Perca o medo! Aprenda como falar em público

Se você é uma daquelas pessoas que sente calafrios só de imaginar o cenário de falar em frente a várias pessoas, não se sinta mal, pois esse sentimento é um dos mais comuns no comportamento humano. Tanto que, segundo estudos, o ato de falar em público supera medos como de altura, de águas profundas ou, pasmem, até da morte.

Contudo, a oratória – habilidade de se expressar oralmente – não é esse bicho de sete cabeças que imaginamos. Além disso, ela é essencial na história humana e em nosso cotidiano. Precisamos desenvolver essa prática para conseguirmos expor nossas ideias e conquistar a confiança do próximo, seja na carreira profissional ou na vida pessoal; aí que se encontra seu grande segredo: a prática constante. O medo e a insegurança são mais que normais, mas vencê-los encontra-se no uso de técnicas, e, principalmente, no treino e na ato de praticar.

Com isso em mente, neste texto, iremos apresentar um mini guia de dicas derivadas do livro “TED Talks: o guia oficial do TED para falar em público” (2006, Editora Intríseca), escrito por Chris Anderson, presidente da companhia. Para quem não conhece, o projeto TED (uma grande inspiração para a agência) é voltado a conferências e palestras que objetivam apresentar ideias revolucionárias e criativas sobre os mais diversos setores da vida. Ou seja, eles são experts quando se trata de apresentar ideias complexas em público de forma que envolva e conquiste os espectadores (tanto que possuem um setor voltado só ao desenvolvimento de seus palestrantes).

Mas, vamos logo ao que interessa! Pronto para desenvolver suas técnicas de oralidade? Pronto para se abrir a novas possibilidades e aprender a lidar com o medo? Então, vamos lá!

Por que é importante ter uma boa fala?  

A arte da oratória é um dos dons mais antigos da humanidade. Desde que desenvolveu-se a linguagem, o ser humano acostumou-se a se reunir em grupo, ao redor de fogueiras, para contar histórias e contos da vida. Na Grécia Antiga, essa habilidade ganhou novas perspectivas com a criação do conceito de retórica, nome dado a arte de falar com eficácia. Neste contexto, o diálogo e a argumentação de ideias eram talentos de alto nível, treinados e ensinados por grandes mestres.

“As fogueiras do passado deram lugar a um novo tipo de fogo. Um fogo que se espalha de uma mente para outra, de uma tela para outra — a combustão de ideias que estão na ordem do dia. Isso é fundamental. Todos os elementos importantes do progresso só ocorreram porque indivíduos comunicaram ideias a outros e depois todos colaboraram para fazê-las virar realidade. Desde a primeira vez em que nossos ancestrais se reuniram para derrubar um mamute até o primeiro passo de Neil Armstrong na Lua, as pessoas transformaram comunicações orais em assombrosas realizações conjuntas”.

Chris Anderson

Atualmente, na era digital e repleta de informações em extrema rapidez, a palavra se espalha com facilidade, o que torna o conceito de competência comunicativa primordial para o sucesso de uma ideia, projeto ou até carreira profissional. Isso porque, como coloca Anderson, “a fala é essencial para gerar empatia, provocar emoções, compartilhar conhecimentos e ideias, promover um sonho em comum”.

Todos temos um comunicador dentro de nós  

Pode parecer que você não tem nada de interessante a dizer, mas não poderia estar mais enganado. O mesmo vale para aqueles que tem muito a dizer, mas que não se sentem aptos para expressar corretamente as ideias. Em ambos os casos, o pensamento negativo não condiz com a realidade. Todos temos um poder de comunicação, basta apenas desenvolvê-lo conforme nossas aptidões. Da mesma forma, todos temos ideias e vivências que valem ser ouvidas e podem acrescentar e transformar a vida dos outros, tudo está na forma que comunicamos isso.

Um ótimo caso para exemplificar isso é a história do garoto com “coração de leão”, contada logo no início do livro. Nela, o autor narra um episódio vivido no TED quando, em uma turnê mundial em busca de novos talentos, eles encontraram um adolescente de 12 anos, chamado Richard Turere, morador de Nairóbi, no Quênia. Com uma mente inovadora, o jovem criou um equipamentos de luzes piscantes para afastar os leões que estavam matando o gado criado pela comunidade, tudo isso com o conhecimento básico de eletricidade, aprendido por conta própria. O sistema construído a partir de sucatas: painéis solares, uma bateria de carro e um visor tirado do quadro de instrumentos de uma moto, funcionou perfeitamente e solucionou um grande problema local.

Uma história dessa com certeza merece ser contada e disseminada pelo mundo todo, todavia, existia a barreira da oralidade. Com tudo contra o seu favor, o menino não era um palestrante nato, tinha grande timidez e seu inglês era escasso, dificilmente conseguia explicar sua ideia, por mais genial que fosse, de forma coesa. Mesmo assim, o TED decidiu investir na história cativante de Richard. Trabalharam durante alguns meses com técnicas de oralidade (que serão citadas ao longo do texto) e incentivaram o ensaio constante das falas em frente a um pequeno público, o que trouxe mais autoconfiança ao rapaz.

