Conteúdo Inspirador: 5 coisas que aprendi caminhando pelas estradas à procura de inspiração

Como parte de um conteúdo especial para inspirá-los, iremos frequentemente desenvolver a tradução de conteúdos internacionais que envolvam as temáticas de criatividade, comunicação e mercado. Nesta primeira postagem, escolhemos este texto sensacional escrito pelo britânico Ian Sanders e postado na plataforma Medium por Matt Locke.

Destacamos que a tradução do artigo foi realizada livremente, com corte de parte do conteúdo devido relevância. Para lê-lo na íntegra em inglês, acesse ao link. Uma ótima leitura a todos:

Ian Sanders nunca perde a oportunidade de uma boa caminhada. Algo acontece em uma caminhada que o inspira criatividade, novas ideias e um relacionamento renovado com a cidade.

 Eu comecei a escrever estas palavras em uma quinta-feira de manhã enquanto caminhava através de Londres, entre Farringdon e King’s Cross. Uma viagem de trem entre estas duas paradas leva quatro minutos, mas nesta manhã o tempo estava ao meu lado e decidi circular rua abaixo, seguindo uma rota que era nova para mim, onde fiz algumas descobertas durante o caminho.

 Pode parecer que eu estava em um dia livre, quando, em fato, eu estava entre reuniões, utilizando meu tempo na rua para repensar algumas coisas.

 Caminhadas como esta são uma importante parte da minha vida profissional. Nos últimos oito anos, me afastei de um estilo de trabalho baseado em escritório para algo mais nômade. As ruas são combustível para meu trabalho como consultor criativo, storyteller e treinador.

 Meu amor por cruzar as ruas de Londres iniciou-se no início de minha carreira em 1990, após ter deixado a universidade e vir a ser mensageiro em uma produtora de TV. Com minha desgastada enciclopédia de Londres debaixo dos braços, eu transportava fitas de vídeo através das regiões de Soho e Fitzrovia. Me sentia como um taxista local aprendendo suas rotas e, assim, vim a conhecer as pequenas ruas paralelas e becos intimamente. Vinte anos depois, eu uso estas mesmas ruas como paisagem de fundo para meu projeto ‘Fuel Safaris’, onde levo as pessoas em jornadas para guiarem suas carreiras.

 Muitos de nós trabalhamos em localidades urbanas. Nos dias de hoje, é comum sair do escritório para se ter uma mudança de cenário e trabalhar a partir de espaços como cafeterias. As ruas parecem servir como única finalidade, providenciando rotas de A para B.

 Mas que oportunidade perdida: que tal utilizar as ruas para desbloquear ideias, se destravar ou gerar aquela explosão de inspiração? Para mim, as ruas são onde tiro meu combustível, onde faço minhas melhores reflexões, independente de onde estou no mundo.

 Então, aqui estão 5 coisas que aprendi sobre como utilizar as ruas para se inspirar:

Vá para os espaços que lhe cativam 

 Tenho um caso de amor com Amsterdã e vivo dez minutos de um aeroporto onde posso embarcar facilmente em um voo de 35 minutos até a cidade. Tento ir para lá algumas vezes durante o ano. Sempre levo comigo uma lista de coisas para pensar sobre, e quando já na localidade, caminho nos arredores e assinalo as tarefas que completei.

 Faço meu tempo suar. No último mês de setembro, fui a Amsterdã por três dias. Caminhei cerca de 47 quilômetros a pé, enchi um caderno com anotações e desenvolvi múltiplas ideias. Eu sei que caminhar através das ruas e canais de lá irá me ajudar a alcançar meu objetivo: a cidade é meu acelerador para conseguir realizar as coisas.

Deixe o mapa para trás  

 Em dezembro de 2010, eu e meu amigo David pegamos a Eurostar (serviço europeu de alta-velocidade de trem) até Paris a fim de escrevermos juntos um livro de negócios. Reservei-nos um apartamento de paredes e piso brancos, no qual eu sabia que seria a base ideal para lapidar nossos planos.

