marketing, que conseguiu alavancar uma cantora sem torná-la uma artista passageira, justamente pela consolidação já feita com os lançamentos anteriores, tudo questão de bom planejamento a longo prazo e timing.

 Não podemos deixar de tocar na questão do conteúdo da música New Rules e do álbum de lançamento de Dua Lipa por completo. Uma proposta que soube muito bem ser autêntica e aproveitar temas em voga, ou seja, marketing de causa e buzz content em sua melhor produção. Com uma imagem diferenciada e única das já conhecidas cantoras de pop e as temáticas feministas e verdadeiras para a cantora, ela conseguiu se destacar e deixar uma marca na indústria musical.

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