No dia da grande palestra, o jovem já havia enfrentado experiências transformadoras, como andar de avião pela primeira vez. Ao subir ao palco, encarou mais uma nova experiência: milhares de pessoas – entre elas grandes pensadores – a espera de sua fala. O impacto era notável em seu visível nervosismo, mas isso só deu-lhe mais vulnerabilidade e verdade, características que conectam o público. Assim, a atenção de todos foi capturada e a vida de muitas pessoas haviam sido transformadas, culminando em aplausos entoados ao final de sua fala.

Nessa história, percebe-se como todos podemos descobrir e dar voz ao comunicador que existe nós. Igualmente, alerta-nos de que não existe uma única maneira de dar uma palestra de alto nível. Ao assistir uma apresentação magistral, não pense que para ser sucedido você deve apenas imitar os passos feitos pelo palestrante. Muito menos diminua seus talentos ao compará-los com o do orador. Cada pessoa possui características únicas de expressão e modos diferentes de se sentir confiante, partindo disso que você poderá aprimorar sua oratória. Ou seja, o primeiro passo é ter noção dos seus limites, de como você se sente mais confortável e como prefere se expressar. Parte disso é experimentar diferentes técnicas, até encontrar aquela que mais lhe satisfaça.

Vemos também que o nervosismo não é um ponto negativo, ele é humano, é natural. Caso ele exista, há formas de trabalhar com sua existência, fazer com que se torne tolerável ou até incentive a sua prática.

Como podemos superar o medo? 

Ficar nervoso e ansioso é uma das reações humanas mais normais nesses casos. Felizmente, existem diversas formas de relaxar, trabalhar esse nervosismo ou até usá-lo ao seu favor. Ele “não é uma maldição. Pode ser transformado e com isso gerar um ótimo resultado. Faça as pazes com seu nervosismo, reúna coragem e vá em frente!”. 

Como grande incentivo, o livro conta a história de Monica Lewinsky, que enfrentou um histórico de humilhação pública (ela foi julgada publicamente em virtude do caso que teve com o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton) e subiu ao palco do TED. 

“A palavra nervosismo não dá conta de descrever o que eu sentia. Era mais como se eu me sentisse… dilacerada de pavor. Raios de medo. Angústia elétrica. Se desse para captar a energia de meus nervos naquela manhã, acho que a crise energética seria solucionada […] Fui invadida por ecos de um trauma persistente, causado pelos anos em que fui ridicularizada em público. Fui atormentada por uma insegurança profunda, pela sensação de que o palco do TED não era o meu lugar. Era contra essa experiência interior que eu lutava”. 

Em meio a esse turbilhão de sentimentos, Monica encontrou diferentes formas de superar o medo e dar uma palestra marcante:

“Quando a mente começa a divagar ou perde o foco, alguns tipos de meditação nos orientam a nos concentrarmos na respiração ou em nosso mantra. Foi o que fiz com a minha ansiedade. Sempre que pude, tentei ao máximo voltar ao objetivo da palestra. Um de meus dois mantras era ISTO É IMPORTANTE. (Na verdade, rabisquei isso no alto da primeira página da minha fala, que levei ao palco.) O outro mantra que funcionou foi EU CONSIGO FAZER ISTO. Se você vai ficar de pé num palco e falar a um público, é porque alguém, em algum lugar, achou que você tinha algo relevante para dividir com os outros. Passei um tempo definindo para mim mesma como eu esperava que minha fala ajudasse outras pessoas que estavam sofrendo. Eu me agarrei à importância e ao objetivo da minha fala como se ela fosse uma tábua de salvação. Durante o processo, quando me deparava com dúvidas, procurava me concentrar na mensagem que queria passar, e não na mensageira. Sempre que me sentia nervosa ou insegura, eu simplesmente tentava ser forte e me convencer de que só tinha de fazer o melhor que conseguisse [...] e, se minha mensagem chegasse a pelo menos uma pessoa e eu ajudasse pelo menos uma pessoa a se sentir menos solitária em sua experiência de vergonha e humilhação on-line, a palestra já teria valido a pena”

Monica Lewinsky

Dentre as técnicas aplicadas por Monica estão terapia, meditação, exercícios respiratórios, cantar, exercícios de aquecimento, caminhada e exercícios de visualização. Mas o principal deles foi: focar-se na mensagem e no impacto positivo que ela poderia gerar. Para cada pessoa, as técnicas que podem ser utilizadas e surtir efeito são variáveis, mas visualizar o impacto positivo da ideia transmitida pela palestra é sempre um impulso verdadeiro e de grande resultado. “Não se trata de você, mas da ideia pela qual você tem paixão. Sua tarefa é estar ali a serviço da ideia, dá-la de presente”, aconselha Chris.

Por isso, entre as dicas narradas no livro estão: utilizar o medo como impulso; lembrar-se de respirar fundo e até fazer exercícios de respiração; praticar exercícios físicos prévios ao momento da palestra; tentar beber um terço da garrafa de água antes, para safar-se a boca seca; evitar o estômago vazio comendo algo mais leve mais ou menos uma hora antes de subir ao palco; saber que errar ou ficar nervoso é normal, isso pode trabalhar ao seu favor como uma forma de vulnerabilidade; procurar rostos amigos e conhecidos  na plateia; ter planos alternativos caso tema erros de percurso; manter o foco no que está dizendo.

Metáfora da viagem  

Para compreender melhor o processo da palestra, o livro apresenta uma metáfora rica: imagine que sua palestra é uma viagem que você e sua plateia realizam juntos. Nesse cenário você é o guia turístico, que levará todos a explorar novos caminhos. Mas para isso é preciso começar a jornada pelo local em que a platéia já está (ou seja, conheça sua plateia). 