 Em nossa primeira manhã nevou e decidimos sair para um café. E fora, nas ruas de Paris, nós acidentalmente descobrimos o melhor processo para extrair e moldar nossas ideias. Ali caminhamos e conversamos até que nossas mentes estavam transbordando com pensamentos, então achamos um café para se esquentar e registrar nossas notas. Uma vez que as criações estavam no papel, seguimos novamente, parando para lanche ou uma garrafa de vinho para capturar nossas próximas ideias.

 Durante nosso tempo na cidade, decidimos caminhar sem um mapa, o que significava que podíamos realmente focar em nossas conversas e em moldar nossas ideias. Não precisávamos parar para olhar nossos telefones ou placas de rua para vermos onde nos encontrávamos. Estávamos livres… e assim também estavam nossas ideias.

Deixe a rua te mostrar o caminho 

 Podemos, frequentemente, nos encontrar em meio a uma sequência de caminhos dos quais d escolher e, assim, nos sentimos sobrecarregados sobre qual rota é a melhor. Estar no meio das coisas significa que pode ser difícil saber qual caminho seguir.

 Quando levo pessoas em um ‘Fuel Safari’, eu usualmente começo a caminhada na Seven Dials no jardim do convento de Londres. Este espaço é uma junção onde sete pequenas ruas se convergem, sendo assim, uma grande metáfora para todas as opções que temos em aberto para nós. Após meus clientes e eu termos selecionados a estrada que caminharemos, aproveitamos as vistas e os sons, permitindo que a mente torne-se vaga, para após, voltar ao foco.

 Falar enquanto caminhamos os ajuda a explorar o fator ‘o que vem em seguida’, onde eles querem seguir em suas vidas profissionais e carreiras. Isso permite uma discussão franca e aberta que nos habilita chegar às respostas.

Evite os lugares e as ruas óbvias  

 Espaços urbanos lotados podem ser inspiradores, mais é improvável que você terá as melhores ideias desviando de pedestres na rua Oxford ou 5ª Avenida (localidades movimentadas e turísticas na Inglaterra e Estados Unidos). Eu encontro no caminhar pelas ruas mais calmas o local onde as ideias interessantes realmente acontecem. Amo as viradas aleatórias que as surpresas nos providenciam, revelando bares e lojas fora do caminho.

 O que eu aprendi é que se ir em busca de coisas que sou interessado, como descoladas lojas de pincéis ou bons cafés, e no caminho permanecer aberto e curiosos, eu serei recompensado. Minha paixão por desenterrar as boas coisas colide com minha curiosidade interior: combinar essas duas coisas nas estradas sempre me ajuda a criar, me fornece uma explosão de inspiração ou, em um nível mais intrínseco, me faz sentir bem.

Busque o não-familiar no familiar  

 Um dos meus projetos mais recentes é guiar uma série de workshops ao redor do Reino Unido pelo canal BBC, trabalhando em times que gastam a maioria do seu dia presos em uma redação de notícias. Os repórteres usualmente não têm a oportunidade de  caminhar nos arredores, portanto, sempre incluo um exercício onde mando-os para caminhar e explorar as ruas lá fora.

 Mais cedo neste ano, em Glasgow, uma produtora da BBC me disse que ela aprendeu mais sobre sua vizinhança em uma caminhada de 45 minutos do que em 20 anos dirigindo através dela. Vagar pelas ruas é um ato de abrir os olhos – participantes retornam ao local de treinamento revigorados, com um sentimento de admirar, como uma criança, o que se encontra nos degraus de suas portas: os canais, os becos e as ruas que nunca tinham sido exploradas previamente. Estradas familiares podem entregar surpresas, você só tem que tomar seu tempo para olhar ao redor.

 Talvez você tenha seu local favorito para exercer seu trabalho em seu escritório? Ou uma mesa preferida na cafeteria da sua vizinhança onde sempre se sentes inspirado? Para uma mudança, ao invés disso, por que não explorar as ruas ao seu redor e ver o que acontece?

Para se inspirar

Uma hora e meia de reflexão e criatividade com o projeto TED