Não se esqueça de tornar a viagem atrativa, “seduzir a plateia e fazê-la desejar seguir viagem com você”. Ninguém embarcará se não demonstrar ser um guia confiável e se não conquistar os viajantes. “Quando sabe aonde você quer chegar, o público sente muito mais facilidade para acompanhar seu trajeto”

Dessa forma, evite saltos impossíveis e mudanças inexplicáveis na direção do percurso. O sucesso desta viagem depende de quão bem o percurso está traçado (essa será sua linha mestra). “Toda palestra precisa de um mapeamento — uma ideia do lugar aonde você quer chegar, onde está e onde esteve”. Ter esse conhecimento adquire confiança, segurança e deixa o caminho mais tranquilo. 

Por último, “você só percorrerá o terreno que puder mostrar em profundidade suficiente para criar interesse”. Ninguém gosta de experiências corridas e esquecíveis, elas em nada acrescentam. Aproveite seu tempo ao máximo destacando apenas os pontos mais importantes da sua ideia. 

Agora é hora de saber como aplicar essa metáfora na prática. Prontos para embarcar nessa viagem?

Primeiro passo: Construir a ideia

Engana-se aquele que acredita que as coisas mais importante para se realizar uma palestra de sucesso são as habilidades visíveis: tom de voz e linguagem corporal. O cerne de uma boa palestra está em algo bem mais profundo que isso, se encontra na ideia.

Mas o que seria a ideia? Imagine que você está assistindo uma palestra e que quando sair de lá terá levado consigo algo que não tinha antes da fala do palestrante. Esse algo não é físico, mas é como um presente. É a construção ou reconstrução de uma visão de mundo, você passa a enxergar o se relacionar de forma diferente em relação a um fator em específico. Essa é a ideia, plantada e semeada na mente dos ouvintes. Nas palavras de Anderson, ela é “uma criação mental que esses ouvintes podem reter, levar para casa, apreciar e, em certo sentido, permitir que ela os modifique”.

Para entender melhor esse conceito, assista a palestra de Sophie Scoot sobre o riso, citada no livro como exemplo. Veja como você sairá da palestra enxergando o ato de rir de forma diferente e, talvez, quando ver alguém rindo, lembrará deste vídeo.

Para que essa ideia se desenvolva, você terá dois grandes aliados: a linguagem e a palavra. A primeira será sua principal ferramenta, você deve escolhê-la com cuidado. Lembre-se que ela precisa ser acessível e entendível pelo público. Abandone a linguagem técnica e complexa, democratize sua ideia, faça com que seja atrativa e de compreensão universal.

Mas não se esqueça! Estilo sem conteúdo não é nada. “Passar emoção é importante, e nesse aspecto o tom de voz e a linguagem corporal do palestrante têm enorme valor. No entanto, a essência de uma palestra depende fundamentalmente das palavras”, destaca o livro.

Armadilhas para evitar  

Muito além de dizer apenas qual o caminho correto para uma boa oratória (uma receita pronta que não existe), o livro se ocupa de destacar quais os caminhos e estratégias que devem ser evitadas. Neste caso, no mundo das palestras, existem alguns estilos que foram convencionados no senso comum, mas, na realidade, são vazios e tendem a atrapalhar ou ofuscar a questão cerne da palestra: a ideia.  

Primeiro, lembre-se que você está lá para presentear as pessoas com conhecimento, e não para receber algo. Portanto, nada do famoso papo de vendedor. Você não está vendendo uma ideia e muito menos um serviço, está comunicando, dialogando. “O princípio fundamental é lembrar que o palestrante deve fazer uma doação a seus ouvintes, e não tirar algo deles”, pontua o diretor do TED. Até porque esse tipo de discurso é frustrante e tedioso para um público que tinha expectativas voltadas ao aprender e não ao consumir.  

Por segundo, valorize o tempo que as pessoas estão dedicando à sua fala. “Quando as pessoas se reúnem numa sala para ouvir o que alguém tem a dizer, estão lhe dando algo extremamente precioso, irrecuperável: alguns minutos de seu tempo e de sua atenção. O palestrante tem de usar esse tempo da melhor forma possível”, frisa Bruno Giussani. Entendido isso, não divague e muito menos floreie sua fala. Faça toda palavra, toda frase, todo argumento valer a pena.

Nesta mesma linha, não desperdice sua fala com tédios organizacionais. Ou seja, não ocupe a palestra explicando pormenores do trabalho desenvolvido por trás da ideia, foque-se apenas nos acontecimentos e descobertas importantes ao público, saiba reconhecer aquilo que é relevante e aquilo que é desnecessário no cenário geral da ideia.

Por último, não caia no conto da palestra motivacional. Existem muitas palestras que envolvem o público com histórias de vida e de superação que tocam profundamente em sentimentos humanos, muitas vezes mudando a forma como os espectadores se sentem sobre algo. Mas nem todas as palestras são assim ou devem ser assim. O quesito que tornará uma palestra naturalmente motivacional é sua veracidade e vulnerabilidade. 

Portanto, não busque a todo custo criar uma fala emotiva e recheada de frases de efeito, esperando uma reação emocional do público. Ter isso como foco é destruir, novamente, o cerne da palestra. “O intenso desejo de uma ovação pode conduzir palestrantes inexperientes ao erro”, alerta Chris. Seja verdadeiro com seu público, não o adule ou construa sua fala em frases rasas. Apelar para esse estilo é destruir a prática da oratória em si.

A linha mestra: o que você pretende dizer?

Assim que você tem sua ideia moldada é preciso saber como comunicá-la. Para isso, o livro indica a técnica da linha mestra. Nas palavras do próprio escritor, “podemos pensar na linha mestra como um cabo forte, ao qual você prenderá todos os elementos da ideia que está desenvolvendo”. Nesta lógica, o indicado é que o palestrante descreva sua linha mestra em não mais que quinze linhas.

“Muitos palestrantes se apaixonam por suas ideias e acham difícil imaginar o que elas têm de complicado para aqueles que ainda não mergulharam nelas. A solução está em apresentar apenas uma ideia — e do modo mais detalhado e completo possível no tempo limitado. O que você deseja que o público compreenda plenamente ao fim da palestra?”

Barry Schwartz

A fala de Barry Schwartz parte justamente de sua palestra no TED, na qual a linha mestra foi: ter mais opções nos deixa menos felizes.

Como a própria palestra destaca, temos um mundo de opções, o mesmo ocorre na hora de delinear a linha mestra. Provavelmente, você tem diversos tópicos que gostaria de abordar, mas o tempo não permite e muito menos é recomendável. Não iluda-se com quantidade igual qualidade. Menos é mais. Visto isso, a linha mestra deve ser um fio único e coeso, na qual você cobrirá menos pontos, porém o impacto será bem maior, pois o assunto único poderá ser melhor desenvolvido. “O segredo de escrever bem está na força das palavras cortadas”, lembra o escritor Richard Bach.

Resumindo, o livro descreve que “uma linha mestra exige que, antes de tudo, você identifique uma ideia que possa ser exposta de forma adequada no tempo disponível. Em seguida, construa uma estrutura que ligue todos os elementos da palestra a essa ideia”.  Uma boa analogia apresentada no livro é imaginar a estrutura da sua fala como uma árvore; nela há uma linha mestra central, que sobe da raiz até os galhos, eles que representam as expansões da narrativa principal.

Entre em sintonia com a plateia 

Inicialmente, uma das primeiras formas de duas mentes entrarem em sincronia é o olhar. “Apoiado por um ocasional sorriso amistoso, o contato visual é uma tecnologia espantosa capaz de transformar a receptividade de uma palestra”. Como exemplo disso, o diretor do TED destaca a palestra de Kelly McGonigal sobre o lado positivo do stress, na qual ela conquista o público em pouquíssimos segundos, tudo com base na sintonia.

Outro fator muito importante para desenvolver sintonia com o público é a já aqui citada vulnerabilidade. Humanos se identificam com as inseguranças, medos e sentimentos do próximo. Porém, cuidado! Utilizar essa ferramenta da forma correta é saber onde está o seu limite. Expor-se de forma demasiada faz com que a palestra fuja de seu foco central. Para exemplificar a forma correta explorar a vulnerabilidade sem esgotá-la, temos a palestra de Sherwin Nuland, neurocirurgião e escritor de sucesso, que faz uma confissão intimista no meio de sua fala.

Você pode também utilizar um dos clássicos humanos para gerar conexão: o humor. “O riso derruba as defesas, e de repente você tem a chance de se comunicar de verdade com o público”, explica Anderson. Entretanto, muita atenção! Fazer a plateia rir pode ser algo contagiante, mas você está lá não somente para entreter o público, mas sim para comunicar algo. Não transforme o riso em um foco ao longo da palestra, assim você perde o real foco e tem mais chances de se frustrar.  

Muito menos invista no humor caso você não tenha esse talento. Pode parecer simples fazer alguém rir, mas de simples não tem nada. “O humor é uma arte, e nem todo mundo a domina. O humor ineficaz é pior do que a falta de humor”, ressalta. Para isso, vale conhecer a si mesmo e entender seus limites sociais. “Se você pretende falar muito em público, vale a pena tentar encontrar sua veia humorística. Se não a encontrar, nada de pânico. Nem todo mundo consegue. Há muitos outros meios de obter sintonia”.

Um ótimo exemplo de um humor natural está na palestra de Bryan Stevenson:

MUITA ATENÇÃO! Fuja de piadas ofensivas, preconceituosas e que reforcem estereótipos. Estamos em uma era de conscientização, respeito e diversidade, não há mais espaço para o humor à custa dos outros, é preciso que ele seja inteligente e humanizado.

Neste mesmo caminho, refreie o ego. As pessoas não estão lá pela personalidade, mas sim pelo conhecimento que alguém tem a passar. Egocentrismo não gera atração e sintonia, muito pelo contrário, quebra a magia da conexão entre palestrante e público.

“Seja você. As piores palestras são aquelas em que as pessoas tentam ser alguém que não são. Se em geral você é brincalhão, seja brincalhão. Se é emotivo, seja emotivo. A única exceção é se você for arrogante e autocentrado. Nesse caso, você deve sem dúvida fingir ser outra pessoa".

Salman Khan

Conte uma história 

Desde que o ser humano soube se expressar, a narrativa cumpriu um papel essencial em sua vida. Somos movidos por histórias e por contá-las ao próximo.  “Já nascemos gostando de histórias. De imediato, elas geram interesse, empatia, emoção e curiosidade. Histórias podem estabelecer brilhantemente o contexto de uma palestra e fazer o público se interessar por um assunto”, escreve Chris.

Uma boa forma de construir uma história é seguir o clássico modelo da Jornada do Herói. No qual o personagem principal enfrenta uma provação ou aventura, repleta de obstáculos, chegando ao clímax e a um desenlace. Para saber mais sobre essas técnicas de narrativa, leia nosso texto abaixo:

A história que conquista o público

Saiba mais sobre storytelling, Jornada do Herói e outros arquétipos.

“Se você vai contar uma história, certifique-se de saber por que a está contando, elimine todos os detalhes desnecessários para demonstrar o que deseja e inclua informações que permitam aos ouvintes imaginar vividamente o que aconteceu”.  Uma ótima palestra citada pelo livro para compreender o poder da história é de Eleanor Longden:

Como explicar conceitos complexos 

Caso a sua ideia central seja mais complexa ou técnica, fora do conhecimento de senso comum, apresentá-la de forma atraente e acessível pode ser bem mais difícil. Ainda mais porque quando temos um profundo conhecimento sobre algo é difícil lembrar que existem pessoas que não possuem aquela sabedoria, o que torna ainda mais complicado comunicar algo sem parecer estar falando outro idioma. Para facilitar esse caminho e não se perder, o livro apresenta uma ótima fórmula com base na palestra de Dan Gilbert:

Agora, recapitule os passos em que o palestrante guiou o público para entender o sofisticado conceito de “felicidade sintética”: Ele começa em um ponto básico, onde todos do público se encontram e compreendem, a partir disso ele acende a fogueira da curiosidade. “Assim que é seduzida, a mente se abre. Ela quer ideias novas”. 

Conquistado a atenção do público, ele apresenta cada conceito, um a um, em blocos, um dentro do outro, na qual uma explicação embasa e abre espaço para o próximo conhecimento, algo chamado de estrutura hierárquica. Para que garantir que todos estão compreendendo a ideia geral, ele utilizou metáforas e exemplos mais próximos da realidade de todos.

Assim, o novo conceito “é construído como uma hierarquia, em que cada camada supre os elementos que formarão a nova camada. Começamos com aquilo que sabemos e acrescentamos as peças pedaço a pedaço, cada uma posicionada mediante o uso de uma linguagem já compreendida, apoiada por metáforas e exemplos”.

Como utilizar os recursos visuais  

O objetivo dos elementos visuais podem ser dois: reforçar o nível informativo e/ou servir de apelo estético. Esses objetivos devem ser seguidos, portanto, não utilize recursos visuais se eles não vão lhe beneficiar em uma dessas formas, também não exagere neles a ponto de ultrapassar e deixar de ser um fator benéfico.

Neste ponto, lembre-se também que o recurso é visual, portanto deve ser esteticamente bonito, seguindo padrões básicos de design, e também facilmente visível, sem atrapalhar a visão, mas sim, esclarecer.

Os slides são ideias quando você quer mostrar ou ilustrar algo com imagens pois não é possível fazer isso com palavras. Neste mesmo sentido, elas podem ser explicativas, um adendo a sua fala. Por isso, é importante saber mesclar e integrar a fala e o slides, para que ambos se comuniquem de forma compreensível ao público.

Outras dicas importantes são: dê respiros de imagem (slides em branco) e NUNCA comprima várias informações em um só slide. Novamente, ele é um recurso visual, deve ser atrativo e ilustrativo, de forma alguma isso será possível se você enchê-lo de informação, texto ou imagens. “A finalidade principal dos recursos visuais não deve ser comunicar palavras. A boca do palestrante já faz isso muito bem. A finalidade dos recursos visuais é mostrar aquilo que a boca não mostra tão bem: fotografias, vídeos, animações e dados importantes”. Cuide também para não repetir informações do slide na sua fala e vice-versa, ambos devem ser complementares, não cópias.

Quando se trata da questão estética em si, as dicas citadas no livro são valiosas. Algumas delas são: imagens importantes podem e devem ser “sangradas” (colocadas em grande proporção). No caso da fonte, escolha apenas uma para toda a apresentação; dê preferência àquelas de peso médio e sem serifa, como as populares Helvetica e Arial. Use-as no tamanho acima de 24, com no máximo três variações de tamanho, cada uma delas com uma razão clara. Lembre-se que o texto sempre deve ser legível, portanto não o coloque acima de fotografias, fundos escuros ou com cores muito vivas. 

Chegando na questão cores, utilize tons mais simples e abuse do contraste. No geral, use apenas uma cor na escrita, mudando apenas em casos que necessite chamar atenção. Evite efeitos como itálico e sublinhado pois dificultam a leitura. Da mesma forma, os efeitos de transição entre slides só são bem-vindos em dois casos: dissolver para slides de ideias que conversam entre si, cortar para uma nova ideia.

No uso de fotografias, não esqueça de creditar propriamente o fotógrafo. Em vídeos, evite passar acima de 30 segundos e sempre verifique antes da apresentação se som e imagem estão funcionando corretamente. Esse é um dos pontos mais importantes: estamos trabalhando com equipamentos, portanto sempre cheque antes se tudo está funcionando como deveria, melhor prevenir do que sofrer problemas técnicos no meio da fala.

Decorar ou não decorar? 

Por trás de um bom palestrante existe muita preparação, mas MUITA preparação. Independente se ele decida por decorar seu texto ou falar de forma mais espontânea. Em ambos os casos é necessário um longo processo de treino e desenvolvimento. Tudo isso serve para que se identifique os pontos positivos e aqueles que deve melhorar. Desde o conteúdo em si até a forma que ele está sendo apresentado. “Fazer a apresentação em voz alta muitas vezes torna nítido para o palestrante o que está claro, o que falta e como aprimorá-la”, explica a instrutora de oratória Abigail Tenembaum.

Essa preparação servirá também para você identificar qual forma funciona melhor para você: decorar ou não. Ambos são válidos e nenhum se sobressai como o melhor ou o mais assertivo, o segredo para acertar está em traçar seu próprio caminho. No fim, “o que importa é que os oradores se sintam à vontade e confiantes, fazendo sua apresentação do modo que melhor lhes permita focar no assunto que os entusiasma”.

De forma geral, você tem duas opções: “A. escrever toda a palestra, como um roteiro completo (para ler, decorar ou combinar as duas coisas); B. ter uma estrutura claramente desenvolvida e falar na hora sobre os pontos a tratar”. Lembrando que “não estamos falando aqui de duas maneiras de dar uma palestra, mas de duas maneiras de construí-la”.

Para aqueles que optam pela roteirização, a principal vantagem é ter um melhor controle de seu tempo e como fazer uso dele. Mas é preciso cuidado, o texto decorado pode às vezes parecer monótono e não causar impacto ao público; o palestrante deve encontrar formas de quebrar a noção de que o texto foi decorado. Para isso, Anderson faz a metáfora do Vale da Estranheza, obstáculo a ser enfrentado por aqueles que decidem decorar sua fala. Na visão dele, há um momento onde o texto está quase decorado, mas ainda não parece natural ou interessante quando falado, é um momento em que muitos tendem a desistir da ideia, pois parece não estar surtindo o resultado esperado. Porém, tenha paciência. “Mas, se ele insistir no processo de memorização, lá pelo sexto ou sétimo dia você vai observar uma mudança animadora. De uma hora para outra, seu amigo passará a saber a palestra de verdade. Ele a conhecerá tão bem que se lembrará dela de estalo. De repente, seu amigo se tornou capaz de usar sua atenção consciente para se concentrar outra vez na expressividade das palavras”.

Agora assista a palestra de Pamela Meyer:

Pareceu decorada para você? Incrivelmente, soa natural. Isso porque houve preparação, prática e autoconhecimento envolvido neste processo. Dessa forma, você cria uma boa base para saber lidar com qualquer situação que venha a ocorrer ao longo da palestra. “Quando o público acha que uma palestra parece ensaiada, o problema não é ensaio demais, é ensaio de menos. O orador ficou preso no Vale da Estranheza”.

Como enfatiza uma das instrutoras de palestras do Ted, Gina Barnett: “a prática não leva à perfeição. A prática torna a imperfeição tolerável. Isso porque, quando você sabe algo de trás para frente, pode JOGAR com os imprevistos, em vez de suprimi-los”.

Agora, dentre aqueles que optam por uma palestra não roteirizada, existe uma vasta gama de opções, desde as totalmente improvisadas (pouco recomendado) e aquelas ensaiadas e preparadas em tópicos bem detalhados. Neste caso os principais perigos são: esquecer um termo específico no meio da fala, esquecer algum tópico importante ou perder a noção do tempo e excedê-lo. Mas há o lado positivo também, desta forma torna-se mais fácil ter uma fala mais espontânea

É importante frisar que não roteirizar não significa que o preparação é desnecessária. O livro também alerta que existe um tipo de palestra que nunca deve ser feito: “muitos oradores sucumbem à tentação de usar slides como muletas. Essa opção, em sua pior forma, leva à projeção de uma série de slides sem graça, repletos de texto e tópicos que o orador enumera cansativamente. Hoje em dia, a maioria das pessoas reconhece que essa é uma péssima forma de dar uma palestra. Quando já foi vista no slide, a palavra falada tem impacto zero. Deixa de ser novidade”.

Também é necessário quebrar um mito: o público não se importa se você estiver nervoso ou se precisa fazer uma pausa. “Uma coisa a levar em conta é que o público não se importa se você fizer uma pausa para tomar pé da situação. Talvez você sinta algum desconforto. Eles, não. O segredo é relaxar”. Para ver um exemplo real disso, assista a palestra do produtor musical Mark Ronson:

A conclusão disso é: “O segredo é descobrir o modo como você se sente confiante e se ater a ele”.

Eu preciso ensaiar? 

A chave para sempre melhorar a sua palestra: ENSAIAR MUITAS VEZES.

Quando se trata de plateia, todos aqueles que a enfrentam têm algo em comum, sejam eles dançarinos, músicos, palhaços, comediantes ou palestrantes, todos devem ensaiar em prol de aprimorar aquilo que será apresentado ao público. Isso porque o ensaio não é apenas um processo de melhora, mas também, uma ferramenta de autoconfiança e desinibição

Como indicado pelo educador Salman Khan: “Faça a palestra pelo menos cinco vezes em seu quarto, parafraseando as ideias centrais. Mesmo que se confunda ou esqueça algo, obrigue-se a terminar cada tentativa (e sempre controle o tempo). Na minha opinião, o mérito do treino está menos na memorização e mais em fazer você se sentir à vontade, reduzir a tensão. Se estiver confiante e em estado de relaxamento, todos vão ficar mais satisfeitos”

Após ensaiar algumas vezes sozinho, é hora de ampliar essa ideia. Convide um grupo de amigos, colegas ou até um mentor para assistir sua apresentação. Elas devem ser pessoas confiáveis e sinceras, pois precisam dar um feedback sem medo sobre o pontos positivos e aqueles que devem melhorar. Outra boa prática é o ensaio em frente ao espelho ou gravado. “Recomendo que você filme esses ensaios para se ver em ação. É possível que note algum trejeito do qual não tinha a menor consciência e prefira eliminá-lo”, a mesma dica vale para entonação de fala e análise do discurso.

Como causar um bom impacto inicial e final?  

Sem dúvida, os segundos iniciais e finais de uma palestra são os mais importantes. É o momento de garantir a atenção completa do público e depois deixar uma marca permanente em suas mentes. “No começo, terá cerca de um minuto para despertar o interesse do público. E o desfecho vai influenciar decisivamente o modo como ela será lembrada”

Isso ganha perspectivas ainda maiores quando levamos em consideração o comportamento do público na década da instantaneidade e dos dispositivos digitais na palma da mão. “Lembre-se de que, em nossa era, cada mínimo conteúdo participa de uma guerra pela atenção. Ele luta contra milhares de outras solicitações de tempo e energia”

Levando isso em conta, uma grande dica é roteirizar e memorizar as falas iniciais e finais, independente se você escolha roteirizar ou não o restante da palestra. Esse método ajuda a combater o nervosismo além de aumentar a confiança e impacto da apresentação. Outro fator é utilizar as ferramentas de boa fala citadas acima, como se valer de uma boa narrativa, de um recurso visual chamativo ou de uma estratégia que desperte a curiosidade do público.  

Veja algumas aberturas marcantes de palestra do TED:

No momento de encerrar evite a todo custo: frases motivadoras clichés (seja verdadeiro e único); agradecimentos excessivos; discurso de vendedor; pedir se há dúvidas no público (espere os aplausos); enrolar e estourar o tempo; se desculpar; terminar com um vídeo (a palestra deve terminar com uma fala sua, não recursos técnicos). 

Existem diversas opções de um melhor encerramento. Por exemplo, você pode apresentar um panorama geral, com o conjunto de possibilidades que o tema/trabalho apresentado possui. Uma inspiração neste caso é a palestra de David Eagleman:

Outra alternativa é convocar o público a agir. Instigue a participação e reflexão de forma assertiva, sem clichés, mas com intuito de fazer com que todos coloquem a mão na massa. Como exemplo, o livro cita a chamada sucinta, mas efetiva, feita pelo escritor Jon Ronson:

Ou você pode se colocar no compromisso, assumindo uma meta ou ação que pretende cumprir, algo que surpreenda e instigue apoio da plateia. Mas, atenção! “Assim como em qualquer outra situação, assumir um grande compromisso exige bom senso. Se isso for feito da forma errada, pode levar a um desconforto na hora e a uma perda de credibilidade depois”. Como exemplo positivo, temos a história da nadadora Diana Nyad, cuja meta era nadar de Cuba à Flórida:

Dois anos depois, ela retornou aos palcos do TED para descrever como havia cumprido esse desafio com sucesso:

Também é possível encerrar de forma inspiradora. Mas, para isso, é preciso se despir de clichés, tornar o estímulo verdadeiro. Utilize-se de valores e anseios humanos com profundidade e simplicidade, baseados em sua vivência ou conhecimento. “Repito, não se pode fazer isso de maneira superficial. Só dá certo quando o resto da palestra já preparou o terreno e quando ficou claro que o orador conquistou o direito de evocar tais sentimentos”.  Faça como a professora Rita Pierson:

E que tal fazer uma pergunta inesperada ao público? Para aqueles que buscam apresentar novas ideias e perspectivas, essa é uma ótima forma de deixar com que todos reflitam sobre o que lhes foi apresentado. Para ter uma melhor noção desse recurso, veja a palestra da terapeuta Esther Perel sobre o polêmico assunto da infidelidade:

O que usar?  

O figurino não deve ser algo que lhe estresse ou ocupe muito tempo da preparação. Ou seja, “na maioria dos ambientes, o importante é usar algo com que se sinta bem”. Mas é preciso atentar-se a alguns detalhes que podem melhorar ou estragar sua apresentação.

Caso a palestra seja gravada para posterioridades ou transmitida ao vivo on-line, a figurinista do TED, Kelly Stoetzel, diz: evite o branco (a luz pode estourar), o preto (você pode acabar parecendo uma cabeça flutuante) e estampas ou padrões muito pequenos (que podem causar uma estranha tremulação nas imagens fotográficas ou de vídeo, conhecida como efeito moiré)”

No uso de microfones auriculares (aqueles fixos no rosto) evite coisas que possam causar ruído, como brincos e barba comprida. Neste mesmo sentido, no caso dos acessórios, evita-se aqueles que reluzem ou façam muito barulho. Para dar um detalhe de destaque, opte por mantas ou acessórios de tecido. 

Outra super dica é: “A plateia, assim como a câmera, adora cores fortes e vibrantes. Roupas bem marcadas tendem a ficar melhor no palco do que as folgadas e frouxas. Procure algo que proporcione uma boa silhueta e certifique-se de usar o tamanho certo — nem folgado, nem apertado”. Uma boa prova disso é o vestido utilizado por Linda Cliatt-Wayman, que a tornou visível a todos do público, indiferente da distância em que estavam.

Em último caso, utilize a mesma tática dos ensaios, convide alguém para auxiliá-lo ou para avaliar o figurino escolhido. Até porque, “às vezes, a imagem que você vê no espelho não corresponde exatamente à visão dos outros”

Como ter uma presença de palco efetiva? 

DÊ A SUAS PALAVRAS A VIDA QUE ELAS MERECEM!

Assim inicia o capítulo do livro dedicado a duas das artes mais sensacionais da oralidade: a entonação vocal e a linguagem corporal. Há algo de único na voz, na postura e nos movimentos corporais que transformam a palavra falada em uma experiência diferente de qualquer outra. Como declara Chris Anderson, “um dos motivos pelos quais me encantei com o TED foi o fato de perceber que as palestras feitas da forma correta podiam proporcionar algo mais que simplesmente não se pode extrair da palavra impressa”.

Esse é o processo de utilizar uma ferramenta do corpo humano para transformar informação em inspiração. “As palavras são processadas pelo motor cerebral da linguagem, que opera mais ou menos da mesma forma quando você ouve e quando lê. Mas acima disso há um fluxo de metadados que lhe permite (em grande medida de forma inconsciente) avaliar cada segmento de linguagem que se ouve, determinar o que fazer com ele e como priorizá-lo. Não há nada parecido com isso na leitura. Isso só ocorre quando você vê um orador e ouve a voz dele”

Conforme a forma que a voz é utilizada  -em tom, volume e melodia – e os movimentos feitos, eles podem causar sentimentos de simpatia, curiosidade, compreensão, empatia, entusiasmo, convicção e ação. Assim, a reação do público depende também de dois fatores: “o que você faz com a voz e o que você faz com o corpo”.

Para desenvolver essas habilidades ainda nebulosas, existem alguns pontos importantes. Primeiro, fale com expressividade. “Os orientadores de voz falam de pelo menos seis ferramentas: volume, altura, ritmo, timbre, tom e uma coisa que se chama prosódia, que é a musicalidade que distingue, por exemplo, uma afirmação de uma pergunta”. O segredo está em utilizar essas variações no seu modo de falar, de forma harmônica e baseada no conteúdo que está sendo transmitido. Sem a variação de voz, a palestra toda será monótona e terá apenas um efeito: o de sonífero. 

Para desenvolver isso, use do mesmo método já citado anteriormente, grave a sua fala e escute-a de olhos fechados. Mas cuidado para não ir além do necessário, as variações de tom devem ocorrer naturalmente, senão torna-se robótico e volta a ser cansativo ao ouvido. Como inspiração, assista a palestra de George Monbiot e preste atenção em sua entonação: 

Outro aspecto muitas vezes esquecido é a velocidade da fala. Normalmente o nervosismo leva a dois erros comuns: falar muito rápido ou devagar demais. “Quando for apresentar ideias essenciais ou explicar algo complexo, vá devagar e não tenha medo de fazer pausas. Ao contar casos e em momentos mais leves, acelere. Mas, no geral, você deve se planejar para usar seu ritmo espontâneo e coloquial”.

Quando se trata do corpo, “a maneira mais simples de dar uma palestra eficiente é ficar de pé, distribuir o peso do corpo igualmente nas pernas — mantendo os pés um pouco afastados — e usar as mãos e os braços para amplificar o que está dizendo com naturalidade. Se a disposição da plateia for um pouco curva em relação ao palco, gire um pouco a cintura para se dirigir às diferentes partes. Não há necessidade alguma de ficar andando de lá para cá”

Em geral, evite movimentos repetitivo e oscilatórios, como dar passos para trás e para frente, ficar trocando a perna em que apoia o peso ou um andar incessante. Esses movimentos cansam o público e tiram a atenção. 

Um dos métodos mais populares entre os palestrantes do TED, segundo Ken Robinson, um dos palestrantes mais famosos, é: “o essencial é relaxar e deixar que a parte superior do corpo se movimente à vontade. Uma boa postura ajuda; evite deixar os ombros caídos. Uma postura aberta pode parecer vulnerável… mas essa vulnerabilidade age a seu favor”

Agora, para encerrar, a dica mais valiosa de todas: faça do seu jeito! Mesmo que o modo desenvolvido por outro palestrante pareça mais instigantes, não copie, não fuja do que é natural a você. “Fale do seu jeito. Não imite o estilo alheio nem procure se enquadrar no que considera o “modo TED” de apresentação. Isso é entediante, banal e antiquado”, essa é a grande lição deixada por Chris Anderson. 

Pronto para dar voz às suas ideias? Para mais embasamento sobre o tema indicamos a leitura completa do livro e a visualização das múltiplas palestras do canal TED e TEDTalks, lá você encontra também vídeos em português de palestras realizadas no Brasil. Caso queira alguma indicação de por onde começar, veja os dois textos abaixo, desenvolvidos pela agência.

Inspiração para períodos curtos!

Confira mais em "Uma hora e meia de inspiração, reflexão e criatividade com TED".

Oralidade + Transformação Digital!

Confira mais em "Conteúdos do TED para se inspirar e refletir sobre a era dos dados".